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No inicio
dos anos 90, levantamentos realizados pela IATA (International Air
Transport Association), indicaram que com o aumento do tráfego
aéreo mundial, em meados de 2000, a melhor solução
para diminuir os problemas do controle de tráfego aéreo
seria a adoção de aeronaves com capacidade para transportar
mais de 500 passageiros.
Porém devido aos custos para adaptação dos
aeroportos para receber novos “jumbos” seria inviável
a criação de aeronaves com dimensões externas
maiores que a do Boeing 747-400. Sendo que o melhor seria a criação
de novas aeronaves com dois decks integrais.
Em 1993, a Boeing, Aerospatiale, British Aerospace, Casa e Deutshe
Aerospace, iniciaram um estudo conjunto para analisar a viabilidade
de construção de uma aeronave com capacidade para
até 800 passageiros, divididos em dois decks e com custo
de desenvolvimento de até US$15 bilhões (valores de
1993).
O projeto deveria ser liderado pela Boeing, com 50% de participação
e os demais 50% seriam divididos entre as outras empresas parceiras.
O principal motivo da criação de uma parceria era
os elevados custos de desenvolvimento e a expectativa de um mercado
para aproximadamente 500 aviões, o que não viabilizava
a concorrência de duas ou mais aeronaves neste mercado.
Porém nesta mesma época a Airbus iniciou estudos para
o desenvolvimento de uma aeronave com capacidade semelhante ao projeto
proposto pela Boeing. O programa batizado como A3XX previa a construção
de uma aeronave com capacidade para até 600 passageiros divididos
em dois decks e com alcance de 13.000Km.
Em junho de 1994 a Airbus conseguiu superar a Boeing fazendo com
que todos os parceiros europeus se comprometessem com o programa
A3XX.
Diversos modelos foram apresentados durante a fase inicial do programa,
o modelo A2000 proposto pela Deutsh Aerospace previa a construção
de uma aeronave de 79m de comprimento, com 84 metros de envergadura.
Enquanto a proposta da Aerospatiale batizada como ASX600 previa
uma aeronave com 70 metros de comprimento e 75 metros de envergadura.
Em meados de 1997 foi apresentada à configuração
que seria adotada como a base do programa A3XX, um quadrijato com
dois decks integrais, com capacidade para transportar 555 passageiros,
medindo 72 metros de comprimento, 79 de envergadura, com peso vazio
de aproximadamente 275 toneladas.
Após diversos estudos, a Airbus anuncia em 19 de dezembro
de 2000, o lançamento do programa a A380, para a construção
da maior aeronave de passageiros da história da aviação.
Com um custo estimado de US$ 10,7 bilhões, o gigante de três
andares e 560 toneladas com capacidade para transportar 555 passageiros
em configuração de três classes, que promete
revolucionar o segmento de aeronaves de grande porte.
Novos materiais e menos peso
O A380 impressiona não apenas pelo seu tamanho - externamente
o modelo é 35% maior que um Boeing 747-400 – mas também
pelas inovações tecnológicas empregadas no
projeto.
Como uma das principais diretrizes do projeto foi à redução
de peso, o A380 será pioneiro na utilização
de alguns materiais compostos. Aproximadamente 40% da estrutura
será formada por materiais como: ligas de titânio/
aço, fibra de vidro reforçada com alumínio
(glare) e plástico reforçado com fibra de carbono
(CFRP).
O glare (Glass Reinforced Aluminium) é um material formado
pela sobreposição alternada de placas alumínio
e fibra de vidro de 0,4 milímetros de espessura, que são
submetidas a um processo de colagem, prensagem e cura em altas temperaturas.
O que o torna em média 30% mais leve que o alumínio
puro e ainda oferece as mesmas facilidades de usinagem.
Apesar de ser menos denso que o alumínio, ele mostrou ser
mais resistente ao fogo, corrosão, fadiga e a choques. Devido
a estas qualidades ele está sendo empregado em uma ampla
área da fuselagem principalmente no revestimento e reforço
da célula.
Mesmo em estruturas primárias, como a estrutura central de
junção das asas (center wing box), é feita
em CFRP (Carbon Fibre Reinforced Plastic), uma liga de plástico
reforçada com fibra de carbono que reduziu o peso da estrutura
de 5,5 x 6,5 metros em 1,5 toneladas. O CFRP também esta
presente no estabilizador horizontal, profundores, em nervuras e
vigas do piso superior e nos painéis laterais e superiores.
Grande parte das junções está sendo soldada
a laser, o que além de proporcionar melhores resultados,
reduz o número de rebites e outros elementos utilizados para
fixação.
O piso principal é composto por uma liga de alumínio
e lítio, utilizada pela primeira vez na aviação.
Os trilhos de fixação dos assentos serão fabricados
de titânio como nos Boeing 777, que além de ajudar
a reduzir o peso, oferecem maior resistência a corrosão.
A adoção de sistemas hidráulicos de alta pressão
de 5000psi, ao invés de do padrão de 3000psi amplamente
utilizados nas aeronaves comerciais, permitiu reduzir o tamanho
e peso dos componentes hidráulicos. Mas exigiu o uso de materiais
especiais de proteção como titânio e kevlar.
A eficiência do sistema hidráulico é assegurada
pelo uso de atuadores eletro-hidráulicos independentes. Mesmo
contanto com um sistema com uma pressão quase duas vezes
superior a normal, o A380 utilizará o mesmo tipo de fluido
hidráulico usado atualmente.
O sistema gerador de energia também é inovador, trabalhando
com freqüência variável de 370 a 770Hz para cada
gerador de 150kVA, substituindo os convencionais 400Hz.
A freqüência de 400Hz é proporcionada pelos dois
geradores de 120kVA da APU (Auxiliar Power Unit) que é constituído
pelo maior conjunto já fabricado, possuindo uma potência
equivalente a 1700shp.
O sistema de detecção de gelo é feito por ondas
ultra-sônicas, podendo detectar camadas de gelo de apenas
0,13 milímetros!
O conjunto do trem de pouso principal é formado por quatro
pernas. Duas dispondo de um conjunto de seis rodas cada, que podem
girar 16 graus para facilitar as manobras no solo e serão
recolhidas na fuselagem. As outras duas pernas são montadas
sobre um conjunto de quatro rodas, que serão recolhidas nas
asas.
Visando reduzir as forças sofridas pela estrutura interna
das asas, o sistema de combustível efetuará a transferência
do combustível para os tanques externos, durantes os vôos
em cruzeiro. Sendo que o combustível do estabilizador, será
utilizado como compensador longitudinal ajudando a reduzir o arrasto
em vôo nivelado.
Na cabine novas tecnologias
A espaçosa cabine do A380 apesar de manter a padronização
existente com os demais modelos da Airbus irá dispor de novos
e inovadores recursos.
O projeto segue o conceito dark cockpit, onde as luzes acendem apenas
para indicar algum problema. Uma das principais novidades no A380
é a adoção de duas telas OIS (On-board Information
System), utilizadas para acessar o sistema de informação
de bordo.
O sistema OIS armazenara todas as informações de vôo,
incluindo eventuais falhas ocorridas durante todas as fases do vôo,
que poderão ser facilmente acessadas através de um
teclado que será embutido na mesa retrátil presente
em todos os atuais modelos Airbus.
O painel principal está equipado com oito grandes telas de
cristal líquido, sendo duas telas PFD (Primary Flight Display),
duas ND (Navigation Display), uma ECAM (Electronic Centralized Aircraft
Monitor) e três MFD (Multifuncional Display).
O acesso a todos estes sistemas é realizado por Cursos Control
Device (CCD), que tem funcionamento similar à de um mouse.
Entre as novidades incorporadas no A380, está a implantação
do VSD (Vertical Situation Display), que é apresentado na
parte inferior das telas ND. O VSD é um recurso que representa
graficamente o perfil vertical de navegação e os acidentes
de relevo. O que deverá contribuir para redução
dos acidentes tipo CFIT.
Caso o piloto opte por alterar o curso da aeronave, ele poderá
consultar a partir das telas ND todos os dados referentes ao novo
destino como comprimento da pista, auxílios, etc.
Visando aumentar ainda mais a segurança do vôo, a Airbus
configurou a parte inferior da tela central do MFD para exibir permanentemente
informações do controle de tráfego aéreo
e sendo o FMS (Flight Management System) capaz de interagir com
estas informações.
Para facilitar as manobras de táxi, um sistema de câmeras
foi instalado no trem de pouso e no leme sendo estas imagens exibidas
nas telas PFD.
O sistema de controle de vôo possui uma arquitetura duplicada.
Composto por quatro sistemas de controles primários em duas
configurações distintas. Dois são atuados de
forma eletro-hidráulica e outros dois de forma hidráulica.
O A380 poderá ser controlado utilizando-se de qualquer um
dos quatro sistemas.
Mil e Uma idéias para o A380
Possuindo uma área 35% maior que o Boeing 747-400, o Airbus
A380 proporcionara aos operadores diversas opções
de configuração interna, fazendo surgir centenas de
propostas para o aproveitamento de toda esta área.
Idéias é o que não falta, a quem sugira a instalação
de cassino, academia e até mesmo piscina!
Idéias a parte, a configuração básica
oferecida pela Airbus prevê a instalação de
22 poltronas na primeira classe, 96 na classe executiva e 437 na
econômica. Ainda existe a possibilidade para a instalação
de um elegante bar na primeira classe e de um duty free próximo
à escada de acesso ao deck superior.
A complexa logística de produção
A montagem final do A380 é feita em um gigantesco edifício
com 490 metros de comprimento, 250 de largura e 46 metros de altura,
que foi construído no complexo Jean-Luc Langardere, em Toulouse
(França).
A maior parte do A380 será produzida em 15 unidades industriais
localizadas na Alemanha, Espanha, França e Reino Unido, tendo
ainda fornecedores espalhados em mais de 30 paises ao redor do globo.
As seções dianteira e traseira da fuselagem são
produzidas pela DASA (Deutshe Aerospace) na cidade alemã
de Hamburgo, assim como a montagem dos sistemas de vôo. Após
a conclusão dos serviços tais peças são
embarcadas em um navio especialmente construído para o transporte
das mesmas, e levadas até o porto de Saint-Nazaire na França.
Onde são encaminhadas até a unidade da Aerospatiale-Matra
onde é feita a união da seção dianteira
da fuselagem com a seção frontal, incluindo a montagem
do cockpit. Então são enviadas para o porto de Paulliac
seguindo até Langon através de barcas fluviais.
No país de Gales a BAE System (Bristish Aerospace) está
encarregada da montagem das asas e dos trens de pouso, em Broughton
e Filton respectivamente. Estas são enviadas por barcas até
o porto de Langon, onde encontram as seções dianteira,
central e traseira da fuselagem e são embarcadas em caminhões
especiais que as transportaram até Toulouse, onde é
realizada a montagem final do A380.
A espanhola CASA (Construciones Aeronauticas S.A.) produz as seções
em material composto da fuselagem, que são enviadas até
a França através do super cargueiro A300-600ST “Beluga".
A montagem do interior e pintura externa é realizada na cidade
de Hamburgo, onde a aeronave será entregue aos operadores
da Europa e Oriente-Médio. A entrega para clientes de outras
partes do mundo será realizada em Toulouse, devido às
restrições impostas pelo comprimento da pista da unidade
de Hamburgo.
A logística envolvida na produção do A380 pode
ser considerada o maior símbolo da união européia.
A Airbus acredita que o mercado deverá absorver aproximadamente
1500 novos aviões com capacidade para mais de 400 passageiros,
sendo a Ásia o principal mercado, absorvendo aproximadamente
55% das encomendas, seguida pela Europa com 23% e Estados Unidos
com 18%.
Para a América do Sul (entenda como Brasil, Argentina e Chile)
a Airbus acredita que até 2020 deverão ser vendidos
em média 30 aviões com capacidade superior a 400 passageiros.
São projeções ambisiosas, mas segundo a Airbus
totalmente realistas.
Até o fechamento desta edição (agosto de 2004)
a Airbus já havia recebido 129 encomendas, de onze operadores
diferentes para seu A380, incluindo a versão cargueira com
17 pedidos.
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