Broa Fly-in
 
   
Texto: Rafael Ap. de Lima Peres
    O clima frio e nublado, típico de outono havia dado uma trégua havia alguns dias. Em seu lugar, um tempo ameno e ensolarado, com céu limpo, temperado com a ansiedade de um seleto grupo de araraquarenses amantes da aviação – afinal, no domingo ocorreria o Fly-In nas vizinhanças da represa do Broa. Antes mesmo de os primeiros raios de Sol surgirem no horizonte, nosso ônibus aguardava pelo embarque, estacionado na Avenida Osório, ao lado da Igreja de Santa Cruz, um dos cartões-postais da cidade de Araraquara.

Checada a lista de passageiros, partimos para nosso destino, contemplando o nascer-do-Sol à nossa esquerda enquanto seguíamos pela rodovia Washington Luiz. O Grupo “Eu Amo Voar” foi apresentado informalmente aos convidados, e no aparelho de som do ônibus eram reproduzidos verdadeiros hinos da Aviação. Após uma hora de percurso, chegamos ao nosso destino, o aeródromo Dr. José Augusto de Arruda Botelho, o cenário do evento, ladeado pela represa do Broa, no município de Itirapina. Com os convites previamente preenchidos, nos apresentamos à entrada do evento, recebemos nossas pulseiras e finalmente éramos parte do VIII Broa Fly-In.

Logo na entrada, uma espécie de câmara escura foi erguida, tratava-se de uma tenda com caixas acústicas que reproduziam incessantemente ruídos familiares da Aviação – o barulho de um motor radial, o acionar de uma turbina, as pás de um helicóptero e similares. Aquela recepção não deixava dúvida: é lugar de aviadores. Em exposição estática, à esquerda, um belo europeu, um Pilatus PC12 com detalhes em verde-e-amarelo. A todo momento ouvia-se o barulho de aeronaves diversas, ora chegando, ora partindo. Olhando em direção da pista, atraídos pelo canto dos pássaros, uma bela surpresa: uma réplica daquele que foi o pioneiro, o mais-pesado, a alçar vôo.

O 14-BIS. Uma réplica da obra-prima de Alberto Santos Dumont, que, soubemos depois, havia voado na véspera. Entre os diversos participantes e expositores, destaca-se a presença da aeronave anfíbia, o Lake Renegade 250 “Talha Mar”, com a qual o casal Moss realizou coletas de diversos corpos de água durante o Projeto “Brasil das Águas”. A OceanAir, representante da Bombardier no Brasil, trouxe o LearJet 45XR de matrícula PR-OTA, o qual era possível conhecer sua cabine, para a alegria de muitos presentes. Outra vedete do Fly-In era o pequeno e ágil americano Cirrus SR22-G2, de matrícula N970CD.

Embora nesta edição pôde-se perceber um número menor de participantes, havia ainda muitos outros expositores e aeronaves. A empresa aérea TEAM trouxe ao evento sua aeronave turbo-hélice LET410 de prefixo PR-IMO. A Academia da Força Aérea trouxe três aeronaves ao evento, um T-27 Tucano, o T-25 Universal e o C-95A Bandeirante, todas de fabricação nacional. Outro C-95A da FAB presente era o “Carajá 82” do 4o. Esquadrão de Transporte Aéreo. Entre as personalidades presentes, estavam os veteranos do Senta-a-Pua, ex-combatentes na Itália, o Brigadeiro Rui Moreira Lima e o Comandante Fernando Correa Rocha.

Com relação ao público geral, as atrações aéreas do domingo foram a equipe argentina do Hangar del Cielo, com seus ultraleves de alta performance modelo Rans S-10 Sakota, o Brazilian Wingwalking Airshows, de nossos amigos Marta Bognar e Pedrinho Mello, com seu biplano Grumman Showcat, e a Esquadrilha da Fumaça.

O dia também foi pontuado com algumas exibições do vôo suave do Demoiselle, réplica do clássico de Dumont e de algumas outras aeronaves de Fernando Botelho. Marta e Pedrinho realizaram duas apresentações emocionantes, uma ao final da manhã, outra logo após o horário de almoço.

A encerração da primeira apresentação de Marta e Pedrinho contou com a participação do Hangar del Cielo, que com seus ultraleves voou nas alas do Showcat, assim fazendo algumas passagens sobre o aeródromo, para entusiasmo dos presentes. O Hangar del Cielo por sua vez apresentou-se à tarde, os hermanos demonstrando grande domínio de suas máquinas, estas extremamente leves e manobráveis, permitindo que o platéia visse uma série de acrobacias inimagináveis! O gran finalle ficou por conta da Fumaça, que emocionou o público, dando início a sua apresentação escrevendo no céu limpo de final de maio a frase “14 BIS - 100 ANOS”. Apresentação esta que foi marcada também por novas acrobacias, que passaram a fazer parte do espetáculo a partir deste ano, o Ano do Centenário da Aviação. E assim terminou o dia, e o evento.

Fim de tarde, o céu deixa o Sol pôr-se pelo horizonte ao Passo que o Grupo “Eu Amo Voar” deixa o evento rumo à Ararquara! Que dia! Foi o dia em que o Broa amou voar!!!