LAAD 2005
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan

    A quinta edição da LAD, agora rebatizada como LAAD - Latin America Aero & Defence, realizada a cada dois anos no Rio de Janeiro apresentou uma nova realidade, pois agora o evento também foi destinado ao setor de aviação civil além de ter sido realizado simultaneamente à Helitech - Feira Latino Americana de Helicópteros. Entretanto, a aviação civil praticamente não foi abordada durante os quatro dias da LAAD e mesmo assim o que marcou a edição 2005 foi o nível de profissionalismo, muito superior as demais edições, apesar de grande parte das palestras terem sido canceladas sob a alegação de falta de público especializado.

Organizada pela Reed Exhibitions Brasil, a maior promotora de feiras de negócios da atualidade, a LAAD/Helitech 2005 ampliou seu foco, reunindo em um mesmo ambiente inúmeras empresas de diversos setores, passando desde empresas fornecedoras de serviços, armas não-letais, detectores de armas químicas e nucleares, até a presença de empresas como a Agusta/Westland que exibia desde helicópteros militares de última geração até o helicóptero executivo Agusta A109 Power.

A Reed Exhibitions também trouxe para a LAAD o Airline Business Club um novo conceito que promete aproximar expositores de altos executivos da aviação, trata-se de uma iniciativa que oferece desde serviços como um “lounge” exclusivo e conferências sobre o setor aéreo comercial até a organização de encontros entre expositores, clientes e imprensa especializada.

O serviço conta com o apoio da IATA - Associação Internacional de Transporte Aéreo e da AITAL - Associação Internacional de Transporte Aéreo Latino-Americano, o que demonstra o caráter global da feira pois esta abrange praticamente todos os setores da aviação. “A LAAD 2005, fundamentada em uma marca conhecida e respeitada globalmente, tem um extremo significado para corporações que atuam nos campos de defesa e aeroespacial, bem como empresas de consultoria e prestadoras de serviço que têm como público-alvo as Forças Armadas, de Segurança e Aviação Comercial. A LAAD quer proporcionar ao expositor um local ideal para fazer contatos e negócios. Nesse sentido, a feira, nesta edição, conta também com instalações independentes para conferências, salas privadas para reuniões de negócios com atendimento VIP, áreas específicas para equipamentos portuários, entre outras facilidades” completa o diretor-geral da LAAD e da Reed Exhibitions Brasil, Juan Pablo De Vera.

A abertura da LAAD e HELITEC, no Rio Centro, contou com a presença do Vice-Presidente e Ministro da Defesa José Alencar, da governadora do estado do Rio de Janeiro Rosinha Matheus e de autoridades das forças armadas de diversos paises.

O Ministro da Defesa, ao lado dos comandantes das três Forças, destacou durante seu discurso a importância da LAAD para o setor e falou da necessidade do fortalecimento da política de defesa brasileira. De acordo com Ministro, o Brasil já esteve entre os principais exportadores de materiais de defesa, chegando a exportar mais de dois bilhões de dólares por ano, mas devido às inúmeras crises que assolaram o setor nos últimos 15 anos, hoje, o Brasil exporta menos de 400 milhões de dólares por ano. Para fortalecer a industria nacional, o governo brasileiro estuda a possibilidade da formação de parcerias com empresas estrangeiras.

A LAAD 2005 levantou inúmeras questões com relação ao futuro da defesa na região, mas na maioria dos casos foram perguntas sem respostas. Devido principalmente as incertezas econômicas e até mesmo políticas que atingem a maior parte dos países da América Latina. As principais questões eram qual o futuro da defesa na região e quais seriam as melhores aquisições para países com escassos recursos destinados à defesa.

Os constantes cortes orçamentários que vêm atingindo as principais Forças Armadas do mundo requerem um novo planejamento com relação à redução do contingente, investimentos em novos equipamentos e criação de novas doutrinas. Tendo sido este um dos assuntos discutidos no II Simpósio Internacional de Logística Militar que foi realizado durante o evento.

O Brasil é um dos inúmeros países que sofrem com a redução orçamentária destinada as Forças Armadas, chegando a ponto de levar o país, atualmente, a importar equipamentos de segunda mão para equipar suas Forças Armadas. Visando mudar este panorama, o Governo Federal lançou a Política Nacional para a Indústria de Defesa (PNID), cujo objetivo é justamente promover a expansão e desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID) nacional. Estão previstos aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos para a PNID, sendo que parte do programa é com relação ao fortalecimento da capacidade exportadora de materiais de defesa brasileira, assim como o incentivo às atividades de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de defesa.

Força Aérea Brasileira nos últimos anos vem atravessando uma grave crise orçamentária, com constantes cortes no orçamento e, além disso, passa por uma fase de defasagem quase que completa de sua frota. Desde a década passada a FAB vem trabalhando em um processo de renovação da frota, que envolvem inúmeros programas de reaparelhamento sendo que o mais comentado foi o programa F-X, cancelado em dezembro de 2004, que busca um novo avião de combate para substituir os veterano Mirage IIIIEBR, pois deverão ser aposentados em dezembro deste ano.

Apesar do cancelamento do programa F-X, a FAB ainda busca um novo avião para prover a defesa do Distrito Federal, que talvez seja o avião padrão da Força no futuro.
Apesar de hoje não estar claro qual será o avião adotado e muito menos qual a política será adotada pelo Governo Brasileiro com relação à compra de tais aeronaves, os principais concorrentes do extinto programa F-X estiveram presentes na LAAD.

Ainda que sem muita expectativa com relação à escolha do novo avião, a Grippen International apresentou em abril a proposta para o Leasing de doze aeronaves JAS 39 Gripen novas, com opção de compra ao final do contrato. A empresa ainda informou que poderá apresentar formalmente uma proposta para o leasing de aviões usados, com média de cinco anos de uso, com um custo mensal praticamente igual ao oferecido pela concorrência com aeronaves com mais de quinze anos de uso.

Durante a LAAD foi montado um cockpit em tamanho real do JAS 39 onde um piloto demonstrava aos interessados as principais características da aeronave. O Gripen possui um sistema de armamentos totalmente integrado, oferecendo capacidade de defesa aérea multifuncional e as últimas inovações em armamentos.

A empresa aproveitou o evento para promover o primeiro vôo do Sistema Recce Pod instalado no Gripen, que aconteceu em 24 de março. O Recce, é um poderoso sistema pod de reconhecimento desenvolvido pela SaabTech e será incorporado no JAS 39 permitindo a substituição dos atuais aviões de reconhecimento AJSF 37 Viggen da Força Aérea da Suécia. O sistema Recce Pod poderá ser instalado em diversas plataformas de aeronaves e permitem aos operadores uma grande flexibilidade para o ajuste dos sensores às exigências operacionais especificas de reconhecimento aéreo tático.