A francesa Dassault
Aviation que é tida por muitos como a vencedora do programa
de substituição dos Mirage, expôs em seu stand
maquetes do Rafale, dos Mirage IIIEBR e do MIRAGE 2000, sendo
que os dois últimos estavam nas cores da FAB. Durante o
evento especulava-se que o anúncio da assinatura do contrato
para o recebimento de algumas unidades antigas do Mirage 2000C
seria feito no último dia da LAAD.
Apesar de não haver sido feito nenhum anúncio quanto
à compra de novos aviões, os executivos da Dassault
evitavam comentar sobre o andamento das negociações
com o governo brasileiro. Entretanto, uma das propostas oferecidas
pela empresa ao governo brasileiro realmente visa a venda de doze
Mirage 2000C, com aproximadamente 15 anos de uso e que ainda estão
em serviço na Armée de l’Air - Força
Aérea Francesa, sendo que após dez anos o Brasil
poderia optar pela compra dos Rafale.A Dassault ainda negocia
a venda de Rafales novos para a FAB, apesar de que esta é
uma oferta com poucas chances de ser aceita devido ao elevado
valor dessas aeronaves.
Mesmo tendo como foco principal à divulgação
de suas aeronaves de combate, a Dassault aproveitou a LAAD para
oferecer os aviões executivos da família Falcon
a diversos governos da América Latina. Os aviões
Falcon são referência para o setor de jatos corporativos,
tendo obtido uma importante parcela do mercado da qual disputam
e hoje são responsáveis por mais de 60% do faturamento
da Dassault.
A Lockheed-Martin esteve presente na LAAD exibindo parte de seus
produtos, como o C-130J, a versão mais nova do mitológico
Hércules, F-16C/D, que esta sendo oferecido a FAB, além
de apresentar, ainda que discretamente, o EMB-145 ACS, fruto de
uma parceria entre a Lockeed e a Embraer para o desenvolvimento
de uma aeronave de reconhecimento para a U.S. Army's. O novo avião
será produzido na nova unidade da Embraer em Jacksonville
na Flórida, sendo que a empresa norte-americana ficará
encarregada da montagem dos sensores na aeronave.
Durante os dois primeiros dias do evento, os executivos da Lockheed
viam com certa expectativa a visita da secretária de Estado
dos Estados Unidos Condoleezza Rice ao Brasil. Rice aproveitou
a visita ao Brasil para oferecer ao governo brasileiro um pacote
de F-16MLU (versão do F-16 produzida sob-licença
na Holanda) usados, que poderiam futuramente ser substituídos
por novos F-6C/D.
Ainda durante a LAAD o Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro
Bueno, recebeu a visita do embaixador dos EUA John Danilovich
que aproveitou a oportunidade para fazer um lobby em favor do
F-16. Mas apesar das pressões, ao que parece, o F-16 continua
sendo uma opção com poucas chances. O que gerou
um fato curioso, segundo representantes da Holanda na LAAD, o
México se mostrou como um dos interessados em comprar este
lote de F-16 oferecidos ao Brasil.
Não deixa de ser curioso imaginar como será a relação
EUA – México caso este último opte pela compra
de F-16.
A Boeing esteve na LAAD exibindo o CH-47 Chinook que é
o favorito no programa CH-X e busca um helicóptero pesado
para apoio ao programa SIVAM. Apesar do programa CH-X estar parado
há alguns anos, a Boeing continua confiante que o Brasil
optará pela compra do Chinook e segundo o fabricante é
a melhor opção custo/beneficio para o país,
além de ser uma aeronave que provou suas qualidades e confiabilidade
em inúmeros conflitos nos últimos 40 anos. A nova
versão do Chinook realmente impressiona pela alta tecnologia
empregada, o que demonstra as qualidades do projeto que mesmo
após várias décadas continua sendo uma excelente
opção estando apto a receber inúmeras modificações
mantendo a aeronave no estado da arte.
A Boeing também apresentou o 767 Tanker que poderá
ser uma opção para a substituição
dos veteranos KC-137 da FAB. Mas de acordo com a própria
Boeing eles não vêem grandes chances de existir uma
substituição dos KC-137 a curto ou médio
prazo.
Caso o Brasil opte pelos F-16, os EUA poderia oferecer um lote
de KC-135 ao país, o que seria um reforço a nossa
atual frota de quatro KC-137.
A Embraer apenas aproveitou o evento para mostrar e promover seus
aviões, tanto militares quanto corporativos. Mas o destaque
ficou para a linha de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento
(ISR), sendo o governo-lançador deste tipo de aeronaves,
com a compra de oito aviões para o SIVAM, sendo que cinco
são do modelo EMB-145 AEW&C de Alerta Aéreo
Antecipado e três de Sensoriamento Remoto EMB-145RS.
O México também é um dos clientes desta nova
família de aviões Embraer tendo escolhido o modelo
EMB-145 AEW&C e EMB-145MP de Patrulha Marítima. Outro
importante cliente do EMB-145 AEW&C é a Grécia
que em breve estará operando estas aeronaves, sendo o primeiro
país da OTAN a comprar uma aeronave ISR brasileira. Além
da compra de 38 unidades do EMB-145 ISR por parte do governo dos
EUA, no programa ACS liderado pela Lockheed.
A Embraer ainda promoveu o Super Tucano que recentemente entrou
em serviço na FAB (leia matéria) e o executivo Legacy
que vem atraindo o interesse de diversas forças aéreas
ao redor do mundo como uma opção para transporte
de autoridades.
A multinacional européia EADS, um dos maiores grupos aeroespaciais
do mundo, tinha razões de sobra para comemorar durante
a LAAD. A começar pelo primeiro vôo do Airbus A380
ter ocorrido com sucesso no segundo dia do evento e especialmente
pela expectativa que tomava conta de todos os executivos da empresa
com relação à assinatura do contrato entre
o Governo Brasileiro e a CASA, uma das empresas do grupo, para
compra dos aviões CASA C-295 e revitalização
e modernização das aeronaves P-3.
O contrato que foi assinado apenas no último dia da LAAD,
em Brasília, fez com que todos os executivos da EADS demonstrassem
uma enorme satisfação de sair da LAAD com um contrato
de mais de 500 milhões de euros assinado com o Brasil.
A EADS esteve na LAAD representada especialmente pela CASA, Eurocopter/Helibras,
Patria,e Airbus Military Company (AMC). A AMC é responsável
pelo desenvolvimento do avião de transporte A400M, que
deverá substituir os C-130 Hercules nos principais países
da Europa. Apesar de não haver qualquer contato para a
venda de A400M para o Brasil, a EADS não descarta a possibilidade
de oferecer o modelo em breve para FAB, como mais uma opção
para estreitar os laços existentes entre o grupo europeu
e o Brasil.
Além dos C-295 e do programa de modernização
do P-3, a EADS teve uma importante vitória ao conseguir
bater a Boeing na concorrência pela compra do novo avião
presidencial brasileiro. A venda do ACJ representou uma grande
vitória frente a rival norte-americana que há mais
de quatro décadas vinha sendo a empresa de maior atuação
no Brasil.
Ainda visando obter novos contratos no setor de defesa brasileiro,
a finlandesa Patria exibia o veículo blindado AMV 8x8 e
oferecia a possibilidade de produzir o modelo no Brasil em conjunto
com a Imbel.
Com toda a certeza, a EADS está vivendo um grande momento
com relação ao Brasil, pois além de ter obtido
importantes contratos com o Governo, a Airbus, hoje, conta com
uma respeitável presença no Brasil fornecendo com
exclusividade aviões para a TAM que já conta com
a maior frota de aviões do país.
Mesmo sem grandes anúncios, especialmente no setor aeronáutico,
a LAAD 2005 mostrou claramente o futuro da defesa e da aviação
comercial na América Latina, levantando inúmeras
questões que poderão ser futuramente respondidas
e solucionadas.
A realização da LAAD no Brasil mostra claramente
a importância do país frente aos vizinhos da região
e serve ainda como vitrine para a indústria aeroespacial
e de defesa brasileira, que apesar de viver um momento de crise
ainda é uma das mais importantes e tradicionais do mundo.