47º Paris Air Show
Atualizado em: 21 de junho

cobertura online
47º International Paris Air Show

O principal destaque do quarto dia ficou por conta do fracasso das negociações entre a GE Aviation, a maior fabricante de motores aeronáuticos do mundo e a Airbus, para o desenvolvimento do motor do A350 XWB. De acordo com executivos da GE Aviation, não houve argumentos fortes suficientes para justificar a GE investir mais de US$ 1 bilhão no desenvolvimento do novo motor.

Esta situação cria um sério problema para a Airbus, considerando que a maioria das empresas aéreas evitam comprar aviões que existe apenas um fornecedor para o motor. Já que se torna mais complicado para a empresa barganhar descontos e outras facilidades na hora de optar por um fabricante. A ILFC, após o anuncio disse que só poderia comentar após conversar com executivos da Airbus. O mercado teme que caso a Airbus não consiga convencer a GE a produzir o motor para o A350 XWB, este acabe perdendo a briga para o Dreamliner, que hoje possui uma carteira de pedidos quase seis vezes maior. Um executivo de uma empresa que recém firmou contrato de compra para o A350 XWB lança dúvidas sobre o motivo da GE não desejar desenvolver um novo motor. De acordo com o executivo pode haver pressão de outros parceiros da GE que temem pelo sucesso do A350 XWB.

Por outro lado sabe-se que a GE ofereceu desenvolver uma versão derivada do GEnx, que deve equipar o 787, sendo esta proposta recusada pelo fabricante europeu. Segundo o presidente da Airbus Louis Gallois, o fabricante não deseja utilizar o motor GEnx, ou uma versão deste, o que buscam é uma geração além do que esta sendo oferecido. Já a GE se defende dizendo que o motor do 787 é o que existe de mais moderno em termos de motor aeronáutico, não sendo possível hoje ir uma geração além de algo que sequer esta operacional.

Analistas acreditam que ambas empresas deverão chegar a um entendimento, podendo o A350 ser impulsionado por um motor derivado do oferecido ao A380 ou mesmo o GEnx.

Outro destaque ficou por conta da presença do ator John Travolta, que é um dos mais famosos entusiastas de aviação. O fascínio pela aviação é tanto que além de morar numa comunidade de Jumbolair, na Flórida - o condomínio que possui a maior pista particular dos Estados Unidos, o ator possui entre outros aviões, um Boeing 707-138B. O avião que pertenceu anteriormente ao cantor Frank Sinatra é destaque por onde passa. O belo quadrimotor exibe a impecável pintura da Qantas - empresa qual Travolta é “embaixador”, e possui um luxuoso interior.

Entre os colecionadores de aviões nos Estados Unidos, Travolta é conhecido também por seu vasto conhecimento em história da aviação. O ator que possui licença para pilotar diversos modelos, inclusive o Boeing 747-400, ainda sonha em pilotar um Concorde. E diz animado que este pode ser um dos seus próximos projetos.

As principais novidades do dia foram:

Airbus

Apesar dos fracassos junto ao GE, a Airbus anunciou que a colombiana Avianca anunciou, em Lê Bourget, o pedido firme de mais quatorze aeronaves A320 e de mais cinco A330-200s. Este pedido se trata de uma conversão de opções por parte da empresa colombiana.
Contando com essa nova encomenda a Avianca passa a ter uma carteira de pedidos de cinqüenta e sete aeronaves junto a Airbus. Incluindo esta encomenda, a Airbus recebeu até o momento 390 pedidos proveniente de 16 empresas aéreas latino americanas nos últimos anos. Atualmente a fabricante conta com 54% dos pedidos para novos aviões na região e triplicou sua presença em toda a América Latina nos últimos sete anos.

A Hong Kong Airlines se tornou o mais novo operador de aeronaves Airbus
após assinar, hoje em Paris, um MoU que prevê a aquisição de cinqüenta e
uma aeronaves da empresa européia. O pedido consiste em trinta aeronaves
A320, vinte A330 e um ACJ, os motores que equiparão os aviões serão
escolhidos em breve.

A Mandala Airlines, com sede na Indonésia assinou um contrato de compra para vinte e cinco A320. A empresa foi a primeira a operar o modelo no país quando recebeu em regime de leasing seus dois primeiros A320. Esta nova ordem visa substituir a frota de antigos 737-200, utilizados para cobrir a maioria de seus vinte destinos. Os novos A320 estarão configurados em classe única com capacidade para até 180 passageiros.

A Tiger Airlines, empresa de baixo custo de Cingapura, assinou um MoU para trinta A320 com opção de outros vinte. A escolha dos motores deverá ser conhecida apenas após a confirmação do pedido. A Tiger Airways opera atualmente uma frota de nove A320, devendo receber onze até 2010. Caso esta ordem seja confirmada, incluindo as opções, a empresa poderá ter em curto prazo uma frota com setenta aeronaves do modelo A320.
A Tiger Airways opera basicamente vôos regionais no sudeste asiático, ligando quinze cidades em sete países, incluindo uma nova linha recém inaugurada para a Austrália. Os aviões deverão ser configurados com 180 assentos em classe única.

Eurocopter


A Heliportugal assinou o contrato de compra para dois Dauphin AS365 N3, com opção de mais um. Estas novas aeronaves deverão somar-se as seis já operadas pela empresa. A Heliportugal baseada em Cascais, em Portugal, realizada vôos fretados entre a Espanha, Marrocos, Grécia, Tunísia e Nigéria.

À tarde a Eurocopter apresentou em vôo o Tiger, um dos mais avançados helicópteros militares da atualidade. A aeronave realizou uma série de demonstrações, exibindo toda sua capacidade e manobrabilidade.

No final da noite a Eurocopter recebeu mais de 800 convidados no Chateau de Chantilly (Castelo de Chantilly), para a comemoração dos 15 anos da empresa, criada em 1992 após uma série de fusões. Durante a celebração houve uma incrível apresentação da Aspa Patrol, utilizando cinco EC120 Colibri, que tirou o fôlego de todos os convidados. O bolo de aniversário ainda escondia o mock-up em escala do novo EC-175, o mais novo produto da Eurocopter. Para encerrar a noite um show pirotécnico iluminou os céus.

GE Engines

A Espanha selecionou o motor CT7-8F5 para equipar seus quarenta e cinco helicópteros NH90. O programa de modernização das forças armadas espanholas foi aprovado em maio de 2005 e prevê o reequipamento e modernização de grande parte dos meios.
Os motores CT7-8F5 tem melhor desempenho que as versões originalmente instaladas nos NH90 e permite as aeronaves operarem com maior envelope de vôo sob regime de altas e baixas temperaturas.
A escolha da GE pelas Forças Armadas da Espanha, deu-se especialmente a proposta de transferência de tecnologia, considerado fundamental pelo governo espanhol.

A Air France assinou o contrato para compra de nove motores GE90-115B, com opção de mais sete. Os novos motores são destinados aos recém adquiridos Boeing 777-300ER. Os contrato é avaliado em US$ 450 milhões, baseado no preço de tabela.

Sikorsky Aircraft Corp.

A Sikorsky assinou contrato para venda de um S-76++ para a inglesa Air Harrods Ltd. Sendo o quarto contrato de venda para o modelo executado por um cliente britânico.
A Air Harrods, opera há dez anos no mercado de fretamentos, possuindo quatro helicópteros, sendo suas aeronaves conhecidas por seu conforto acima da média geral.

USAF


Um dos aviões que mais chamaram a atenção foi o MQ-1 Predator, o único avião não tripulado (Unmanned Aerial Vehicle – UAV) presente. O avião pertencente ao 432nd Aircraft Maintenance Squadron, foi apresentado pela USAF (United States Air Force), ao lado de modelos como o F-15 e o F-16.
Armado com mísseis AGM-114 Hellfire, o MQ-1 Predator é utilizado prioritariamente para missões de reconhecimento armado, interdição a alvos críticos e sensíveis. Podendo ainda ser utilizado em apoio às equipes C-SAR (Combat-Salve and Rescue) e sensoriamento remoto. Com capacidade para voar até 24 horas ininterruptas, a aeronave é pilotada remotamente com transmissão de dados via satélite. Apesar das grandes dimensões, o avião pode ser facilmente desmontado e transportado como se fosse um aeromodelo comum. Permitindo que o Predator possa voar praticamente sem restrições em qualquer parte do planeta.

Volga-Dnepr

As autoridades de aviação russa e ucraniana concederam o certificado de homologação para a versão modernizada do gigante AN-124-100 Ruslan, o maior cargueiro do mundo produzido em série. O novo avião designado agora como AN-124-100M-150 sofreu uma série de modificações, que o permitem operar sem restrições (referentes a níveis de ruído e emissões de poluentes) em qualquer parte do planeta.

O certificado foi concedido por Vladimir Bespalov, presidente do Interstate Aviation Committee. Na cerimônia de homologação foram apresentados os planos para o lançamento de uma nova versão do AN-124, baseado na versão modernizada. A intenção é reiniciar a produção do gigante cargueiro interrompida desde o final da União Soviética.

A Volga-Dnepr, a principal operadora do modelo, acredita que a curto prazo o mercado necessitara de novos aviões da classe do Ruslam, especialmente porque os atuais aviões em serviço terão de ser retirados de operação em meados de 2020.

“O dia de hoje marca outra importante etapa no nosso projeto de lançar a produção de uma nova versão modificada do cargueiro AN-124. Que permanece como um avião moderno e sem equivalentes em termos de capacidade. É uma evidencia que este cargueiro tem um grande futuro pela frente”, disse Alexey Isaikin, presidente da Volga-Dnepr Group, durante a cerimônia.