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O carioca
Mário José de Bittencourt Sampaio, mais conhecido
como Mário Sampaio, é economista, com cursos de pós-graduação
de Engenharia Econômica e Administração Financeira
e sócio da Multiplan, empresa especializada em consultoria
aeronáutica. Sampaio que já trabalhou na Confederação
Nacional da Indústria como economista e depois como analista
financeiro em uma corretora da Bolsa de Valores, hoje presta também
serviços de consultoria a Airbus no Brasil.
Air onLine: Qual a participação
da Airbus hoje no Brasil e na América Latina?
Mário Sampaio: Nos últimos
10 anos, a Airbus obteve aproximadamente 70% das vendas de aviões
novos acima de 110 lugares em nosso continente. Como a idade média
da frota local é relativamente avançada (muitos aviões
antigos), a participação da Airbus, apesar de rapidamente
crescente, é de 27,5% segundo dados recentes.
No Brasil, a frota de aviões Airbus corresponde a 27% das
aeronaves comerciais com mais de 100 lugares, contra apenas 1,5%
em 1997.
Air onLine: Quais as perspectivas atuais
da Airbus com novas empresas aéreas no Brasil?
Mário Sampaio: A Airbus há
nove anos voltou com força ao mercado brasileiro e mantém
contatos com todas as empresas existentes. Hoje, no Brasil existem
duas grandes empresas apresentando boas condições
financeiras. A TAM é uma delas e é nossa cliente.
Existem contatos com as demais empresas. Mas, a troca de equipamentos
de uma companhia de aviação exige investimentos em
peças e ferramental, tornando essa mudança onerosa.
Com relação às empresas menores que estão
surgindo, tem havido contatos e são feitos acompanhamentos
freqüentes. A Airbus está atenta a todos os segmentos
do mercado.
Air onLine: Existe alguma negociação
para a venda de outro Airbus ACJ para a Força Aérea
Brasileira?
Mário Sampaio: Não
existem contatos nesse sentido. O Airbus ACJ que opera para a FAB
foi vendido após uma concorrência, onde nosso preço
foi menor e o desempenho superior. O avião preenche as exigências
feitas durante o levantamento de preços e de desempenho.
Air onLine: E com relação
a demais forças aéreas de países da América
Latina?
Mário Sampaio: O primeiro
país a adquirir o ACJ foi à Venezuela, (usado também
para transporte oficial), seguido pouco depois pelo Brasil. Hoje
não existe nenhuma negociação em andamento.
Mas, toda vez que houver uma concorrência, claro que a Airbus
vai estar presente.
Air onLine: Atualmente, existe alguma negociação
para a venda do ACJ a operadores privados no Brasil e qual a perspectiva
de venda para o modelo no mercado brasileiro?
Mário Sampaio: O mercado no
Brasil para este tipo de avião é hoje estimado em
cinco aviões para os próximos dez anos, uma média
de uma aeronave a cada dois anos. A demanda de jatos executivos
em nosso país é a terceira maior do mundo e a segunda
da América Latina (após o México). Com o crescimento
desse mercado, certamente a venda de aviões dessa categoria
vai crescer e ultrapassar as projeções conservadoras
atuais.
Air onLine: Nos últimos anos a Boeing,
vem lançando uma série de melhorias em seus modelos
e mais recentemente lançou o 787, que é um projeto
completamente novo. A Airbus neste período excluindo o A380,
parece que ficou um pouco acomodada com relação a
aperfeiçoamentos de seus modelos. Esta impressão é
devido forte marketing da Boeing ou a Airbus ficou mesmo parada
no tempo enquanto a Boeing evoluía seus modelos?
Mário Sampaio: Bem inicialmente
é necessário lembrar que a Airbus ultrapassou as vendas
de seu concorrente em cinco dos últimos seis anos e ele precisava
reagir. Em acréscimo, se analisarmos todas as linhas de produtos
verificamos que as famílias da Airbus eram todas bem mais
novas. A Airbus tem procurado manter uma constante evolução
de seus produtos, como a nova versão do A340-600 homologada
essa semana. Mas confesso que algumas vezes reverencio a linha de
comunicações sobre assuntos técnicos de nosso
concorrente. O A320, por exemplo, recebeu ano passado modificações
(e foi homologado) para operar em pistas curtas, como o Santos Dumont.
No Brasil, já estão voando 8 aviões com essas
mudança e na verdade isso foi pouco divulgado. O lançamento
do birreator para 200/250 passageiros do concorrente foi feito para
recuperar mercado. E era necessário criar um modelo totalmente
novo por que o seu antecessor estava completamente ultrapassado,
por ser um projeto do final da década de 70 (767). A Airbus
reavalia o mercado constantemente e lançou o A350 que hoje
é um avião que tem 95% de suas partes inteiramente
novas, mas mantém a comunalidade de pilotagem e manutenção
com a família A330/A340. A Airbus evolui e continua a evoluir
sempre de forma muito rápida.
Air onLine: A Airbus sempre mostrou ser
uma empresa inovadora e dizia que a Boeing apenas evoluía
projetos antigos. Porém a Boeing lançou recentemente
o 787, que é totalmente inovadora, enquanto a Airbus basicamente
realizou um upgrade no A330. Qual a justificativa para não
lançar um modelo realmente inovador como o 787?
Mário Sampaio: Como eu já
expliquei, o concorrente tinha que lançar algo novo para
recuperar mercado já que alguns de seus aviões (767
e 757) estavam ultrapassados. A Airbus ao lançar o A350 inicialmente
se baseou no A330, que era um projeto recente, mas isso mudou. O
A350 adotou tecnologia do A380 e se transformou. Hoje é um
avião plenamente competitivo em todas as áreas e 95%
de suas partes são novas. As aparências às vezes
enganam. As asas são novas e feitas em materiais compostos.
A cauda é nova, assim como as turbinas. O trem de pouso é
mais longo e maior. As janelas são maiores. O nariz tem novo
perfil. A fuselagem tem novas ligas metálicas e a cabine
de passageiros é mais larga. A cabine de comando tem a configuração
e instrumentos do A380. Os sistemas foram mudados. O alcance e a
velocidade são também maiores. O que realmente restou
é que a pilotagem é a mesma assim como a manutenção,
permitindo total comunalidade de pilotos e de manutenção
com a família A330/A340, um item que nosso concorrente não
atingiu. É claro que existem estudos de novos projetos em
todos os segmentos de mercado, mantendo a tradição
de avanços tecnológicos da Airbus.
Air onLine: O A330 é basicamente
a versão bimotor do A340, existe algum estudo para o lançament
ode uma versão quadrimotor do A350, sendo então este
um substituto para o A340?
Mário Sampaio: No momento
não existe nenhum estudo visando criar uma versão
quadrirreatora do A350. Mas, o A340 continua a receber melhorias
técnicas e esta semana [abril/2006] foi homologado um A340-600
com maior alcance. Breve, novas versões poderão ser
anunciadas. Mas, são mercados distintos. Os quadrirretores
oferecem sempre vantagens sob condições ETOPS.
Air onLine: Quais as perspectivas da Airbus
para o mercado mundial?
Mário Sampaio: A Airbus sempre
teve intenção de deter 50% do mercado, até
porque as companhias aéreas não querem um fabricante
de aviões único. É bom para elas que existam
dois fabricantes competindo. Claro que algumas vezes a Airbus pode
ter 55% e em outras 45%, mas a intenção é brigar
sempre para obter uma média em torno de 50%. |