46º Farnborough Air Show
Atualizado em: 14 de julho

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46º Farnborough Air Show

A edição 2008 do tradicional Farnborough Air Show, começou com o piloto inglês Lewis Hamilton, da Fórmula 1, disputando uma corrida inédita em sua carreira, ao disputar a liderança com um Learjet 60XR.Pilotando sua McLaren, Hamilton venceu o avião em aproximadamente 200 metros. Ainda que seja uma disputa sem muito sentido, afinal, o ambiente do avião não é a pista do aeroporto, a disputa foi um dos pontos altos do evento.

Conforme esperado, a 46ª edição, que se comemora o 60 aniversário do salão, não trouxe grandes novidades para o mercado, assim como o número de negócios não chega ser surpreendente. A razão é bastante simples, com a globalização, desde o final da década de 1990, inúmeros eventos similares começaram a surgir ao redor do mundo. Sendo que nos anos pares, quando ocorre o Farnborough Air Show, também ocorrem o Singapore Airshow, em janeiro, e o Berlim Air Show, em maio. Criando uma situação bastante critica para um dos mais tradicionais eventos aeronáuticos do mundo, visto que, para os expositores, que ano-a-no vem reduzindo os gastos com eventos, torna-se extremamente oneroso participar de dois eventos idênticos com menos de três meses de intervalo entre si.
Este ano, a crise com a alta dos combustíveis e a desvalorização do dólar no mercado internacional, reduziu o interesse das grandes empresas aéreas em expandir ou renovar a frota. Mesmo que neste último caso, seja justificado o investimento visando reduzir os gastos gerados com combustível por aviões de gerações anteriores.

airbus
A Airbus, trouxe este ano apenas dois aviões, um A330 da Kingfisher Airlines e o A380 (MSN004), que recentemente realizou um vôo utilizando gás como fonte de energia para um dos motores Rolls-Royce Trent 900. O avião traz uma pintura alusiva ao fato de ser “ecologicamente correto”, com a inscrição: "A better environment inside & out", pintada no estabilizador vertical. Grande parte da campanha da Airbus para o avião se baseia no fato do avião consumir menos combustível por quilometro voado e passageiro transportado. O que é bem visto nestes tempos em que preservar o meio ambiente é destaque na imprensa mundial.

Logo no inicio do evento, a Airbus anunciou seus resultados do primeiro semestre deste ano, quando recebeu 525 pedidos, com 487 encomendas liquidas, número 52% menor do que o registrado no ano passado.
Foram fechados nos primeiros seis meses do ano, 335 acordos de compra para a família A320, 105 aviões da família A330, 82 contratos para o A350 XWB e três novos pedidos para o A380.

O primeiro anuncio da Airbus foi realizado em conjunto com a Saudi Arabian Airlines, que fechou um contrato firma para oito A330-300, num contrato estimado em US$ 1.6 bilhões, baseado nos preços de tabela. A Airbus destacou que o pedido da Saudi Arabian acontece após a empresa ter adquirido vinte e dois A320 em 2007.

O presidente da Saudi Arabian, Khalid al-Molhem, destacou: “O A330 se encaixa perfeitamente nos nossos planos de renovação de frota, já que combina rentabilidade operacional e conforto, permitindo a empresa atender a demanda crescente de passageiros", disse.

Em seguida, a Airbus anunciou a assinatura de um acordo com a Etihad Airways, para a venda de 55 aviões, sendo vinte A320, vinte e cinco A350 XWB e dez A380, num contrato estimado em US$ 11,6 bilhões. "Foram duras negociações e agora podemos dizer missão cumprida”, declarou o diretor da Airbus, Thomas Enders, ao saber que pouco antes a Etihad, também havia fechado um contrato com a Boeing.

boeing

O contrato assinado com a Boeing inclui uma encomenda firme para quarenta e cinco 787 Dreamliner e dez 777-300ER. A encomenda era atribuída a um cliente não-identificado na página de Compras & Entregas do website da Boeing e de acordo com a tabela do fabricante, o pedido é avaliado em US$ 9,4 bilhões.

“O tamanho da nossa compra reflete a proeminência do crescimento do Oriente Médio, bem como sua definição como sendo um dos pontos focais para a aviação global, oferecendo as mais rápidas conexões para passageiros e operadores de carga” disse James Hogan, CEO da Etihad Airways. “O grupo Etihad deverá registrar lucro em 2010, apesar de estar sofrendo a alta no preço do petróleo, como outras companhias”, conclui Hogan, ao ser questionado sobre o desempenho econômico da empresa.
Antes de noticiar a encomenda da Etihad, a Boeing foi responsável por inaugurar a rodada dos grandes anúncios, ao fechar um contrato firme para cinqüenta 737-800 junto a FlyDubai. A empresa de baixo custo de Dubai, lançada recentemente, assegurou o direito de substituir a compra total ou parcialmente por 737-900ER, caso seja de seu interesse. O pedido atual tem valor estimado em US$ 3,74 bilhões.

Desde que foi formada em março deste ano, a FlyDubai, tem construído um modelo de negócio baseado na operação de vôos flexíveis e com alto grau de interatividade com seus clientes, dando a estes um alto nível de controle e composição em seu serviço de vôo. As operações da linha aérea de baixo custo serão totalmente separadas da Emirates Airline, grupo que a controla.
“A FlyDubai dará o primeiro passo para estabelecer um novo padrão para passageiros que buscam destinos turísticos nos Estados do Golfo e países vizinhos, enquanto traz conectividade à diversas partes do globo”, disse o sheik Ahmed bin Saeed Al-Maktoum, chairman da FlyDubai.

A Boeing ainda comentou sobre o andamento do programa Dreamliner, que está 14 meses atrasado em relação ao cronograma inicial. Segundo Scott Carson, presidente-executivo da unidade de aviões comerciais, o avião deverá realizar seu primeiro vôo no final do quarto trimestre conforme já anunciado, sendo que a primeira entrega deve ocorrer apenas no terceiro trimestre de 2009. Ao ser questionado sobre a crise relacionada à alta do preço do petróleo, Carson afirmou que apesar das empresas estarem enfrentando com dificuldades devido o preço dos combustíveis, a Boeing não teve nenhum 787 cancelado, somente houve alguns adiamentos de pedidos para as entregas, o que ocorreu inclusive com outros modelos da empresa. Porém, não comentou as perspectivas de cancelamentos para o próximo ano, nem mesmo as previsões da própria indústria. Ainda assim, reconheceu que a crise de crédito, ocasionada especialmente devido à desvalorização do dólar, pode ser um entrave para novos contratos. Sendo que a empresa já trabalha para atuar mais diretamente no financiamento de futuras encomendas.

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A Bombardier Aerospace, uma das principais industrias aeronáuticas do mundo, principalmente no segmento executivo, que desde o inicio da década vem perdendo participação no mercado de aviação regional, anunciou no domingo (13), o lançamento da família CSeries. Os novos aviões eram aguardados no mercado há vários anos, porém, por uma série de problemas internos, a Bombardier postergou por quase uma década o lançamento dos mesmos, que chegam ao mercado quase seis anos depois da família E-Jet, da EMBRAER.

A expectativa da Bombardier é que o novo avião realize o primeiro vôo em meados de 2013. Um dos destaques do modelo, de acordo com o fabricante, está no fato de ser menos poluente e mais econômico que os atuais aviões existentes no mercado. A propaganda da Bombardier, assim como da maioria dos fabricantes esta focada agora especialmente no fato de produzir “aviões verdes”, que caem muito bem para os departamentos de comunicação e publicidade das empresas aéreas.
Todavia, a Bombardier passará a disputar mercado não apenas com a EMBRAER, na faixa dos 100 a 108 assentos, mas, sobretudo com as gigantes Airbus e Boeing, visto que o CSéries terá capacidade entre 100 e 149 lugares.

É uma aposta de alto risco, considerando que as famílias A320 e 737 abrangem justamente esta faixa do mercado, podendo chegar a quase 200 assentos dependendo da versão. Entrar num mercado dominado pelas duas principais fabricantes do mundo é arriscado, porém, muito bem visto por empresas aéreas, que poderão contar novamente com uma terceira opção. Os aviões tem valor estimado de acordo com a própria Bombardier, de US$ 46,7 milhões.

“Graças a novos motores e materiais, o CSerie emitirão 20% a menos de gás carbônico, economizarão até 20% de combustível e reduzirão em 15% os custos operacionais, quando comparados com aparelhos de tamanho similar", disse o presidente da companhia, Pierre Baudouin, durante a coletiva de imprensa. Logo após o anuncio do lançamento do programa, a Bombardier divulgou a assinatura de um MoU (Memorandum of Understanding), junto a Lufhtansa, para 60 aviões, com opção de outros 30.
"É um grande dia para a Bombardier", afirmou Baudouin.

Em nota a Lufthansa afirmou que os aviões serão usados tanto para substituição quanto expansão da frota.
Segundo a maioria dos analistas, atualmente os potenciais clientes para o modelo são a China Southern, Shanghai Airlines, ILFC e Qatar Airways. A Bombardier garantiu que essa família permitirá a empresa ganhar metade do mercado no segmento de 100 a 149 lugares, estimado em 6.300 aparelhos nos próximos 20 anos, o que representa US$ 250 bilhões no período. O CSeries disputará também mercado com o SSJ 100, da Sukhoi.

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A EMBRAER iniciou o primeiro dia com vendas significativas, tendo anunciado a venda de vinte e dois EMBRAER 190 para a Aeroméxico, NIKI Luftfhart e NAS, num volume somado estimado em US$ 825 milhões, de acordo com os preços de tabela.

A austríaca Niki Luftfhart GmbH, firmou um contrato para a compra de cinco aviões, com direitos de compra para outras cinco aviões do modelo, existindo a opção de substituir total ou parcialmente o pedido pelo EMBRAER 195. O valor total do negócio é estimando em US$ 187,5 milhões, podendo dobrar, se todas as opções forem confirmadas. As entregas estão programadas para começar ainda no primeiro semestre de 2009.
A Aeromexico fechou um contrato firme para doze aviões, que serão utilizados pela subsidiária Aeroméxico Connect, e têm valor total de tabela de US$ 450 milhões.

Por fim, a saudita NAS (National Air Services), confirmou as cinco opções que detinha para o EMBRAER 190, do contrato original assinado em novembro de 2007 durante o Dubai Air Show. O valor total do novo acordo, referido a preço de tabela, é de US$ 187,5 milhões, sendo que a empresa possui ainda direitos de compra para mais doze aviões do mesmo modelo. Este negócio já constava na carteira de pedidos firmes do segundo trimestre de 2008 da EMBRAER como “cliente não divulgado”.

Ainda que tenha iniciado o evento com uma carteira de pedidos considerável, o vice-presidente executivo da EMBRAER, Mauro Kern, ressaltou a solidez comercial da empresa, mas, indicou que o setor passa por um momento difícil.

Ainda que menos badalas, as industrias fornecedoras de serviços e produtos ligados aviação, também fecharam importantes contratos neste primeiro dia. A IAE (International Aero Engines), fechou três grandes contratos. O primeiro com a chinesa Hainan Airlines, para fornecimento dos motores dos treze recém encomendados A320 da empresa. Num acordo estimando em US$ 350 milhões. Seguido de um acordo com a Hong Kong Airlines para fornecer dois motores que equiparam o Airbus A319 ACJ (Corporate Jet ). Por fim, foi firmado um contrato de aftermarket com a U.S. Airways, que abrangem 74 motores V2500-A5 que equipam a frota de Airbus A320 da empresa.

A russa VSMPO-Avisma, a maior produtora de titânio do mundo, também assinou um importante acordo para fornecer diversos componentes produzidos em titânio para a Airbus e para as demais empresas do consórcio EADS. O acordo que tem validade até 2020 pode alcançar o valor de US$ 4 bilhões. Atualmente a empresa exporta 70% de sua produção, a maior parte para clientes ligados ao setor aeronáutico.