Dadaísmo aéreo
Hoje após receber a notícia que uma resolução
do CONAC (Conselho de Aviação Civil), publicada
no "Diário Oficial" da União, determina
que a ANAC regulamente a retomada de vôos regulares com
escalas e conexões em Congonhas, me lembrei imediatamente
do Movimento Dadá.
Mais conhecido como dadaísmo, o movimento surgiu em Zurique,
no ano de 1916, e foi caracterizado por se opor a qualquer tipo
de equilíbrio. Era uma combinação de pessimismo
irônico, improvisação e um forte ceticismo.
Enfatizou-se a incoerência, o ilógico, o absurdo,
a desordem e o caos. O movimento era uma anti-arte.
É impossível não fazer uma analogia entre
o dadaísmo e os atuais gestores do sistema aéreo
brasileiro. Se em 2007 tivemos o apagão aéreo, hoje
temos o dadaísmo aéreo. Um movimento de péssimo
gosto, onde seus principais expoentes não perdem a oportunidade
de se aparecerem com ações improvisadas, abusando
da incoerência, com ações ilógicas
e usando de pessimismo irônico. Um dos recentes casos do
dadaísmo aéreo foi à declaração
de que os brasileiros deveriam evitar voar nos feriados, onde
geralmente existe uma maior demanda. Outra manifestação
da incoerência dos dadaístas aéreos foi proferida
por seu maior expoente, o Ministro Jobim, que desejava regulamentar
maiores distancias entre as poltronas dos aviões, além
de quatro poltronas mais largas para pessoas obesas. Nosso Ministro
da Defesa criou o “air ready-made”, onde deixou claro
o propósito de chocar o usuário do transporte aéreo.
Pois, ainda que seja válido pensar no bem estar de pessoas
com necessidades especiais, é óbvio que uma medida
dessas encareceria o valor das passagens aéreas. Qual obeso
poderia pagar no mínimo o dobro por uma passagem aérea?
Se ele usa uma poltrona mais larga é fato que a empresa
aérea sentirá no direito de cobrar um valor mais
alto pela passagem.
Outro grande nome do dadaísmo aéreo foi a ex-diretora
da ANAC, Denise Abreu, que logo após o acidente com o vôo
3054 proferiu: “O acidente não foi no ar. Ninguém
bateu no ar. Então o acidente não tem nada haver
com o número de vôos em Congonhas. O Acidente é
o acidente. O sistema aéreo é o sistema aéreo.”
Quer declaração mais irônica e absurda que
esta? Só faltou ela espetar um charuto em uma poltrona,
e batizar de “El Cubano”. Seria uma grande obra para
ser exposta ao lado da “Roda de bicicleta” de Marcel
Duchamp, um dos grandes vultos do dadaísmo.
Certa vez, Duchamp proferiu: “será arte tudo que
eu disser que é arte”. Anos mais tarde o ex-Ministro
da Defesa, Waldir Pires, disse: “É uma crise de natureza
emocional”. Aposto que ninguém questionaria nenhuma
das afirmações, especialmente a última, pois,
caso Pires tivesse que repetir o que disse, levaria no mínimo
uma hora e meia.
O dadaísmo aéreo e seu “air ready-made”,
não perde a oportunidade de se apropriar de tudo que já
está feito, invertendo seu sentido e rompendo com a complacência
dos valores de um setor que um dia foi mundialmente respeitado.
O mais impressionante é que nós contribuintes e
usuários do sistema aéreo aturamos essa trupe. Lamentável!