INTERMODAL 2006
 
   
Texto: Solange Galante
    Realizou-se no Transamérica Expo Center, região sul da capital paulista, entre os dias 26 a 28 de abril de 2006, a 12ª edição da Intermodal South América, feira dedicada a todas as vertentes do comércio exterior, e que recebeu cerca de 400 expositores da área. Os principais prestadores de serviços para exportadores e importadores e principais portos nacionais e internacionais e entidades representativas do setor ocuparam uma área de 30 mil metros quadrados, 35% maior que em 2005, graças inclusive à ampliação do espaço do Transamérica Expo Center. Tiveram destaque também o fórum internacional “O Transporte Intermodal no Brasil” e o 3º Seminário Fiesp de Logística.

O setor aéreo esteve muito bem representado. Além de agenciadores de carga aérea em geral, havia estandes das seguintes empresas: Absa Cargo Airline, Abraec - Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas, que inclui como associadas as empresas de encomendas expressas Fedex e UPS –, American Airlines Cargo, Emirates SkyCargo, Gollog, Ibéria Cargo, Infraero, Lufthansa Cargo, TAM Express, Tampa Cargo, UPS Air Cargo e Varig Log.

Um dos destaques foi a Emirates SkyCargo. Fundada em outubro de 1985, é a empresa aérea internacional dos Emirados Árabes Unidos, com sede em Dubai. Empresa conhecida pelos elevados padrões de qualidade de produto e pelo apoio à logística empresarial, a Emirates movimentou mais de 838.400 toneladas de carga no exercício de 2004-2005 – com aumento de 27% sobre o ano anterior – enquanto a receita da divisão cresceu 43% e alcançou US$ 940 milhões). Esses números corresponderam ao recorde de 21% da receita operacional da companhia.

Além da capacidade de carga nas aeronaves de passageiros, a Emirates SkyCargo utiliza mais nove aviões configurados para o transporte de mercadorias, sendo três Airbus A310-300F, cinco Boeing 747-400F e um Boeing 747-200F. Dois cargueiros Airbus A380, já encomendados, entrarão para a frota da empresa em 2009, cada um com a capacidade para transportar 150 toneladas. E na 9a Exposição Internacional Aeroespacial de Dubai, em 2005, a Emirates anunciou a compra de oito cargueiros Boeing 777F.

Outra empresa com destaque na Intermodal foi a brasileira ABSA Cargo Airline. Sediada no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), ABSA Cargo Airline opera desde o final de março de 2006 vôos cargueiros regulares para Frankfurt, na Alemanha. São duas freqüências semanais na rota Viracopos-Frankfurt. Em julho de 2005, a empresa ampliou para duas aeronaves sua frota própria, ambas Boeing 767-300F, e fechou o ano aumentando seu faturamento em mais de 25% em 2005, com meta, para 2006, de atingir a marca dos US$ 200 milhões. Este ano, a prioridade da companhia é o aumento da já ampla oferta de destinos. A empresa mantém parcerias operacionais com as empresas LAN, Mas Air e Florida West e foca suas ações na América Latina e em Miami, porta de entrada logística para os EUA.

Em 2005, a ABSA registrou uma utilização diária média de seus cargueiros de 15,8 horas de vôo. A marca já era a mais alta por aeronave de toda a atual frota mundial da Boeing, sendo que a média mundial de utilização diária deste modelo é de aproximadamente 10 horas. E em março passado a Absa bateu novo recorde alcançando a média diária de 18,07 horas de vôo, e a expressiva taxa de 560 horas mensais por aeronave.

O mercado brasileiro é muito promissor para o transporte aéreo de cargas, compensando, apesar do custo mais elevado do transporte aéreo, a precariedade das estradas e ausência de ferrovias e vias hidroviárias suficientes para cobrir todo o território brasileiro. Especialmente produtos de grande valor agregado e perecíveis, beneficiam-se muito com o transporte aéreo, e empresas em geral reduzem estoques quando podem contar com o transporte literalmente a jato das companhias aéreas cargueiras. Rotas como São Paulo (Guarulhos) ou Campinas (Viracopos) – Manaus (Amazonas) e entre estas cidades e Miami (EUA) são as mais utilizadas pelas companhias brasileiras. Devido principalmente ao câmbio, o movimento atual é maior na importação.