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| A Embraer apresenta um recorde histórico de faturamento e
lucro em 2004, ano que comemorava seus 35 anos anos de fundação.
Enquanto a subsidiária Neiva entregava o miléssimo Ipanemão. |
Texto:
Solange Galante | Fotos: Embraer |
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| Há
alguns dias, a Embraer, Empresa Brasileira de Aeronáutica,
divulgou à imprensa e investidores seus números finais
do exercício de 2004, ano em que comemorou 35 anos desde
sua fundação. Não poderia ter sido melhor.
A empresa com sede em São José dos Campos, obteve
um recorde histórico de faturamento e lucro. A receita líquida
da empresa atingiu R$ 10,231 bilhões, ou seja, um valor 55,7%
superior a 2003. O lucro líquido mais que dobrou em relação
ao exercício anterior, atingindo R$ 1,256 bilhão.
No mesmo período, os pedidos em carteira totalizavam US$
10,1 bilhões (ordens firmes).
A empresa terminou
2004 como segunda maior exportadora brasileira. O volume de exportações
de suas aeronaves totalizaram US$ 3,3 bilhões, com uma contribuição
líquida na balança comercial de 2004 de US$ 1,4 bilhão,
ou, sozinha, 4% do saldo.
Em 2004 foram
132 os pedidos firmes de aeronaves (101 para a família EMBRAER
170/190 e 31 para a família ERJ 145). Uma vitória
com gostinho especial, ninguém nega, foi a assinatura do
contrato com a Air Canada, conterrânea da rival Bombardier,
que comprou 45 EMBRAER 190 e 15 EMBRAER 175, com opção
para mais 60 aviões da mesma família. Apesar do pedido
de concordata da norte-americana US Airways, um dos principais clientes
da empresa brasileira, que levou a Embraer a revisar o seu plano
de entregas de 2004 (160 aeronaves) e de 2005 (170 aeronaves) para
145 unidades em cada ano, o ano de 2004 terminou com a entrega de
148 aviões, portanto, três a mais que o previsto. Destaque
também para as atividades da subsidiária chinesa Harbin
Embraer Aircraft Industry Company, que já produziu e entregou
os cinco primeiros jatos para o cliente lançador, a maior
empresa aérea local, a China Southern Airlines. |
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A
Embraer também experimentou importante vitória na
área militar (defesa) ao vencer a concorrência para
o fornecimento da plataforma de um novo sistema de controle de campos
de combate para o Exército dos Estados Unidos, em parceria
com um grupo de empresas daquele país liderado pelo Lockheed
Martin Corporation. Falando nos EUA, a Embraer lançou também
a pedra fundamental para a construção de uma nova
fábrica naquele país, em Jacksonville, Flórida.
Esses foram
alguns dos fatos mais relevantes para a companhia, que praticamente
destacou-se em todas as áreas em que atua, acrescentando-se
também a atuação no mercado corporativo (onde
o Legacy é a grande estrela), serviços ao cliente,
e não esquecendo também do retorno humano, como preocupação
com qualidade de vida, treinamento, benefícios e incentivos
aos funcionários (hoje são mais de 14.600 empregados)
e responsabilidade social (meio ambiente, comunidades, participação
no Programa Fome Zero etc).
Esse balanço
altamente positivo foi divulgado pela empresa em evento realizado
no hotel Renaissance, em São Paulo (SP), onde Maurício
Botelho, diretor presidente da Embraer, detalhou todos os itens
que compuseram os resultados de 2004 e colocou-se também
inteiramente à disposição para que os presentes
tirassem suas dúvidas. |
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| FATORES EXTERNOS |
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Botelho
não deixou de analisar fatores de mercado que afetam e afetaram
a empresa, além da concordata da US Airways: a alta competição
entre as empresas aéreas, por exemplo. Mundialmente, aumenta
o volume de passageiros transportados, mas houve substancial queda
nas tarifas. Nessa equação, sobressaem-se as empresas
de categoria low cost low fare. Uma importante cliente Embraer dessa
categoria é a norte-americana JetBlue. Como reflexo dessa
mudança de cenário, segundo Botelho, várias
empresas mostram-se interessadas em aviões de 50 a 100 lugares
para solucionar seus problemas de demanda. Especialmente com o relaxamento
das chamadas scoupe clauses, que limitavam a quantidade de jatos
menores pelas companhias aéreas norte-americanas, por motivação
sindical. Isso nos dá a prova de que a dedicação
da Embraer a esse nicho de mercado não foi uma aposta cega
mas uma excelente percepção de como o mercado estaria
se desenvolvendo.
É possível
melhorar ainda mais esse resultado positivo e o Brasil poderia beneficiar-se
com isso resolvendo os problemas de financiamento (que são
em dólares) da indústria de transporte aéreo
nacional e a questão tributária, altamente prejudiciais
às vendas internas.
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| OS PASSOS CONCRETOS DE UMA REVOLUÇÃO |
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E a Embraer
já sai na frente em 2005, prometendo um ano igualmente próspero.
Chegando aos quatro dígitos, a Neiva, subsidiária da
Embraer sediada em Botucatu (SP), entregou em março seu milésimo
EMB 202 Ipanema (carinhosamente chamado de Ipanemão). E, mais
do que isso trata-se do primeiro avião de série movido
a álcool (AvAlc). A felizarda foi a Agrifor, empresa sediada
na cidade com sugestivo nome de Sorriso, no Mato Grosso, importante
estado produtor agrícola brasileiro.
Ao som de "O
Brasileirinho", o Ipanemão verde PT-UTF foi apresentado
não só à imprensa, mas também a convidados,
incluindo-se aí os funcionários da Neiva. Mais do que
a redução dos custos operacionais na operação
de aviões agrícolas (prevista como 20%) o uso do álcool
em aviões, que é o mesmo combustível automotivo
produzido no Brasil, é a esperança de que em futuro
não muito distante também a área de treinamento
beneficie-se com essa redução de custos, para que a
aviação geral brasileira deixe de agonizar diante dos
altos preços da gasolina de aviação. |
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