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O
Dreamliner
O Boeing 787, sem
dúvidas, pode ser considerado o avião dos sonhos.
De um lado, ele representa os sonhos da maior indústria aeroespacial
do mundo que perdeu a liderança no segmento de aviões
comerciais para a européia Airbus brigando para voltar ao
posto de líder do setor com um avião super eficiente.
De outro lado, o 787 é o sonho das empresas aéreas
que buscam, a cada dia, mais economia e rentabilidade e este avião
pode realizar os sonhos da redução dos gastos com
combustíveis já que deverá ser 15% mais econômico
que os demais.
Externamente o 787 é um elegante bimotor com nariz pontiagudo
e asas com as pontas levemente curvadas cuja capacidade é
de mais de 200 passageiros.
Entretanto, a principal característica do novo Boeing não
é seu desenho, mas sim o fato de ser o primeiro avião
comercial a ter 50% de sua estrutura composta em plástico,
materiais compostos, fibra de vidro e carbono.
A fuselagem terá como composto principal grafite combinado
a uma resina epóxi, enquanto as asas serão de TiGr,
um composto de grafite e titânio.
O uso de alumínio representará, aproximadamente, 20%
da estrutura do 787, o que irá proporcionar uma redução
de, em média, 30% do peso final.
Os “composites” são utilizados há várias
décadas na aviação militar e além de
oferecerem uma significativa redução de peso, oferecem
ainda maior resistência à corrosão e a fadigas.
Outra vantagem dos materiais compostos é a redução
no tempo de fabricação e montagem, pois exige um menor
número de peças o que ainda garante um menor risco
de disparidades dimensionais durante a montagem.
Para garantir a integridade da aeronave sensores piezoelétricos
irão monitorar constantemente o interior dos laminados de
“composites” avaliando a integridade interna e permitindo
uma detecção antecipada de qualquer problema eventual.
O uso de “composites” irá favorecer também
os passageiros pois devido sua maior resistência à
corrosão, o 787 deverá solucionar o problema do ar
extremamente seco(ao redor de 10% de umidade relativa do ar) que
provoca mal estar em inúmeros passageiros e até mesmo
aos tripulantes.
A Boeing prevê a adição de água no sistema
ambiental do 787 que elevará a umidade do ar para aproximadamente
30%. Além do ar mais úmido, o novo Boeing será
a primeira aeronave a ter sua cabine pressurizada a 1800 metros,
contra os 2.200 metros atuais, o que permitirá, aos passageiros,
respirarem mais facilmente reduzindo ainda a desidratação
e a fadiga, sensações comuns em vôos com mais
de duas horas de duração.
A seção transversal oval é semelhante a já
utilizada no 767 mas sem a junção das duas “bolhas”
na altura do piso, o que ira permitir a mesma eficiência aerodinâmica
e estrutural do 777 e ainda aumentará a largura da cabine
no nível dos ombros, proporcionando um sensível aumento
no conforto para quem viaja ao lado das janelas.
O 787 terá as maiores janelas entre os aviões atuais,
com 48 centímetros de altura e 28 centímetros de largura,
oferecendo aos passageiros uma melhor visão do horizonte.
As janelas irão contar com um inovador sistema de venezianas
semi-transparentes controladas eletronicamente pelos passageiros,
que irão oferecer diversas opções de iluminação.
No desenho do interior da cabine predominam os arcos no teto, tons
claros e a iluminação dinâmica, podera variar
de intensidade e até mesmo de cor o que deverá proporcionar
uma maior sensação de maior espaço.
A cabine de passageiros será 72 centímetros mais larga
do que a do 767 e 34 centímetros mais larga do que a do A330/A340
e os corredores serão mais largos que a média atual.
Os compartimentos de bagagem (bins) serão os maiores já
produzidos, com capacidade de 28 x 40 x 55 por passageiro.
A Boeing afirma que todas estas caracteristicas são consideradas
prioridades no projeto, para conectar o passageiro a experiencia
de voar.
Os controles de vôo e avionicos do 787 serão fornecidos
pela Rockwell Collins e apesar de trazerem os mais recentes avanços
obtidos nos últimos anos manterão uma similaridade
com sistemas encontrados no 777. Isto visa atender a um antigo pedido
das companhias aéreas pela padronização da
cabine com os demais modelos existentes.
O sistema de monitoramento está sendo desenvolvido pela Boeing
em conjunto com a Goodrich e irá permitir que a aeronave
realize um automonitoramento de todos os seus sistemas, informando
qualquer necessidade de manutenção aos sistemas de
computadores em terra e assim facilitando os trabalhos das equipes
de manutenção, o que ira gerar uma redução
de tempo e custos para as companhias aéreas.
O 787 será o primeiro avião comercial a utilizar freios
com atuação eletromecânica ao invés do
sistema tradicional de atuação por pistões
hidráulicos. Isto permitirá uma sensível redução
de peso e aumentará, significativamente, a eficiência
dos sistemas de freios. Os freios estarão interligados com
os sistemas de monitoramento da aeronave permitindo uma maior segurança
e confiabilidade.
O 787 estará dotado de sistemas hidráulicos de alta
pressão (5000psi) assim como o Airbus A380, o que permitirá
reduzir o tamanho e peso da maior partes dos componentes hidráulicos,
que além de contribuírem para uma redução
no peso final da aeronave possuem uma maior eficiência.
Devido ao uso extensivo de novas tecnologias, o 787 contará
com apenas 11.000 metros de cabos elétricos. O sistema desenvolvido
pela Labinal inclui o uso de fibra-ótica na transmissão
de dados e energia por diversos sistemas da aeronave.
O 787 terá como opção de motores o General
Electric GENX e o Rolls-Royce Trent 1000, que irão oferecer
entre 55.000 e 70.000 libras de empuxo. Os motores terão
um alto índice de derivação (by pass ratio),
menor emissão de poluentes e ruídos, e deverão
consumir 20% menos em combustível que os motores atuais.
Uma das grandes novidades é que os motores GE e Rolls-Royce
manterão uma mesma relação padrão fazendo
com que qualquer 787 possa receber tanto motores GE quanto Rolls-Royce.
Isto permitirá uma maior flexibilidade especialmente para
as empresas de leasing que poderão facilmente trocar os motores
das aeronaves atendendo ao padrão de motorização
utilizado por qualquer empresa aérea.
Como o 787 utilizará diversos geradores elétricos,
os motores irão eliminar os tradicionais bleed air systems
criando um sistema mais eficiente, leve e econômico.
Por ser basicamente, um avião controlado por sistemas elétricos,
a Boeing em conjunto com a Thales and Labinal está desenvolvendo
um sistema que irá converter a eletricidade gerada pelos
motores em diversas tensões para utilizá-la em sistemas
da aeronave.
A proposta da GE é baseada no programa GENX (General Eletric
Next Generation) que é derivado do motor GE-90 e incorpora
inúmeros componentes feitos em materiais compostos como as
palhetas do fan, um novo compressor de alta pressão e uma
nova câmara de combustão.
O motor Trent 1000 oferecido pela Rolls-Royce é baseado no
consagrado Trent 900 e deverá proporcionar uma sensível
redução de ruído comparado às versões
anteriores do Trent 900.
Grande parte do 787 será produzido por empresas na Europa
e no Japão visando reduzir entre 25% e 40% o tempo gasto
no transporte de componentes entre os fornecedores e a linha de
montagem final. A Boeing utilizará o sistema de transporte
aéreo como a Airbus faz há muitos anos.
Para realizar o transporte de diversos componentes do 787 a Boeing
deverá utilizar três 747-400 modificados. Estes terão
a parte superior estendida até o final do avião, o
que proporcionará o transporte de diversas seções
de grande porte. Os 747 mencionados deverão ter uma capacidade
de carga 35% maior do que a dos Airbus A300-600ST mas terão
a carga útil reduzida de 113.000Kg para aproximadamente 100.000Kg.
O 787 é oferecido em três versões: 787-3, 787-8
e 787-9.
O 787-3 terá 56 metros de comprimento e capacidade para 289
passageiros em duas classes, com alcance de 6.500km. Ele deverá
ser voltado ao mercado japonês tendo asas menores e mais leves,
e um conjunto de trem de pouso reforçado para suportar o
maior número de pousos e decolagens.
versão 787-8 será uma aeronave básica com 56
metros de comprimento e 59 metros de envergadura. A capacidade será
de até 217 passageiros em três classes com alcance
de 15.700km, tendo peso máximo de decolagem de 217.000kg.
O 7E7-8 deverá ser produzido simultaneamente com a versão
-3 e deverá entrar em serviço em 2008.
O modelo 787-9 será seis metros maior que as demais versões
e poderá, desta forma, transportar 257 passageiros em três
classes com alcance de 15.400km e peso máximo de decolagem
de 226,800 kg. Esta versão deverá entrar em serviço
apenas em 2010.
O lançamento oficial do 787 aconteceu em 26 de abril de 2004,
quando a ANA - All Nippon Airways formalizou o contrato para a aquisição
de 50 aeronaves.
Desde o lançamento em abril de 2004 até janeiro de
2005 o 787 já contava com 120 encomendas, sendo 50 da ANA,
6 da First Choice, 4 da Blue Panorama, 20 da Primaris Airlines,
30 da Japan Airlines, 4 Vietnam Airlines e 10 da Continenal Airlines.
Caso todas as expectativas sobre o avião se confirmem ele
será realmente o avião dos sonhos.
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