Boeing 787 - O Avião dos Sonhos
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan
    O Dreamliner

    O Boeing 787, sem dúvidas, pode ser considerado o avião dos sonhos.
De um lado, ele representa os sonhos da maior indústria aeroespacial do mundo que perdeu a liderança no segmento de aviões comerciais para a européia Airbus brigando para voltar ao posto de líder do setor com um avião super eficiente.

De outro lado, o 787 é o sonho das empresas aéreas que buscam, a cada dia, mais economia e rentabilidade e este avião pode realizar os sonhos da redução dos gastos com combustíveis já que deverá ser 15% mais econômico que os demais.

Externamente o 787 é um elegante bimotor com nariz pontiagudo e asas com as pontas levemente curvadas cuja capacidade é de mais de 200 passageiros.

Entretanto, a principal característica do novo Boeing não é seu desenho, mas sim o fato de ser o primeiro avião comercial a ter 50% de sua estrutura composta em plástico, materiais compostos, fibra de vidro e carbono.

A fuselagem terá como composto principal grafite combinado a uma resina epóxi, enquanto as asas serão de TiGr, um composto de grafite e titânio.
O uso de alumínio representará, aproximadamente, 20% da estrutura do 787, o que irá proporcionar uma redução de, em média, 30% do peso final.

Os “composites” são utilizados há várias décadas na aviação militar e além de oferecerem uma significativa redução de peso, oferecem ainda maior resistência à corrosão e a fadigas.

Outra vantagem dos materiais compostos é a redução no tempo de fabricação e montagem, pois exige um menor número de peças o que ainda garante um menor risco de disparidades dimensionais durante a montagem.

Para garantir a integridade da aeronave sensores piezoelétricos irão monitorar constantemente o interior dos laminados de “composites” avaliando a integridade interna e permitindo uma detecção antecipada de qualquer problema eventual.

O uso de “composites” irá favorecer também os passageiros pois devido sua maior resistência à corrosão, o 787 deverá solucionar o problema do ar extremamente seco(ao redor de 10% de umidade relativa do ar) que provoca mal estar em inúmeros passageiros e até mesmo aos tripulantes.

A Boeing prevê a adição de água no sistema ambiental do 787 que elevará a umidade do ar para aproximadamente 30%. Além do ar mais úmido, o novo Boeing será a primeira aeronave a ter sua cabine pressurizada a 1800 metros, contra os 2.200 metros atuais, o que permitirá, aos passageiros, respirarem mais facilmente reduzindo ainda a desidratação e a fadiga, sensações comuns em vôos com mais de duas horas de duração.

A seção transversal oval é semelhante a já utilizada no 767 mas sem a junção das duas “bolhas” na altura do piso, o que ira permitir a mesma eficiência aerodinâmica e estrutural do 777 e ainda aumentará a largura da cabine no nível dos ombros, proporcionando um sensível aumento no conforto para quem viaja ao lado das janelas.

O 787 terá as maiores janelas entre os aviões atuais, com 48 centímetros de altura e 28 centímetros de largura, oferecendo aos passageiros uma melhor visão do horizonte. As janelas irão contar com um inovador sistema de venezianas semi-transparentes controladas eletronicamente pelos passageiros, que irão oferecer diversas opções de iluminação.

No desenho do interior da cabine predominam os arcos no teto, tons claros e a iluminação dinâmica, podera variar de intensidade e até mesmo de cor o que deverá proporcionar uma maior sensação de maior espaço.


A cabine de passageiros será 72 centímetros mais larga do que a do 767 e 34 centímetros mais larga do que a do A330/A340 e os corredores serão mais largos que a média atual. Os compartimentos de bagagem (bins) serão os maiores já produzidos, com capacidade de 28 x 40 x 55 por passageiro.

A Boeing afirma que todas estas caracteristicas são consideradas prioridades no projeto, para conectar o passageiro a experiencia de voar.

Os controles de vôo e avionicos do 787 serão fornecidos pela Rockwell Collins e apesar de trazerem os mais recentes avanços obtidos nos últimos anos manterão uma similaridade com sistemas encontrados no 777. Isto visa atender a um antigo pedido das companhias aéreas pela padronização da cabine com os demais modelos existentes.

O sistema de monitoramento está sendo desenvolvido pela Boeing em conjunto com a Goodrich e irá permitir que a aeronave realize um automonitoramento de todos os seus sistemas, informando qualquer necessidade de manutenção aos sistemas de computadores em terra e assim facilitando os trabalhos das equipes de manutenção, o que ira gerar uma redução de tempo e custos para as companhias aéreas.

O 787 será o primeiro avião comercial a utilizar freios com atuação eletromecânica ao invés do sistema tradicional de atuação por pistões hidráulicos. Isto permitirá uma sensível redução de peso e aumentará, significativamente, a eficiência dos sistemas de freios. Os freios estarão interligados com os sistemas de monitoramento da aeronave permitindo uma maior segurança e confiabilidade.

O 787 estará dotado de sistemas hidráulicos de alta pressão (5000psi) assim como o Airbus A380, o que permitirá reduzir o tamanho e peso da maior partes dos componentes hidráulicos, que além de contribuírem para uma redução no peso final da aeronave possuem uma maior eficiência.

Devido ao uso extensivo de novas tecnologias, o 787 contará com apenas 11.000 metros de cabos elétricos. O sistema desenvolvido pela Labinal inclui o uso de fibra-ótica na transmissão de dados e energia por diversos sistemas da aeronave.


O 787 terá como opção de motores o General Electric GENX e o Rolls-Royce Trent 1000, que irão oferecer entre 55.000 e 70.000 libras de empuxo. Os motores terão um alto índice de derivação (by pass ratio), menor emissão de poluentes e ruídos, e deverão consumir 20% menos em combustível que os motores atuais.

Uma das grandes novidades é que os motores GE e Rolls-Royce manterão uma mesma relação padrão fazendo com que qualquer 787 possa receber tanto motores GE quanto Rolls-Royce.
Isto permitirá uma maior flexibilidade especialmente para as empresas de leasing que poderão facilmente trocar os motores das aeronaves atendendo ao padrão de motorização utilizado por qualquer empresa aérea.

Como o 787 utilizará diversos geradores elétricos, os motores irão eliminar os tradicionais bleed air systems criando um sistema mais eficiente, leve e econômico.

Por ser basicamente, um avião controlado por sistemas elétricos, a Boeing em conjunto com a Thales and Labinal está desenvolvendo um sistema que irá converter a eletricidade gerada pelos motores em diversas tensões para utilizá-la em sistemas da aeronave.

A proposta da GE é baseada no programa GENX (General Eletric Next Generation) que é derivado do motor GE-90 e incorpora inúmeros componentes feitos em materiais compostos como as palhetas do fan, um novo compressor de alta pressão e uma nova câmara de combustão.
O motor Trent 1000 oferecido pela Rolls-Royce é baseado no consagrado Trent 900 e deverá proporcionar uma sensível redução de ruído comparado às versões anteriores do Trent 900.

Grande parte do 787 será produzido por empresas na Europa e no Japão visando reduzir entre 25% e 40% o tempo gasto no transporte de componentes entre os fornecedores e a linha de montagem final. A Boeing utilizará o sistema de transporte aéreo como a Airbus faz há muitos anos.

Para realizar o transporte de diversos componentes do 787 a Boeing deverá utilizar três 747-400 modificados. Estes terão a parte superior estendida até o final do avião, o que proporcionará o transporte de diversas seções de grande porte. Os 747 mencionados deverão ter uma capacidade de carga 35% maior do que a dos Airbus A300-600ST mas terão a carga útil reduzida de 113.000Kg para aproximadamente 100.000Kg.

O 787 é oferecido em três versões: 787-3, 787-8 e 787-9.

O 787-3 terá 56 metros de comprimento e capacidade para 289 passageiros em duas classes, com alcance de 6.500km. Ele deverá ser voltado ao mercado japonês tendo asas menores e mais leves, e um conjunto de trem de pouso reforçado para suportar o maior número de pousos e decolagens.

versão 787-8 será uma aeronave básica com 56 metros de comprimento e 59 metros de envergadura. A capacidade será de até 217 passageiros em três classes com alcance de 15.700km, tendo peso máximo de decolagem de 217.000kg. O 7E7-8 deverá ser produzido simultaneamente com a versão -3 e deverá entrar em serviço em 2008.

O modelo 787-9 será seis metros maior que as demais versões e poderá, desta forma, transportar 257 passageiros em três classes com alcance de 15.400km e peso máximo de decolagem de 226,800 kg. Esta versão deverá entrar em serviço apenas em 2010.

O lançamento oficial do 787 aconteceu em 26 de abril de 2004, quando a ANA - All Nippon Airways formalizou o contrato para a aquisição de 50 aeronaves.

Desde o lançamento em abril de 2004 até janeiro de 2005 o 787 já contava com 120 encomendas, sendo 50 da ANA, 6 da First Choice, 4 da Blue Panorama, 20 da Primaris Airlines, 30 da Japan Airlines, 4 Vietnam Airlines e 10 da Continenal Airlines.

Caso todas as expectativas sobre o avião se confirmem ele será realmente o avião dos sonhos.
 
 

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