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46º Farnborough Air Show
A edição 2008 do tradicional Farnborough
Air Show, começou com o piloto inglês Lewis
Hamilton, da Fórmula 1, disputando uma corrida
inédita em sua carreira, ao disputar a liderança
com um Learjet 60XR.Pilotando sua McLaren, Hamilton venceu
o avião em aproximadamente 200 metros. Ainda que
seja uma disputa sem muito sentido, afinal, o ambiente
do avião não é a pista do aeroporto,
a disputa foi um dos pontos altos do evento.
Conforme esperado, a 46ª edição, que
se comemora o 60 aniversário do salão, não
trouxe grandes novidades para o mercado, assim como o
número de negócios não chega ser
surpreendente. A razão é bastante simples,
com a globalização, desde o final da década
de 1990, inúmeros eventos similares começaram
a surgir ao redor do mundo. Sendo que nos anos pares,
quando ocorre o Farnborough Air Show, também ocorrem
o Singapore Airshow, em janeiro, e o Berlim Air Show,
em maio. Criando uma situação bastante critica
para um dos mais tradicionais eventos aeronáuticos
do mundo, visto que, para os expositores, que ano-a-no
vem reduzindo os gastos com eventos, torna-se extremamente
oneroso participar de dois eventos idênticos com
menos de três meses de intervalo entre si.
Este ano, a crise com a alta dos combustíveis e
a desvalorização do dólar no mercado
internacional, reduziu o interesse das grandes empresas
aéreas em expandir ou renovar a frota. Mesmo que
neste último caso, seja justificado o investimento
visando reduzir os gastos gerados com combustível
por aviões de gerações anteriores.
airbus
A Airbus, trouxe este ano apenas dois aviões, um
A330 da Kingfisher Airlines e o A380 (MSN004), que recentemente
realizou um vôo utilizando gás como fonte
de energia para um dos motores Rolls-Royce Trent 900.
O avião traz uma pintura alusiva ao fato de ser
“ecologicamente correto”, com a inscrição:
"A better environment inside & out", pintada
no estabilizador vertical. Grande parte da campanha da
Airbus para o avião se baseia no fato do avião
consumir menos combustível por quilometro voado
e passageiro transportado. O que é bem visto nestes
tempos em que preservar o meio ambiente é destaque
na imprensa mundial.
Logo no inicio do evento, a Airbus anunciou seus resultados
do primeiro semestre deste ano, quando recebeu 525 pedidos,
com 487 encomendas liquidas, número 52% menor do
que o registrado no ano passado.
Foram fechados nos primeiros seis meses do ano, 335 acordos
de compra para a família A320, 105 aviões
da família A330, 82 contratos para o A350 XWB e
três novos pedidos para o A380.
O primeiro anuncio da Airbus foi realizado em conjunto
com a Saudi Arabian Airlines, que fechou um contrato firma
para oito A330-300, num contrato estimado em US$ 1.6 bilhões,
baseado nos preços de tabela. A Airbus destacou
que o pedido da Saudi Arabian acontece após a empresa
ter adquirido vinte e dois A320 em 2007.
O presidente da Saudi Arabian, Khalid al-Molhem, destacou:
“O A330 se encaixa perfeitamente nos nossos planos
de renovação de frota, já que combina
rentabilidade operacional e conforto, permitindo a empresa
atender a demanda crescente de passageiros", disse.
Em seguida, a Airbus anunciou a assinatura de um acordo
com a Etihad Airways, para a venda de 55 aviões,
sendo vinte A320, vinte e cinco A350 XWB e dez A380, num
contrato estimado em US$ 11,6 bilhões. "Foram
duras negociações e agora podemos dizer
missão cumprida”, declarou o diretor da Airbus,
Thomas Enders, ao saber que pouco antes a Etihad, também
havia fechado um contrato com a Boeing.
boeing
O contrato assinado com a Boeing inclui uma encomenda
firme para quarenta e cinco 787 Dreamliner e dez 777-300ER.
A encomenda era atribuída a um cliente não-identificado
na página de Compras & Entregas do website
da Boeing e de acordo com a tabela do fabricante, o pedido
é avaliado em US$ 9,4 bilhões.
“O tamanho da nossa compra reflete a proeminência
do crescimento do Oriente Médio, bem como sua definição
como sendo um dos pontos focais para a aviação
global, oferecendo as mais rápidas conexões
para passageiros e operadores de carga” disse James
Hogan, CEO da Etihad Airways. “O grupo Etihad deverá
registrar lucro em 2010, apesar de estar sofrendo a alta
no preço do petróleo, como outras companhias”,
conclui Hogan, ao ser questionado sobre o desempenho econômico
da empresa.
Antes de noticiar a encomenda da Etihad, a Boeing foi
responsável por inaugurar a rodada dos grandes
anúncios, ao fechar um contrato firme para cinqüenta
737-800 junto a FlyDubai. A empresa de baixo custo de
Dubai, lançada recentemente, assegurou o direito
de substituir a compra total ou parcialmente por 737-900ER,
caso seja de seu interesse. O pedido atual tem valor estimado
em US$ 3,74 bilhões.
Desde que foi formada em março deste ano, a FlyDubai,
tem construído um modelo de negócio baseado
na operação de vôos flexíveis
e com alto grau de interatividade com seus clientes, dando
a estes um alto nível de controle e composição
em seu serviço de vôo. As operações
da linha aérea de baixo custo serão totalmente
separadas da Emirates Airline, grupo que a controla.
“A FlyDubai dará o primeiro passo para estabelecer
um novo padrão para passageiros que buscam destinos
turísticos nos Estados do Golfo e países
vizinhos, enquanto traz conectividade à diversas
partes do globo”, disse o sheik Ahmed bin Saeed
Al-Maktoum, chairman da FlyDubai.
A Boeing ainda comentou sobre o andamento do programa
Dreamliner, que está 14 meses atrasado em relação
ao cronograma inicial. Segundo Scott Carson, presidente-executivo
da unidade de aviões comerciais, o avião
deverá realizar seu primeiro vôo no final
do quarto trimestre conforme já anunciado, sendo
que a primeira entrega deve ocorrer apenas no terceiro
trimestre de 2009. Ao ser questionado sobre a crise relacionada
à alta do preço do petróleo, Carson
afirmou que apesar das empresas estarem enfrentando com
dificuldades devido o preço dos combustíveis,
a Boeing não teve nenhum 787 cancelado, somente
houve alguns adiamentos de pedidos para as entregas, o
que ocorreu inclusive com outros modelos da empresa. Porém,
não comentou as perspectivas de cancelamentos para
o próximo ano, nem mesmo as previsões da
própria indústria. Ainda assim, reconheceu
que a crise de crédito, ocasionada especialmente
devido à desvalorização do dólar,
pode ser um entrave para novos contratos. Sendo que a
empresa já trabalha para atuar mais diretamente
no financiamento de futuras encomendas.
bombardier
A Bombardier Aerospace, uma das principais industrias
aeronáuticas do mundo, principalmente no segmento
executivo, que desde o inicio da década vem perdendo
participação no mercado de aviação
regional, anunciou no domingo (13), o lançamento
da família CSeries. Os novos aviões eram
aguardados no mercado há vários anos, porém,
por uma série de problemas internos, a Bombardier
postergou por quase uma década o lançamento
dos mesmos, que chegam ao mercado quase seis anos depois
da família E-Jet, da EMBRAER.
A expectativa da Bombardier é que o novo avião
realize o primeiro vôo em meados de 2013. Um dos
destaques do modelo, de acordo com o fabricante, está
no fato de ser menos poluente e mais econômico que
os atuais aviões existentes no mercado. A propaganda
da Bombardier, assim como da maioria dos fabricantes esta
focada agora especialmente no fato de produzir “aviões
verdes”, que caem muito bem para os departamentos
de comunicação e publicidade das empresas
aéreas.
Todavia, a Bombardier passará a disputar mercado
não apenas com a EMBRAER, na faixa dos 100 a 108
assentos, mas, sobretudo com as gigantes Airbus e Boeing,
visto que o CSéries terá capacidade entre
100 e 149 lugares.
É uma aposta de alto risco, considerando que as
famílias A320 e 737 abrangem justamente esta faixa
do mercado, podendo chegar a quase 200 assentos dependendo
da versão. Entrar num mercado dominado pelas duas
principais fabricantes do mundo é arriscado, porém,
muito bem visto por empresas aéreas, que poderão
contar novamente com uma terceira opção.
Os aviões tem valor estimado de acordo com a própria
Bombardier, de US$ 46,7 milhões.
“Graças a novos motores e materiais, o CSerie
emitirão 20% a menos de gás carbônico,
economizarão até 20% de combustível
e reduzirão em 15% os custos operacionais, quando
comparados com aparelhos de tamanho similar", disse
o presidente da companhia, Pierre Baudouin, durante a
coletiva de imprensa. Logo após o anuncio do lançamento
do programa, a Bombardier divulgou a assinatura de um
MoU (Memorandum of Understanding), junto a Lufhtansa,
para 60 aviões, com opção de outros
30.
"É um grande dia para a Bombardier",
afirmou Baudouin.
Em nota a Lufthansa afirmou que os aviões serão
usados tanto para substituição quanto expansão
da frota.
Segundo a maioria dos analistas, atualmente os potenciais
clientes para o modelo são a China Southern, Shanghai
Airlines, ILFC e Qatar Airways. A Bombardier garantiu
que essa família permitirá a empresa ganhar
metade do mercado no segmento de 100 a 149 lugares, estimado
em 6.300 aparelhos nos próximos 20 anos, o que
representa US$ 250 bilhões no período. O
CSeries disputará também mercado com o SSJ
100, da Sukhoi.
embraer
A EMBRAER iniciou o primeiro dia com vendas significativas,
tendo anunciado a venda de vinte e dois EMBRAER 190 para
a Aeroméxico, NIKI Luftfhart e NAS, num volume
somado estimado em US$ 825 milhões, de acordo com
os preços de tabela.
A austríaca Niki Luftfhart GmbH, firmou um contrato
para a compra de cinco aviões, com direitos de
compra para outras cinco aviões do modelo, existindo
a opção de substituir total ou parcialmente
o pedido pelo EMBRAER 195. O valor total do negócio
é estimando em US$ 187,5 milhões, podendo
dobrar, se todas as opções forem confirmadas.
As entregas estão programadas para começar
ainda no primeiro semestre de 2009.
A Aeromexico fechou um contrato firme para doze aviões,
que serão utilizados pela subsidiária Aeroméxico
Connect, e têm valor total de tabela de US$ 450
milhões.
Por fim, a saudita NAS (National Air Services), confirmou
as cinco opções que detinha para o EMBRAER
190, do contrato original assinado em novembro de 2007
durante o Dubai Air Show. O valor total do novo acordo,
referido a preço de tabela, é de US$ 187,5
milhões, sendo que a empresa possui ainda direitos
de compra para mais doze aviões do mesmo modelo.
Este negócio já constava na carteira de
pedidos firmes do segundo trimestre de 2008 da EMBRAER
como “cliente não divulgado”.
Ainda que tenha iniciado o evento com uma carteira de
pedidos considerável, o vice-presidente executivo
da EMBRAER, Mauro Kern, ressaltou a solidez comercial
da empresa, mas, indicou que o setor passa por um momento
difícil.
Ainda que menos badalas, as industrias fornecedoras de
serviços e produtos ligados aviação,
também fecharam importantes contratos neste primeiro
dia. A IAE (International Aero Engines), fechou três
grandes contratos. O primeiro com a chinesa Hainan Airlines,
para fornecimento dos motores dos treze recém encomendados
A320 da empresa. Num acordo estimando em US$ 350 milhões.
Seguido de um acordo com a Hong Kong Airlines para fornecer
dois motores que equiparam o Airbus A319 ACJ (Corporate
Jet ). Por fim, foi firmado um contrato de aftermarket
com a U.S. Airways, que abrangem 74 motores V2500-A5 que
equipam a frota de Airbus A320 da empresa.
A russa VSMPO-Avisma, a maior produtora de titânio
do mundo, também assinou um importante acordo para
fornecer diversos componentes produzidos em titânio
para a Airbus e para as demais empresas do consórcio
EADS. O acordo que tem validade até 2020 pode alcançar
o valor de US$ 4 bilhões. Atualmente a empresa
exporta 70% de sua produção, a maior parte
para clientes ligados ao setor aeronáutico.