Caos!
Esta foi à palavra repetida em todos os aeroportos brasileiros
durante o feriado de finados.
Porém ela define muito mais do que apenas o atraso sofrido
por quase a totalidade dos vôos naquele feriado, ela reflete
o atual estado da aviação brasileira. Um enorme
e assustador caos.
A operação padrão dos controladores de vôo
traz a tona um importante debate, o estado de sucateamento de
todo o sistema aeronáutico brasileiro.
Durante mais de sessenta anos a aviação civil brasileira
foi controlada pela Aeronáutica, que apesar das enormes
dificuldades sempre realizou um brilhante trabalho, mesmo que
não tenha agradado a todos.
Desde o final do regime militar o sistema de tráfego aéreo
brasileiro e toda a infra-estrutura aeronáutica foi jogado
de lado pela política brasileira, que passou a ignorar
completamente toda aviação brasileira, da civil
a militar.
Não apenas o setor civil vem sofrendo com o descaso, as
forças armadas a cada ano perdem mais do orçamento
enquanto deputados federais e senadores continuam aumentando constantemente
seus já elevados salários.
Após a criação do Ministério da Defesa,
o país assistiu a ascensão de inúmeros ministros
e sem o menor conhecimento sobre defesa e aviação.
Talvez os dois mais emblemáticos tenham sido o ex-Ministro
José Viegas e o atual Ministro Waldir Pires. O primeiro
esboçava parcos conhecimentos sobre defesa, apesar de ter
atuado por vários anos representando o Brasil em reuniões
sobre o tema ao redor do mundo. A situação que não
era boa desde o governo Fernando Henrique deteriorou rapidamente
com a crise da VARIG e os inúmeros equívocos cometidos
pelo Ministério da Defesa, que entrou em um assunto empresarial
tentando evitar a crise gerada pela falência da empresa.
Porém, as soluções encontradas levaram a
substituição imediata do ministro Viegas, que teve
na crise da VARIG o golpe final para que militares e mesmo empresários
cobrarem sua saída.
Demonstrando total incapacidade de lidar com uma crise de tal
importância, o governo nomeia interinamente o vice-presidente
José Alencar, que passava a exercer dois cargos de extrema
importância no país. Devido às sérias,
mas obvias limitações que representava ter como
ministro um vice-presidente, em 2006 foi nomeado para assumir
o Ministério da Defesa o então ministro do Controle
e Transparência e chefia a Controladoria Geral da União
– CGU, Waldir Pires.
Que mesmo tendo vasta experiência como Ministro, não
tem a menor vocação ou conhecimento sobre assuntos
ligados à defesa. Com a crise do “apagão aéreo”,
como ficou conhecida a operação padrão realizada
pelos controladores de vôo, o Ministro mostrou sua total
incompetência a frente da Defesa. Não raro foram
as vezes que ao ser questionado sobre a crise, realizou declarações
superficiais ou usou fraseologia aeronáutica que não
domina para no final em nada responder as questões colocadas.
Tal despreparo já vinha sendo notado desde o trágico
acidente com o Boeing 737 da Gol, no final de setembro. Na ocasião
o Ministro chegou a afirmar que houve uma colisão e que
se acreditava que a culpa era do Legacy! No momento que as equipes
de busca não haviam sequer encontrado os destroços
do Boeing.
Atuação similar veio da Agencia Nacional de Aviação
Civil – ANAC, que desde sua criação vem tendo
uma atuação vergonhosa. Sendo que no citado acidente,
a diretora da agencia Denise Abreu declarou horas após
o acidente que havia ocorrido uma colisão e que o Legacy
voava em nível errado. Posteriormente demonstrando total
falta de ética e mesmo respeito a mesma respondia de forma
mal educada e estúpida questionamentos realizados por familiares
vitimas do acidente.
A ponto de sua saída da ANAC ser solicitado formalmente
por inúmeros familiares, o que acabou ocorrendo por pressões
internas.
O país vem assistindo uma série de equívocos
na aviação sem tomar nenhuma atitude para reverter
esse caso. A própria imprensa de forma geral tratou a crise
do tráfego aéreo como uma “molecagem”
de alguns controladores de vôo.
Na maioria dos telejornais via-se apenas as longas filas causadas
pelo atraso da maioria dos vôos, mas nenhuma cobertura sobre
o real motivo da operação padrão.
As poucas matérias a respeito limitavam-se a dizer que
a crise era culpa da ausência de oito controladores do CINDACTA
I e que o governo deveria contratar em regime de urgência
mais sessenta controladores.
Restou apenas responder de onde virão estes controladores,
já que a formação desses profissionais requer
no mínimo quatro anos e grandes investimentos.
O problema do controle de trafego aéreo vai muito além
da falta de controladores, chegando ao total sucateamento de grande
parte dos sistemas de controle, como inúmeros radares que
operam no limite de sua capacidade e não raro apresentam
problemas pela falta de manutenção causada pela
obsolencia dos aparelhos e a indisponibilidade de peças
de reposição.
As soluções encontradas pelo Governo Brasileiro,
ANAC e Ministério da Defesa beiram o ridículo. Entre
as medidas tomadas, uma das mais estapafúrdias foi a proibição
da aviação geral e executiva de voar nos horários
de pico, compreendido das 07:30 às 12:30 e das 17:00 às
20:00. A aviação geral, que a anos vem sofrendo
com o descaso das autoridades brasileiras, parece ter recebido
agora uma careta de um nariz de palhaço para demonstrar
a consideração das autoridades com esse importante
segmento da aviação nacional.
Outra solução encontrada para resolver a crise foi
culpar o excesso de aviões no ar. Simples assim.
Entre tantas mazelas restam algumas questões, como para
onde esta sendo destinado o dinheiro arrecadado com a taxa de
uso de alguns auxílios rádio e do serviço
de controle de tráfego aéreo?
E para finalizar, porque uma semana após a crise nos aeroportos
o governo federal anuncia que ira cortar 8% do orçamento
2007 destinado ao Controle de Tráfego Aéreo?
- Caos! Um completo caos ...