A aviação
executiva brasileira é a segunda maior do mundo. Há
bons motivos para isso, e o volume de negócios realizados
neste País de dimensões continentais é um
deles. Enquanto isso, a aviação regular atinge pequena
porcentagem de municípios, cerca de 110, em um universo
de 5.500 localidades, segundo dados do Diretório Aeroespacial
Brasileiro de fevereiro deste ano. Felizmente há cerca
de 2.700 aeródromos no País, todos acessíveis
pelo menos por aviões de pequeno porte.
O perfil do usuário de aviação corporativa,
seja ele um micro, pequeno, médio ou grande empresário,
tenha ou não avião próprio, alugue ou não
um táxi aéreo, é o perfil de quem busca rapidez,
facilidades e conforto. Afinal, se tempo é dinheiro, filas
de check in em aeroportos, congestionamento de aeronaves nos principais
hubs, overbooking e outros problemas não combinam com bons
negócios.
Em sua terceira edição, a LABACE – Latin American
Business Aviation Conference and Exhibition 2005, maior feira
da aviação executiva da América Latina, veio
reafirmar que avião executivo, longe de ser “brinquedinho
de gente endinheirada” é, na verdade, uma importante
ferramenta de trabalho para quem precisa chegar à frente
dos concorrentes voando com conforto e privacidade.
Como exemplo, não se pode comparar ir trabalhar de ônibus
e metrô ou de automóvel, mesmo que seja um táxi.
Afinal, desde os produtos da mais popular loja de varejo do País,
até os shows de cantores sertanejos realizados nas principais
cidades brasileiras, tudo depende, direta ou indiretamente, de
estar no lugar certo no momento certo. E, se se puder chegar descansado,
ainda melhor.
Segundo a organização da exposição,
que ocorreu entre os dias 31 de março e dois de abril na
capital paulista (Transamérica Expo Center, bairro de Santo
Amaro, Zona Sul), o evento encerrou com público recorde,
cerca de cinco mil visitantes, superando em 25% a expectativa
da ABAG – Associação Brasileira de Aviação
Geral, e da NBAA – National Business Aviation Association,
organizadoras do evento, e confirmando o grande interesse que
a aviação executiva vem despertando no mercado brasileiro.
Na segunda edição da LABACE, realizada no ano passado,
compareceram 3.735 visitantes.
O evento de 2005 contou com a participação de 87
expositores de diversos países, incluindo fabricantes de
aeronaves e seus representantes; fornecedores de peças,
partes e componentes; prestadores de serviços de manutenção
e serviços especializados, além de fornecedores
de combustível. Um dos destaques foi a já tradicional
exposição estática de aeronaves no Aeroporto
de Congonhas, que, este ano, aconteceu no setor oeste do aeroporto,
no pátio de manutenção da VARIG, local mais
acessível que o dos anos anteriores (setor leste, pátio
de aviação geral). Foram apresentadas 21 aeronaves
(veja adiante LOG da manhã do dia 31 de março),
incluindo jatos executivos, aviões turboélices e
helicópteros dos principais fabricantes (Beech, Bell, Bombardier,
Cessna, Dassault, EADS, Embraer, Falcon, Gulfstream, Helibras,
Líder, Pilatus, Raytheon, Socata e TAM Jatos Executivos).
“O número de pessoas que foi a Congonhas para conhecer
as novidades do setor também surpreendeu. Houve filas para
visitação das aeronaves nos três dias do evento”,
conta Anderson Markiewicz, presidente da ABAG.
Na verdade, esperava-se bem mais quanto às empresas expositoras.
Os números de 2004 foram de 80 expositores e 19 aeronaves
estiveram presentes ao evento. Estimava-se para 2005 a presença
de 110 expositores, 30 aeronaves e pelo menos 4.500 visitantes.
Portanto, a julgar pelos dados fornecidos pela organização,
embora menores, os dados indicam que realmente houve aumento.
Os maiores estandes no Transamérica Expo foram das empresas
Embraer, Líder Aviation, TAM Táxi Aéreo Marília,
Bombardier e Jet Aviation. Destaques também para a VEM/SATA,
Pratt & Whitney, Petrobras, Gulfstream, e dezenas de representantes
de comércio, serviços e imprensa especializados.
Aviação e economia sempre andam juntas mas, embora
o País esteja vivendo um bom momento e a aviação
executiva preveja crescimento, o setor ainda esbarra em uma série
de empecilhos, como a desvalorização cambial, a
falta de incentivos fiscais para a compra de aeronaves –
como o que existe nos Estados Unidos – e o custo elevado
do combustível de aviação, que são
alguns dos fatores que impedem o setor de ter uma expansão
mais forte e sustentada.
Portanto, para permitir o fortalecimento do setor, segundo o presidente
da ABAG, é necessário o País ter uma redução
e racionalização não só dos preços
do combustível de aviação mas também
da carga tributária, além de agilização
aduaneira, ampliação dos aeroportos centrais e mecanismos
fiscais de incentivo à compra de aeronaves. Uma comparação
com o mercado dos Estados Unidos demonstra que, embora o produto
nacional bruto daquele país seja 10 vezes maior do que
o do Brasil, a frota norte-americana é 17 vezes superior.
Ainda assim, o Brasil conta com a segunda maior frota de aviação
executiva do planeta, com cerca de 1.400 aeronaves, das quais
920 são jatos e turboélices – sem contar os
helicópteros. Na América Latina, apenas o México
(que conta com 650 aeronaves) e a Colômbia (com 310 unidades)
aproximam-se, mas, como podemos ver, não ameaçam
a grandeza da frota brasileira.
Ed Bolen, presidente da NBAA, destaca que a aviação
executiva vem crescendo em todo mundo e, no ano passado, as vendas
situaram-se em torno de US$ 11,9 bilhões, um incremento
de 19% em relação a 2003.
Mas engana-se quem pensa que LABACE é apenas exposição
de empresas do setor e seus produtos. Várias palestras
técnicas também trouxeram grande conhecimento aos
visitantes. Uma delas foi sobre o sistema CNS - ATM (Communications,
Navigation, Surveillance - Air Traffic Management, novo sistema
de gerenciamento de tráfego aéreo, que muda a filosofia
de navegação, assim como também as regras
RVSM – Reduced Vertical Separation Minimums (sigla em inglês
para Mínimos Reduzidos de Separação Vertical),
que criaram nova divisão do espaço aéreo,
com o objetivo de adequá-lo ao crescimento do tráfego
mundial de aeronaves.
Três palestras foram exclusivas sobre helicópteros:
“Operações de Helicópteros em Áreas
Urbanas de Grande Movimentação”, “Mercado
de Helicópteros Brasileiro – Panorama Geral”
e “Perda da Eficácia do Rotor de Cauda”. Também
os VLJ – very light jets, os minijatos que prometem ser
a sensação dos próximos anos, mereceram palestra
específica. Essas palestras, bem como as demais realizadas
na LABACE, também atraíram mais público do
que as apresentações feitas nas edições
anteriores do evento.