Expo Aero Brasil 2005
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan

    Mais uma edição, a nona, da EAB - Expo Aero Brasil (Feira Internacional de Aviação) foi realizada. Este ano, ocorreu de 23 a 26 de junho de 2005, novamente na cidade de Araras, interior de São Paulo, no Centro Aeronáutico construído especialmente para sediar o evento. Plenamente abençoado pelo sol, que reinou absoluto naquela semana, após alguma chuva, dias antes, suficiente para ajudar a baixar a poeira do aeródromo de Araras, além de trazer um vento fresco para a região em pleno inverno atípico.

O evento pretendia, como antecipado há alguns meses pelo Cmte. Décio Corrêa, organizador da EAB através da Aeromarketing Promoções e Eventos, voltar-se mais ao business e menos ao show aéreo, reivindicação antiga, desde os tempos da Aerosport em Sorocaba. Reivindicação, o que é importante salientar, de quem expõe e dos profissionais que buscam conhecer melhor as empresas da área. Isso não agradou a todos, como era o esperado. Mas é preciso que se destaque que os interesses em um evento como esse são os mais diversos e podem ser reunidos em três grupos: 1- vender no ato produtos e serviços; 2- fazer-se presente e fazer contatos mas deixar os negócios de fato para serem assinados depois, na sede da empresa; 3- ou, simplesmente, confraternizar-se com amigos e passear com a família.

A edição 2005 destacou, sem dúvida, a aviação experimental. Inúmeros modelos, especialmente dos matriculados Papa-Uniform (PU), podiam ser vistos ou até contemplados em vôos de performance realizados ao longo de todos os dias. As empresas que expuseram suas pequenas, graciosas e muitas vezes revolucionárias máquinas, trouxeram suas propostas visando, muitas vezes, vendas futuras, embora algumas com certeza tenham sido fechadas em Araras mesmo.

Já a aviação comercial esteve muito reduzida nesta edição, especialmente para quem estava acostumado a ver aeronaves ATR, LET 410, Fokker 100, ERJ-145, EMB-120 e outras, nas edições anteriores. Mas, mesmo sem aeronaves em exposição, a GOL, VARIG e TAM marcaram presença com grandes estandes e atividades interativas (jogos e simuladores). A Varig Flight Training atraía as atenções com um motor JT3 de Boeing 707 e cabine de DC-10, além de um autêntico trem de pouso principal de asa de um Boeing 747, trazido pela Varig Engenharia e Manutenção (VEM).

No céu, destacaram-se rasantes quase diários do EMBRAER 190 (dois protótipos diferentes) e, no sábado, de um representante da frota da Varig, o Boeing 737-300 PP-VPX – quatro rasantes caprichados que agradaram a todos.

Também a aviação executiva teve poucos destaques, um deles, a presença do Learjet 45 XR, aeronave da Bombardier utilizada por sua representante OceanAir e que fez vários vôos, além de permanecer na exposição estática. Mas a Eviation Jets do Brazil, localizada em São José dos Campos, não deixou de comparecer para divulgar o Vantage, bimotor VLJ, o concorrente geograficamente mais próximo da proposta da Embraer nessa categoria executiva.

Falando em apresentações aéreas, além dos shows individuais de nomes conhecidos da acrobacia brasileira como Tike Bazaia, Beto Bazaia, Augusto Pagliacci, Luiz Dell’Aglio, dentre outros, a Esquadrilha Oi mostrou a nova pintura negra de seu Beech Bi (Beechcraft D-18S). Com espetáculo de pára-quedistas, apresentou-se no domingo antes da Esquadrilha da Fumaça, e após os rasantes emocionantes e ensurdecedores de dois AMX da Força Aérea Brasileira.

Aliás, a FAB também tinha um estande em destaque na área externa, homenageando Alberto Santos Dumont e divulgando o trabalho do INCAER (Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica) e comercializando obras através do Clube do Livro. No sábado aterrissaram para a feira dois Tucanos T-27 (FAB 1338 e FAB 1386) e um C-95A (2291).

Outras aeronaves de destaque como visitantes do sábado (civis): EMB-110 (Bandeirante) PT-WAW da NHR Táxi Aéreo.

Na área interna (Pavilhão Cmte. Rolim Amaro), especialmente no sábado e no domingo – que foram os dias de movimento mais intenso na feira – os visitantes acotovelavam-se diante dos simuladores de vôo. A FACAERO (Faculdade de Ciências Aeronáuticas da Universidade Tuiuti do Paraná.) e a EPA (Escola Paranaense de Aviação) tinham em seu estande um simulador de vôo Elite – empresa que representam oficialmente – como Cessna C-182 e que, segundo seus representantes, reduz o custo do treinamento prático de pilotos de todas categorias pois cada hora de vôo no simulador tem um custo de R$ 45,00 e dez horas voando daquela maneira, sem sair do chão, equivalem a cinco horas de vôo necessárias para a experiência do piloto ou futuro piloto, conforme aprovado pelo Departamento de Aviação Civil em março de 2005. O simulador pode ser adaptado para diversos modelos de aeronaves como Cessna 172, Piper Archer III, Mooney M20J, Bonanza A36, Piper Seneca e outras.

Mas um destaque, a alguns metros dali, era o simulador de um Boeing 737NG trazido pela BR Simulations. Segundo o representante, o cliente pode comprar apenas partes do mesmo, como o manche ou as manetes, ou ter todo o painel e comandos para comandante, neste caso pagando R$ 50 mil. Por pouco mais o cliente leva ainda o painel de co-piloto e o overhead. Faltava pouco para ser um simulador profissional como o de movimento em três eixos utilizados pelas companhias aéreas em no treinamento de suas tripulações.

A Expo Aero Brasil atingiu um alto nível de organização, embora ainda necessite de ajustes em relação aos banheiros e alimentação e na distribuição das apresentações e narração das mesmas. O que, sem dúvida, precisa partir também das empresas que apoiam o evento.