O Ataque dos VLJ
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan
    Com mais de dez modelos em desenvolvimento e inúmeros já em produção os Light Jets prometem revolucionar o mercado de aviação executiva.

Especialmente uma nova classe de aviões executivos, denominada pela National Business Aviation Association – NBAA, como Very Light Jet – VLJ.
Os VLJ são aviões a reação com peso inferior a 4.530kg, com capacidade para transportar entre quatro e cinco passageiros até a uma distância de 930km (500nm) sendo operadas por um único piloto. O que permitem estes aviões possuírem um baixo custo operacional aliado a um preço de aquisição similar a de um turboélice, características que prometem transformar esta nova categoria em um sucesso de vendas.

Esta nova classe de aviões devera ser a porta de entrada para muitos no seleto grupo de proprietários de “jatos” particulares, sendo que os principais clientes deverão ser pequenas e médias empresas e profissionais liberais bem sucedidos.

Acredita-se que nos próximos dez anos haverá uma demanda para aproximadamente 4.500 pequenos jatos, o que tem feito inúmeras empresas a apostarem alto neste mercado. Na maioria dos casos são empresas de pequeno porte que não têm qualquer tradição no mercado de aviação executiva. As exceções ficam por conta da Cessna e Raytheon tradicionais fabricantes de aviões e com forte presença no mercado executivo e da brasileira Embraer, que anunciou em abril a entrada neste mercado com dois novos produtos.

A entrada da Embraer no segmento dos VLJ já era espera a alguns meses, durante a LABACE 2005, eram fortes os boatos de que a empresa estaria desenvolvendo um novo avião executivo. Apesar da Embraer evitar comentar sobre o assunto todas as vezes que era questionada pela imprensa.

Acreditava-se que a Embraer deveria anunciar sua nova linha de aviões executivos durante o Salão de Aeronáutica e Espaço de Le Bourget na França, aproveitando para ganhar uma visibilidade maior a nível internacional.

No dia 03 de maio a Embraer anunciava em um evento realizado no Corcoran Galley of Art, em Washington D.C. o lançamento de dois novos aviões executivos leves, sendo um da categoria VLJ e outro um pouco maior que ira disputar o mercado dos LJ – Light Jet.

Os dois novos aviões da Embraer serão desenvolvidos sobre uma mesma plataforma, diferenciando basicamente apenas as asas e comprimento da fuselagem.

O modelo VLJ tem capacidade para cinco ou sete passageiros, possui asas com pequeno enflechamento e será equipado com dois motores turbofan Pratt & Whitney Canada PW617F, com 1.615 libra de empuxo cada. O motor PW617F é derivado do programa demonstrador de tecnologia PW625, lançado em 2000. Este motor conta com sistemas FADEC (Full Authority Digital Engine Control) que otimiza o funcionamento do motor em função da temperatura e pressão, melhorando o desempenho e reduzindo significativamente o consumo de combustível e até mesmo o desgaste do motor. Ele devera ter velocidade de cruzeiro de 705km/h, teto operacional de 41.000 pés e com alcance estimado de 2.148 quilômetros.

O LJ terá capacidade para até oito passageiro mais um piloto e devera ser impulsionado por dois motores turbofan Pratt & Whitney Canada PW535E, com 3.200 libras de empuxo unitário, também dotado do sistema FADEC. Outra diferença será as asas com maior enflechamento, além de uma fuselagem mais longa.
A capacidade máxima do modelo será para até oito passageiros, com velocidade de cruzeiro estimada em 833km/h, teto operacional de 45.000 pés e com alcance máximo de 3.334 quilômetros.

Ambos os modelos terão construção basicamente metálica, mas farão uso extensivo de materiais compostos nos pisos e revestimentos. A Embraer não divulgou maiores detalhes sobre a construção dos aviões, mas acredita-se que o uso de materiais compostos irão se estender em algumas partes estruturais, como estabilizador vertical e horizontal, ponta das asas etc.

O desenho do interior dos aviões esta sendo desenvolvido pela BMW Design, que esta encarregada pelo projeto não apenas da cabine de passageiros mas também do cockpit. Sabe-se que o cokpit será do tipo all glass e serão dotados dos mais modernos sistemas de aviônicos disponíveis no mercado.
A Embraer prevê que o modelo VLJ devera entrar em serviço em 2008, seguido do LJ em 2009. A previsão da empresa é garantir uma participação de no mínimo 30% do mercado de aviação executiva, que é estimado em aproximadamente 3.000 aviões nas categorias Entry Level, VLJ e LJ.

Os recursos para o desenvolvimento destes novos programas virão da própria Embraer, além de eventuais parceiros de riscos que irão trabalhar no desenvolvimento e produção dos sistemas que equiparão os aviões. Não é prevista até o momento nenhuma parceria para o desenvolvimento ou mesmo produção de partes estruturais, devido ao pequeno porte desses aviões.

    A Cessna entra na briga

Uma das maiores empresas de aviação do mundo, a Cessna Aircraft Company, também briga pelo promissor mercado de minijatos, oferecendo o LJ Citation CJ1 e mais recentemente o VLJ Citation Mustang que esta fase final de desenvolvimento.

O programa Mustang esta prosseguindo dentro do cronograma estipulado pela Cessna, sendo que o primeiro exemplar de pré-série realizou em 23 de abril seu primeiro vôo.

Decolando da McConnell Air Force Base em Wichita o primeiro Mustang realizou um vôo de 141 minutos atingindo a altitude de 11.000 pés onde foram verificados itens como estabilidade, performance, controles de vôo, comportamento dos flaps, trem de pouso e freios aerodinâmicos.

O novo modelo da Cessna vem completar a família Citation que passa a oferecer desde os pequenos VLJ com o Mustang até a classe mid size com o Citation X.

Com capacidade para até cinco passageiros, mais um piloto o Mustang é equipado com dois motores turbofan Pratt Whitney Canadá PW615F, dotados com sistema FADEC e com 1.350 libras de empuxo cada. A velocidade de cruzeiro estimada é de 630km/h e o modelo estará homologado para voar a uma altitude de 41.000 pés.

Três aeronaves estão sendo utilizadas durante a fase de certificação, sendo uma de pré-série e duas de série, sendo mais um exemplar destinado para os testes estáticos mais um para ensaios de fadiga. A previsão da Cessna é que o modelo esteja homologado até o final de 2006.

O modelo conta atualmente com 250 encomendas, sendo que as primeiras entregas deverão começar logo após a homologação, mas a empresa só terá posições disponíveis na linha de produção para atender a novos pedidos após o segundo semestre de 2009. O preço básico do Mustang é de 2,5 milhões de dólares, o que torna o modelo altamente competitivo.