LAAD 2005
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan

    A francesa Dassault Aviation que é tida por muitos como a vencedora do programa de substituição dos Mirage, expôs em seu stand maquetes do Rafale, dos Mirage IIIEBR e do MIRAGE 2000, sendo que os dois últimos estavam nas cores da FAB. Durante o evento especulava-se que o anúncio da assinatura do contrato para o recebimento de algumas unidades antigas do Mirage 2000C seria feito no último dia da LAAD.

Apesar de não haver sido feito nenhum anúncio quanto à compra de novos aviões, os executivos da Dassault evitavam comentar sobre o andamento das negociações com o governo brasileiro. Entretanto, uma das propostas oferecidas pela empresa ao governo brasileiro realmente visa a venda de doze Mirage 2000C, com aproximadamente 15 anos de uso e que ainda estão em serviço na Armée de l’Air - Força Aérea Francesa, sendo que após dez anos o Brasil poderia optar pela compra dos Rafale.A Dassault ainda negocia a venda de Rafales novos para a FAB, apesar de que esta é uma oferta com poucas chances de ser aceita devido ao elevado valor dessas aeronaves.

Mesmo tendo como foco principal à divulgação de suas aeronaves de combate, a Dassault aproveitou a LAAD para oferecer os aviões executivos da família Falcon a diversos governos da América Latina. Os aviões Falcon são referência para o setor de jatos corporativos, tendo obtido uma importante parcela do mercado da qual disputam e hoje são responsáveis por mais de 60% do faturamento da Dassault.

A Lockheed-Martin esteve presente na LAAD exibindo parte de seus produtos, como o C-130J, a versão mais nova do mitológico Hércules, F-16C/D, que esta sendo oferecido a FAB, além de apresentar, ainda que discretamente, o EMB-145 ACS, fruto de uma parceria entre a Lockeed e a Embraer para o desenvolvimento de uma aeronave de reconhecimento para a U.S. Army's. O novo avião será produzido na nova unidade da Embraer em Jacksonville na Flórida, sendo que a empresa norte-americana ficará encarregada da montagem dos sensores na aeronave.

Durante os dois primeiros dias do evento, os executivos da Lockheed viam com certa expectativa a visita da secretária de Estado dos Estados Unidos Condoleezza Rice ao Brasil. Rice aproveitou a visita ao Brasil para oferecer ao governo brasileiro um pacote de F-16MLU (versão do F-16 produzida sob-licença na Holanda) usados, que poderiam futuramente ser substituídos por novos F-6C/D.
Ainda durante a LAAD o Comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Bueno, recebeu a visita do embaixador dos EUA John Danilovich que aproveitou a oportunidade para fazer um lobby em favor do F-16. Mas apesar das pressões, ao que parece, o F-16 continua sendo uma opção com poucas chances. O que gerou um fato curioso, segundo representantes da Holanda na LAAD, o México se mostrou como um dos interessados em comprar este lote de F-16 oferecidos ao Brasil.
Não deixa de ser curioso imaginar como será a relação EUA – México caso este último opte pela compra de F-16.

A Boeing esteve na LAAD exibindo o CH-47 Chinook que é o favorito no programa CH-X e busca um helicóptero pesado para apoio ao programa SIVAM. Apesar do programa CH-X estar parado há alguns anos, a Boeing continua confiante que o Brasil optará pela compra do Chinook e segundo o fabricante é a melhor opção custo/beneficio para o país, além de ser uma aeronave que provou suas qualidades e confiabilidade em inúmeros conflitos nos últimos 40 anos. A nova versão do Chinook realmente impressiona pela alta tecnologia empregada, o que demonstra as qualidades do projeto que mesmo após várias décadas continua sendo uma excelente opção estando apto a receber inúmeras modificações mantendo a aeronave no estado da arte.

A Boeing também apresentou o 767 Tanker que poderá ser uma opção para a substituição dos veteranos KC-137 da FAB. Mas de acordo com a própria Boeing eles não vêem grandes chances de existir uma substituição dos KC-137 a curto ou médio prazo.
Caso o Brasil opte pelos F-16, os EUA poderia oferecer um lote de KC-135 ao país, o que seria um reforço a nossa atual frota de quatro KC-137.

A Embraer apenas aproveitou o evento para mostrar e promover seus aviões, tanto militares quanto corporativos. Mas o destaque ficou para a linha de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR), sendo o governo-lançador deste tipo de aeronaves, com a compra de oito aviões para o SIVAM, sendo que cinco são do modelo EMB-145 AEW&C de Alerta Aéreo Antecipado e três de Sensoriamento Remoto EMB-145RS.
O México também é um dos clientes desta nova família de aviões Embraer tendo escolhido o modelo EMB-145 AEW&C e EMB-145MP de Patrulha Marítima. Outro importante cliente do EMB-145 AEW&C é a Grécia que em breve estará operando estas aeronaves, sendo o primeiro país da OTAN a comprar uma aeronave ISR brasileira. Além da compra de 38 unidades do EMB-145 ISR por parte do governo dos EUA, no programa ACS liderado pela Lockheed.

A Embraer ainda promoveu o Super Tucano que recentemente entrou em serviço na FAB (leia matéria) e o executivo Legacy que vem atraindo o interesse de diversas forças aéreas ao redor do mundo como uma opção para transporte de autoridades.

A multinacional européia EADS, um dos maiores grupos aeroespaciais do mundo, tinha razões de sobra para comemorar durante a LAAD. A começar pelo primeiro vôo do Airbus A380 ter ocorrido com sucesso no segundo dia do evento e especialmente pela expectativa que tomava conta de todos os executivos da empresa com relação à assinatura do contrato entre o Governo Brasileiro e a CASA, uma das empresas do grupo, para compra dos aviões CASA C-295 e revitalização e modernização das aeronaves P-3.
O contrato que foi assinado apenas no último dia da LAAD, em Brasília, fez com que todos os executivos da EADS demonstrassem uma enorme satisfação de sair da LAAD com um contrato de mais de 500 milhões de euros assinado com o Brasil.

A EADS esteve na LAAD representada especialmente pela CASA, Eurocopter/Helibras, Patria,e Airbus Military Company (AMC). A AMC é responsável pelo desenvolvimento do avião de transporte A400M, que deverá substituir os C-130 Hercules nos principais países da Europa. Apesar de não haver qualquer contato para a venda de A400M para o Brasil, a EADS não descarta a possibilidade de oferecer o modelo em breve para FAB, como mais uma opção para estreitar os laços existentes entre o grupo europeu e o Brasil.

Além dos C-295 e do programa de modernização do P-3, a EADS teve uma importante vitória ao conseguir bater a Boeing na concorrência pela compra do novo avião presidencial brasileiro. A venda do ACJ representou uma grande vitória frente a rival norte-americana que há mais de quatro décadas vinha sendo a empresa de maior atuação no Brasil.

Ainda visando obter novos contratos no setor de defesa brasileiro, a finlandesa Patria exibia o veículo blindado AMV 8x8 e oferecia a possibilidade de produzir o modelo no Brasil em conjunto com a Imbel.
Com toda a certeza, a EADS está vivendo um grande momento com relação ao Brasil, pois além de ter obtido importantes contratos com o Governo, a Airbus, hoje, conta com uma respeitável presença no Brasil fornecendo com exclusividade aviões para a TAM que já conta com a maior frota de aviões do país.

Mesmo sem grandes anúncios, especialmente no setor aeronáutico, a LAAD 2005 mostrou claramente o futuro da defesa e da aviação comercial na América Latina, levantando inúmeras questões que poderão ser futuramente respondidas e solucionadas.

A realização da LAAD no Brasil mostra claramente a importância do país frente aos vizinhos da região e serve ainda como vitrine para a indústria aeroespacial e de defesa brasileira, que apesar de viver um momento de crise ainda é uma das mais importantes e tradicionais do mundo.