O Red Bull Air Race surgiu em 2001 quando o departamento de marketing
da Red Bull decidiu criar um novo evento esportivo que combinasse
aviões e corridas aéreas. Apesar da idéia
existir a várias décadas, sendo o RENO Air Race
um dos mais conhecidos, a gigante das bebidas energéticas
buscava um evento mais emocionante, como um verdadeiro campeonato.
Já famosa pela criação de diversos novos
eventos esportivos, a Red Bull convidou o consagrado piloto húngaro
Peter Besenyei, bicampeão mundial de acrobacias aéreas,
para juntos criarem um novo evento.
O objetivo era desenvolver uma corrida de aviões que desafiasse
a habilidade dos melhores pilotos do mundo, com grande competitividade,
criando um evento que não fosse apenas um espetáculo
de velocidade, mas também de precisão e técnica.
Sendo estas duas últimas características o ponto
forte da Red Bull Air Race (RBAR).
Após dois anos de desenvolvimento, chegou-se ao formato
final, onde cada piloto disputaria o melhor tempo, percorrendo
um circuito delimitado.
Por razões de segurança cada piloto realizaria o
percurso sozinho, realizando uma série de baterias, num
formato similar ao adotado nas competições de Rally.
A primeira prova foi realizada em Zeltweg, na Áustria,
em 2003, quando seis pilotos competiram num circuito, onde deveriam
passar por portais formados por grandes “pilões”
infláveis, sendo que em cada um deveriam cumprir uma determinada
manobra.
O sucesso foi tão grande que uma nova corrida foi realizada
na Hungria, surgindo um dos mais espetaculares eventos esportivos
já realizados, a corrida aérea.
Em 2004 foram realizados três corridas que devido ao sucesso
absoluto levaram ao surgimento do atual Red Bull Air Race World
Series.
A primeira temporada mundial da competição ocorreu
em 2005 com sete etapas ao redor do mundo, contando com dez pilotos
de renome internacional fazendo parte do evento. Em 2006 o número
de participantes subiu para onze e naquele ano o piloto americano
Kirby Chambliss se sagrou campeão da temporada na última
corrida do ano em Perth, Austrália.
Em 2007, três novos pilotos se juntaram aos onze totalizando
em quatorze o número total de competidores da temporada
desse ano.
A competição
A corrida só pode ocorrer caso haja a participação
de no mínimo oito dos dezesseis pilotos participantes.
Estes pilotos devem percorrer um circuito que em média
possui 1,4km, demarcado por diversos Gates (pilões infláveis).
Eles devem passar entre os Gates seguindo um trajeto e uma ordem
predeterminadas, cruzando horizontalmente os pilões marcado
em azul e em vôo de faca nos pilões marcados em vermelho.
Ainda existem os pilões conhecidos por “chincanes”
que são os distribuídos individualmente, onde os
pilotos devem voar em “zigue-zague”.
A competição é formada pelas seguintes etapas:
Treino: Os pilotos realizam a seção
de treinos dois dias antes da corrida e o tempo obtido por cada
um deles definirá a ordem que cada um irá sair para
a etapa Classificatória.
Classificatórias: Ocorre
no dia anterior a corrida, onde cada competidor tem duas baterias
independentes, sendo que o melhor tempo obtido será o considerado.
Os doze melhores avançam para a etapa eliminatória.
Eliminatórias: Acontece
no dia da corrida e cada piloto tem direito a apenas uma bateria.
Os oito melhores se classificam para a final.
Corrida Final: Os oito pilotos
classificados nas eliminatórias voam contra os mais rápidos
em sistema knockout. Ou seja, na primeira bateria voa o oitavo
contra o primeiro, na segunda bateria competem o sétimo
contra o segundo, e assim por diante. O mais veloz de cada bateria
avança para a semifinal. Novamente em sistema knockout
a semifinal define quem ira disputar a final e o terceiro lugar.
A pontuação é assim distribuída: O
primeiro lugar recebe seis pontos, o segundo cinco, até
o sexto lugar que recebe apenas um ponto. No final do campeonato
o piloto que tiver a maior soma de pontos é considerado
vencedor da temporada do Red Bull Air Race World Team.
Air Gates
Os Gates são formados por pilões infláveis
de vinte metros de altura cada, dispostos paralelamente em pares
ou individualmente em linha. Quando dispostos paralelamente a
distancia entre cada um é de doze metros quando marcados
na cor azul ou dez metros quando em vermelho. No caso dos Gates
vermelhos eles são montados em dois pares, formando um
quadrado. É interesse citar que a envergadura dos aviões
é de oito metros em média, deixando pouco espaço
para erros durantes as passagens nos Gates.
Os pilões são construídos utilizando o mesmo
material usado nas velas de barcos, que são costuradas
em nove partes, que são facilmente destruídas no
caso do toque do avião. Não representando nenhum
risco a aeronave ou piloto em caso de colisão. Para manter
o pilão estável mesmo com fortes ventos o nível
de pressão interno é relativamente alto, sendo que
no toque o pilão literalmente explode, produzindo um grande
estrondo.
Em caso de toque e subseqüente destruição do
gate, a equipe técnica necessita de apenas três minutos
para montar outro pilão e dar prosseguimento à corrida.
As regras
As regras por incrível que pareça são bastante
simples e claras. Caso o piloto não passe pelo Gate como
especificado ou não conseguir realizar uma manobra ele
recebe segundos extras que serão somados ao seu tempo final.
Uma penalidade de três segundos é aplicada quando
o piloto passa muito alto pelos Gates; realiza uma curva ou retorno
incorretamente; realiza uma passagem vertical ou horizontal incorretamente;
realiza um vôo vertical para o lado errado, isso é,
quando o piloto inclina o avião para a esquerda quando
deveria tê-lo virado para a direita, e vice-versa.
A penalidade mais temida pelos pilotos é tocar em um dos
Gates, quando recebe dez segundos por cada pilão que tocou.
O piloto pode ser desqualificado por voar perigosamente ou não
percorrer corretamente o circuito. É considerada pilotagem
perigosa manobras que excedam o limite máximo de força
G, excesso de velocidade, vôo à baixa altitude ou
sobrevoar o público.
Os Pilotos
Kirby Chambliss, americano. Nascido
em Corpus Christi, Texas, em 18 de Outubro de 1959. É o
atual campeão da Red Bull Air Race World Series e por isso
sua aeronave porta o número 1. Fora do circuito da Red
Bull, Kirby é piloto comercial e de acrobacias. Sua aeronave
de preferência é o Zivko Edge 540, ele faz parte
da equipe Red Bull.
Peter Besenyei, húngaro,
nascido em Körmend em 8 de junho de 1956. É um dos
idealizadores da Red Bull Air Race. Fora das corridas Peter é
piloto de testes e de acrobacias. Sua aeronave é o Zivko
Edge 540 de número 2 da equipe Red Bull.
Mike Mangold, nasceu em Cincinnati,
Ohio em 10 de outubro de 1955. Foi o campeão da temporada
2005 e terminou em terceiro lugar na temporada de 2006. Fora do
circuito, Mike é piloto comercial e de acrobacias. Uma
curiosidade sobre o piloto é que ele se formou na renomada
Fighter Weapons School da Força Aérea dos EUA conhecida
também como “Escola dos Top Guns”. Ele voa
o Zivko Edge de número 3 e faz parte da equipe Cobra.
Hannes Arch, austríaco,
nascido em Leoben, Áustria em 22 de setembro de 1967 é
um dos novatos no circuito. Ele, junto com Mike Mangold, faz parte
da equipe Cobra e voa o Zivko Edge de número 28.
Klaus Schrodt, alemão, nascido
em Dieburg em 14 de setembro de 1946 é o piloto mais velho
dentre os participantes da temporada. Sua aeronave é o
Extra 300S de número 7. Fora do circuito, Klaus piloto
de jatos executivos e iatista experiente.
Frank Versteegh, holandês,
nascido em Oosterbeek em 19 de setembro de 1954 compõe
junto com Klaus Schrodt a equipe Lobo. Sua aeronave é o
Zivko Edge 540 de número 69. Quando não está
voando a Red Bull Air Race, Frank é instrutor de vôo.
Nigel Lamb, inglês, nascido
no Zimbábue em 17 de agosto de 1957 voa o MXR2 de número
10 e junto com Glen Dell compõem a equipe Breitling. Além
de competir na Red Bull Air Race, Lamb é dublê de
cinema em cenas que envolvem pilotagem perigosa.
Glen Dell, sul-africano nascido
em Joanesburgo em 9 de Abril de 1962 faz parte da equipe Breitling
junto com Nigel Lamb. Dell não competiu no Rio e deve se
juntar ao circuito em Barcelona. Sua aeronave será um Super
Slick ou um Extra 300S e seja qual for sua escolha a aeronave
terá o número 45. Assim como Hannes Arch e Segey
Rakhmanin é a primeira temporada de Dell na Red Bull Air
Race. Fora do circuito, Dell é piloto comercial e instrutor
de vôo.
Sergey Rakhmanin, russo, nascido
em Karx-Marx-Stadt (atual Chemnitz), na Alemanha estréia
no circuito esse ano. Foi campeão mundial de acrobacias
da FAI em 2005 e em 2007 inicia sua busca pelo título que
lhe falta: o da Red Bull Air Race World Series. Sua aeronave é
o Zivko Edge 540 de número 18. Além de voar na Red
Bull Air Race, Rakhmanin é instrutor de vôo.
Michael Goulian, americano, nasido
em Winthrop Massachusetts em 4 de setembro de 1968 integra a equipe
Dragon Racing junto com Sergey Rakhmanin. Assim como Glenn Dell,
Goulian não competiu na etapa carioca da temporada e espera-se
que ele volte ao circuito na etapa seguinte: Monument Valley.
Fora da competição, Goulian é piloto de demonstração.
Sua aeronave é o Zivko Edge de número 99.
Steve Jones, inglês nascido
em 5 de janeiro de 1960 em Hereford é o piloto do Zivko
Edge 540 número 19. Integra junto com Paul Bonhomme a equipe
Matador. Além de piloto na Red Bull Air Race World Series,
Jones é piloto comercial.
Paul Bonhomme, inglês, nascido
em Taplow em 22 de setembro de 1964 compõe com Steve Jones
a equipe Matador. Sua aeroname é o Zivko Edge 540 de número
55. Assim como seu companheiro de equipe, Bonhomme, fora das corridas
é piloto comercial.
Nicolas Ivanoff, francês,
nascido em Ajaccio em 4 de julho de 1967 está no comando
do Mudry CAP 232 de número 27. Juntamente com Alejandro
Maclean forma a equipe MRT. Fora do circuito Ivanoff é
instrutor de vôo.
Alejandro Maclean, espanhol, nascido
em Madrid em 6 de agosto de 1969 é o piloto mais jovem
voando na Red Bull Air Race World Series. Sua aeronave é
o Zivko Edge 540 de número 36. Fora das competições,
Maclean é produtor de televisão e instrutor de vôo
acrobático.
Etapa Rio
Após muita expectativa durante o final de 2006, finalmente
foi confirmado que o Brasil receberia o Red Bull Air Race World
Series. O local escolhido não poderia ser melhor, a praia
de Botafogo, com o belíssimo Pão de Açúcar
como pano de fundo.
A organização do evento busca sempre locais que
possam ser facilmente reconhecidos pelo público ao redor
do mundo. Justamente por isso a escolha recaiu sobre Botafogo,
visto que o Pão de Açúcar, assim como o à
estátua do Cristo Redentor são os mais famosos pontos
turísticos do Brasil.
A chegada dos equipamentos utilizado no Air Race ao Rio de Janeiro
na semana anterior ao evento deu uma amostra da grandiosidade
e complexidade acerca do que estava por vir. Foram necessários
quatro Boeing 747-400F para trazer todos os equipamentos, incluindo
os aviões e dois helicópteros utilizados para a
transmissão das imagens ao vivo.
É impossível ficar indiferente a gigantesca estrutura
montada para a organização de cada etapa, a Red
Bull traz absolutamente tudo que é necessário para
realizar o evento. A comparação imediata feita por
todos os jornalistas presentes era que o Air Race está
num nível igual ou mesmo superior ao da Fórmula
1.
Além da estrutura montada para receber as equipes, que
inclui desde hangares com oficinas completas, o Air Race conta
com torre de controle própria, centro de televisão,
e uma gigantesca rede de transmissão de imagens que são
enviadas em tempo real para telões de altíssima
definição montados na praia e para emissoras de
tv ao redor do mundo.
Algo que chamou atenção de todos foi a qualidade
excepcional dos telões utilizados, que mesmo com incidência
direta do sol carioca não perdeu a nitidez.
O Air Race ainda conta com equipe própria de televisão
que além de editar e transmitir as imagens, também
realiza a cobertura da corrida, com jornalistas espalhados ao
redor da praia. A transmissão oficial tem um formato similar
à da Nascar e Formula Mundial, com narração
sendo feita com emoção e colocando as equipes de
apoio, como controlador de vôo, como parte fundamental do
circo. Cada movimento é importante para gerar um clima
ainda maior de emoção e mesmo seriedade ao campeonato.
Durante a fase de treinos, o carioca pode ter uma breve noção
do que viria no sábado. Os aviões passando baixo
sobre a orla carioca e realizando manobras impressionantes, que
chamavam atenção até mesmo dos pilotos mais
experientes, ajudou a divulgar a corrida.
Na tarde de sexta feira durante a etapa classificatória
centenas de pessoas se aglomeravam na praia para assistir ao show
aéreo. Sim, show aéreo. O campeonato pode ser visto
como um show aéreo de altíssimo nível, onde
pilotos demonstram toda sua habilidade e domínio da maquina
em circuitos desafiantes.
A sexta-feira mostrou que a corrida de sábado seria acirrada,
onde o piloto britânico Paul Bonhomme, derrotou o húngaro
Peter Besenyei, por 0.31 de segundo mais rápido, totalizando
o tempo de 01min34s05, atingindo a velocidade máxima de
368.5 km/h!
A terceira posição ficou com o piloto britânico
Steve Jones, com +0.83 segundos a mais que o melhor tempo e o
quarto lugar com o piloto ianque Mike Mangold com +1.17 segundos.
O campeão do campeonato 2006, o ianque Kirby Chambliss,
ficou com a quinta posição tendo um tempo de +1.55
segundos.
Infelizmente o dia no sábado não estava do mais
bonitos, uma densa camada de nuvens tomava conta do Rio de Janeiro
e tornava o dia cinza. Nem assim o carioca desanimou de ir assistir
de perto as emoções do Air Race. Às nove
horas da manhã já havia um grande congestionamento
desde o Aeroporto Santos-Dumont. O Metrô encontrava-se praticamente
impossível de ser utilizado em ambas as linhas, tamanho
o número de usuários desde as oito horas. De acordo
com o próprio Metrô, o número de usuários
foi similar ao encontrado no dia 31 de dezembro, quando milhares
de pessoas se dirigem às praias de Copacabana. O que foi
considerado um problema sério, visto que o Metrô
não previa um grande fluxo de usuários e manteve
a operação padrão dos sábados.
Enquanto nossa equipe se dirigia à área dedicada
à imprensa, pouco após as nove horas, observávamos
o grande fluxo de pessoas que se dirigiam a pé até
a praia de Botafogo que já estava com trânsito interditado.
De acordo com a Polícia Militar, neste horário já
haviam mais de 200 mil pessoas nos arredores de Botafogo. Os prédios
próximos, já estavam com centenas de pessoas nas
janelas, sacadas e mesmo telhado! O Botafogo Praia Shopping, famoso
por seu terraço que permite uma belíssima visão
da orla de Botafogo, foi o primeiro lugar procurado pelos espectadores,
que logo perceberam ser impossível sequer entrar no shopping.
Era possível ter uma idéia parcial do que estava
por vir.
A abertura da Etapa Rio de Janeiro foi realizada pelo salto de
pára-quedistas do Exército Brasileiro, que realizaram
um bonito balé aéreo, dando início as emoções
do Air Race.
Para dar noção ao público presente de como
seria realizado o circuito, um helicóptero da Red Bull
realizou todo o trajeto, narrando o que deveria ser feito em cada
passagem. O único problema era a narração,
feita em inglês! Levando-se em consideração
que a maioria dos presentes não tem noção
alguma do idioma de Shakespeare, o jeito foi tentar prestar atenção
nas cenas e imaginar como seriam as manobras.
Ainda assim as imagens do helicóptero transmitidas para
os telões e a própria manobrabilidade da aeronave,
tornaram a apresentação um espetáculo à
parte. Na verdade, foi unânime a opinião de todos
que o helicóptero, que durante toda a corrida acompanhava
os aviões, gravando e transmitindo imagens da prova, foi
fundamental para dar ainda mais emoção a competição.
De acordo com as regras da corrida o Starlits das Eliminatórias
tem como ordem inversa do melhor tempo. Na Formula 1 por exemplo
o piloto com melhor tempo larga na frente, sendo que no Air Race,
ocorre o contrário. Como as provas são em baterias,
o pior tempo é que inicia a corrida, disputando lugar na
próxima fase com o segundo pior tempo. O piloto alemão,
que durante as Classificatórias obteve o tempo de 01min58s71,
abriu a etapa com seu Extra 300 “rasgando” os céus
de Botafogo.
O inglês foi seguido do russo Sergey Rakhmanain que impressionava
por seu modo agressivo de pilotar. Cada curva, cada passagem o
publico vibrava com a experiência de Rakhmanain, que demonstrou
ser um forte candidato ao titulo na próxima temporada.
O espanhol Alejandro Maclean, disputou a segunda bateria com o
francês Nicolas Ivanoff, onde ficou claro que apesar de
novato estava disposto a brigar pelo primeiro lugar. Maclean com
seu Edge 540, preto e amarelo realizou um vôo preciso, realizando
manobras corretas e sem arriscar o podium visando realizar a volta
mais rápida.
A disputa mais acirrada como previsto ficou a cargo dos pilotos
Bonhomme, Besenyei e Chambliss. Nenhum dos três optou por
arriscar a corrida em busca do primeiro lugar na Eliminatória,
os três mantiveram o foco em terminar entre os três
melhores tempos. Apesar de realizarem voltas cautelosas, o inglês
Bohomme obteve um excelente resultado, fechando a Eliminatória
com o tempo de 01min30s98, seguindo por Bensenyei que foi + 4.47
segundos mais lento e Chambliss que fechou em terceiro com tempo
+ 5.52 superior ao de Bohomme.
As quartas de final foram marcadas pela eliminação
da equipe Red Bull, que na seqüência viu as duas estrelas
do campeonato tocarem os pilones perdendo preciosos segundos.
Chambliss tocou um dos pilones recebendo dez segundos de penalidade,
enquanto Bensenyei, que tocou com a asa direita em dois pilones
no gate três, onde deveria entrar em gume de faca, recebeu
a penalidade de vinte segundos. Evitando obter uma péssima
classificação geral, o húngaro optou por
abandonar a prova, já que vinte segundos o colocariam com
o pior tempo das quartas de final, minando qualquer chance de
conseguir ao menos uma terceira posição. Favorecendo
assim o espanhol McClean que mesmo obtendo um tempo de 02min11s59,
conseguiu passar para a semi-final disputando com o austríaco
Hannes Arch.
Não foi nenhuma surpresa ver Bohomme obter novamente o
melhor tempo, com 01min32s69, realizando uma apresentação
impecável, sem nenhuma penalidade. O ianque Mangold também
realizou uma volta sem penalidades e terminou com o tempo de 01min33s07.
Disputando assim a semifinal com Bohomme que não demonstrava
qualquer evidência que poderia perder o primeiro lugar no
podium.
Sem grandes surpresas o melhor tempo na semifinal ficou com Bohomme
que fechou a etapa com o tempo de 01min31s30, seguido de perto
por Mangold que fechou o circuito com 01min39s54, graças
a três segundos de penalidade que recebeu. Na disputa entre
Arch e McClean, o espanhol obteve o tempo de 01min41s28, seguido
de perto por Arch que foi míseros 35 centésimos
mais lento.
Para facilitar o leitor a compreender as regras, mesmo tendo com
o melhor tempo que McClean, o ianque Mangold, disputou o terceiro
lugar, com Arch. Devemos lembrar que o sistema de pontuação
é knockout, ou seja, nesta etapa o vencedor de cada bateria
disputa a final, enquanto o segundo lugar tentara o terceiro lugar.
Apesar de manter uma boa prova, sem cometer graves erros, como
tocar num pilone, McClean vinha voando em média dez segundos
mais lento que Bohomme. O que pode ter sido uma tática
de manter-se na disputa, já que pelo sistema knockout,
o importante é obter um bom resultado sem a necessidade
de arriscar tudo antes da final.
E foi justamente na final que McClean mostrou que vinha mantendo
um desempenho modesto, com o intuito de chegar à disputa
pelo primeiro lugar. Tanto que numa volta impecável, onde
realizou manobras que demonstravam seu interesse pelo primeiro
lugar ele obteve o tempo de 01min36s53, porém como era
de esperar Bohomme fechou o circuito com 01min32s45. Praticamente
mantendo durante toda a prova o mesmo tempo, tendo uma variação
de um segundo em média entre cada bateria. Demonstrando
que estaá disposto a conquistar o título 2007, com
uma pilotagem audaciosa, mas arriscando apenas no momento certo.
O terceiro lugar ficou com Mangold que finalizou a prova com tempo
de 01min34s75, um excelente resultado.
Apesar de ficar em quinto lugar na Etapa Rio de Janeiro, Peter
Bensenyei, foi a grande estrela. Assim que apareceu próximo
ao público, Benseneyi pode sentir o carinho do do mesmo
que por vários minutos gritava seu nome. Interessante foi
à comparação feita pelo público que
carinhosamente o comparou ao personagem “Seu Madruga”,
da série Chaves interpretado pelo ator mexicano Ramón
Goméz Valdés.
Bensenyei confessou estar surpreso com o carinho do público
brasileiro e demonstrou certa timidez para lidar com a festa feita
em Botafogo.
O Red Bull Air Race World Series previa um público de 300
mil pessoas para o Rio de Janeiro, sendo que ao final o público
estimado pela Polícia Militar ultrapassou a marca de 1
milhão de pessoas. Demonstrando todo o interesse do brasileiro
por aviação e o excelente trabalho de organização
e divulgação realizado pela Red Bull.
O sucesso foi tamanho que diversas grandes empresas brasileiras
demonstram interesse em patrocinar a edição 2008.
Aguardamos ansiosamente a edição 2008 do Air Race,
com a certeza que mais do que nunca a Red Bull provou dar asas.
Parabéns a todos envolvidos na realização
desse grande evento e especialmente ao público que soube
aproveitar o espetáculo de forma educada.
Até a próxima etapa!