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O clima
frio e nublado, típico de outono havia dado uma trégua
havia alguns dias. Em seu lugar, um tempo ameno e ensolarado, com
céu limpo, temperado com a ansiedade de um seleto grupo de
araraquarenses amantes da aviação – afinal,
no domingo ocorreria o Fly-In nas vizinhanças da represa
do Broa. Antes mesmo de os primeiros raios de Sol surgirem no horizonte,
nosso ônibus aguardava pelo embarque, estacionado na Avenida
Osório, ao lado da Igreja de Santa Cruz, um dos cartões-postais
da cidade de Araraquara.
Checada a lista de passageiros, partimos para nosso destino, contemplando
o nascer-do-Sol à nossa esquerda enquanto seguíamos
pela rodovia Washington Luiz. O Grupo “Eu Amo Voar”
foi apresentado informalmente aos convidados, e no aparelho de som
do ônibus eram reproduzidos verdadeiros hinos da Aviação.
Após uma hora de percurso, chegamos ao nosso destino, o aeródromo
Dr. José Augusto de Arruda Botelho, o cenário do evento,
ladeado pela represa do Broa, no município de Itirapina.
Com os convites previamente preenchidos, nos apresentamos à
entrada do evento, recebemos nossas pulseiras e finalmente éramos
parte do VIII Broa Fly-In.
Logo na entrada, uma espécie de câmara escura foi erguida,
tratava-se de uma tenda com caixas acústicas que reproduziam
incessantemente ruídos familiares da Aviação
– o barulho de um motor radial, o acionar de uma turbina,
as pás de um helicóptero e similares. Aquela recepção
não deixava dúvida: é lugar de aviadores. Em
exposição estática, à esquerda, um belo
europeu, um Pilatus PC12 com detalhes em verde-e-amarelo. A todo
momento ouvia-se o barulho de aeronaves diversas, ora chegando,
ora partindo. Olhando em direção da pista, atraídos
pelo canto dos pássaros, uma bela surpresa: uma réplica
daquele que foi o pioneiro, o mais-pesado, a alçar vôo.
O 14-BIS. Uma réplica da obra-prima de Alberto Santos Dumont,
que, soubemos depois, havia voado na véspera. Entre os diversos
participantes e expositores, destaca-se a presença da aeronave
anfíbia, o Lake Renegade 250 “Talha Mar”, com
a qual o casal Moss realizou coletas de diversos corpos de água
durante o Projeto “Brasil das Águas”. A OceanAir,
representante da Bombardier no Brasil, trouxe o LearJet 45XR de
matrícula PR-OTA, o qual era possível conhecer sua
cabine, para a alegria de muitos presentes. Outra vedete do Fly-In
era o pequeno e ágil americano Cirrus SR22-G2, de matrícula
N970CD.
Embora nesta edição pôde-se perceber um número
menor de participantes, havia ainda muitos outros expositores e
aeronaves. A empresa aérea TEAM trouxe ao evento sua aeronave
turbo-hélice LET410 de prefixo PR-IMO. A Academia da Força
Aérea trouxe três aeronaves ao evento, um T-27 Tucano,
o T-25 Universal e o C-95A Bandeirante, todas de fabricação
nacional. Outro C-95A da FAB presente era o “Carajá
82” do 4o. Esquadrão de Transporte Aéreo. Entre
as personalidades presentes, estavam os veteranos do Senta-a-Pua,
ex-combatentes na Itália, o Brigadeiro Rui Moreira Lima e
o Comandante Fernando Correa Rocha.
Com relação ao público geral, as atrações
aéreas do domingo foram a equipe argentina do Hangar del
Cielo, com seus ultraleves de alta performance modelo Rans S-10
Sakota, o Brazilian Wingwalking Airshows, de nossos amigos Marta
Bognar e Pedrinho Mello, com seu biplano Grumman Showcat, e a Esquadrilha
da Fumaça.
O dia também foi pontuado com algumas exibições
do vôo suave do Demoiselle, réplica do clássico
de Dumont e de algumas outras aeronaves de Fernando Botelho. Marta
e Pedrinho realizaram duas apresentações emocionantes,
uma ao final da manhã, outra logo após o horário
de almoço.
A encerração da primeira apresentação
de Marta e Pedrinho contou com a participação do Hangar
del Cielo, que com seus ultraleves voou nas alas do Showcat, assim
fazendo algumas passagens sobre o aeródromo, para entusiasmo
dos presentes. O Hangar del Cielo por sua vez apresentou-se à
tarde, os hermanos demonstrando grande domínio de suas máquinas,
estas extremamente leves e manobráveis, permitindo que o
platéia visse uma série de acrobacias inimagináveis!
O gran finalle ficou por conta da Fumaça, que emocionou o
público, dando início a sua apresentação
escrevendo no céu limpo de final de maio a frase “14
BIS - 100 ANOS”. Apresentação esta que foi marcada
também por novas acrobacias, que passaram a fazer parte do
espetáculo a partir deste ano, o Ano do Centenário
da Aviação. E assim terminou o dia, e o evento.
Fim de tarde, o céu deixa o Sol pôr-se pelo horizonte
ao Passo que o Grupo “Eu Amo Voar” deixa o evento rumo
à Ararquara! Que dia! Foi o dia em que o Broa amou voar!!!
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