No início de
abril, a Embraer apresentou seu balanço financeiro referente
2005. Ao se verificar os números de desempenho da empresa,
fica evidente, como o próprio presidente Maurício
Botelho destacou, que a valorização do Real frente
ao dólar causou um grande impacto nas contas da empresa.
Mas nada que comprometesse seu excelente desempenho no mercado.
Devido diretamente à valorização do Real,
a Receita Líquida diminuiu, de R$ 10,23 milhões
em 2004 para R$ 9,13 milhões em 2005 mas, como pode-se
verificar pelo “Caixa Líquido”, o saldo de
liquidez da empresa passou de R$ 61 milhões em 2004 para
R$ 842 milhões em 2005, sem dúvida, um salto muito
expressivo e muito favorável.
Com os custos em reais crescendo, enquanto o dólar prossegue
desvalorizado, a empresa está optando por aumentar a produtividade
e reduzir custos para aumentar sua lucratividade e não
ficar dependendo apenas da situação do câmbio.
Não deixa de ser um desafio, mas a empresa está
vencendo, considerando-se que em 2001 produzia apenas um produto
e só em uma fábrica, o que gerava sem dúvida
maior produtividade.
Mas custos no Brasil, ainda são considerados menores que
no exterior, sendo que o problema maior é a eficácia
do sistema, menor no Brasil.
Maurício Botelho também chamou a atenção
para a manutenção do backlog, ou seja, os contratos
em carteira, que vêm se mantendo desde 2003. Em pedidos
firmes, US$ 10,6 bilhões em 2003, US$ 10,1 bilhões
em 2004 e US$ 10,4 bilhões em 2005, com, respectivamente,
os seguintes valores para opções de compra: US$
17,5 bilhões, US$ 17,5 bilhões e US$ 13,6 bilhões
– apenas esta pequena queda no ano passado.
No market share global a empresa mantém 46% do mercado
na faixa de aeronaves de 30 a 60 assentos, 36% na faixa de 61
a 90 assentos, 57% na faixa de 91 a 120 assentos e 46% considerando-se
toda a faixa de 30 a 120 assentos.
A diretoria da empresa não deixou de relembrar fatos marcantes
ocorrido em 2005, como o lançamento dos novos jatos executivos
Phenom 100 e Phenom 300, entregas de aviões comerciais
a diversas e importantes companhias no mundo, a compra da OGMA
de Portugal, que incrementou a área de serviços
da empresa, a entrega do 900o avião da família ERJ-145
e do 100o avião da família Embraer 170/190, dentre
inúmeros outros fatos.
Na aviação comercial, reajustes no contrato com
a concordatária norte-americana US Airways, em 2005, foram
favoráveis à Embraer pois a encomenda inicial de
aeronaves Embraer 170 foi convertida para o modelo 190. São
ordens firmes e confirmadas que valorizarão o backlog da
Embraer em 2006.
Houveram, entretanto, duas decepções na área
militar: o cancelamento do programa brasileiro F-X (onde o foco
da Embraer era capacitação tecnológica) e
cancelamento do programa norte-americano ACS, creditado a um processo
de trabalho muito complexo, no qual a plataforma proposta pela
Embraer se tornou incompatível.
O número de empregados também cresceu. Em menos
de 10 anos a Embraer passou da quantidade mínima de 3.200
pessoas em abril de 1997 para 17.086 em fevereiro de 2006, sendo
14.660 no Brasil (incluindo-se funcionários da subsidiária
ELEB) e 1.586 em Portugal (graças à OGMA). Funcionários,
aliás, altamente qualificados, sendo cerca de 36% do total
com cursos universitários, pós-graduados e mestres
ou doutores.
Antônio Luiz Pizarro Manso, vice-presidente financeiro da
companhia, destacou o volume de entregas da Embraer nos últimos
anos. Em 2005 a empresa tinha a previsão de 145 entregas
mas cumpriu 141. No entanto, logo no início de 2006 foram
entregues as aeronaves que faltavam para completar o número.
A previsão para 2006 é novamente de 145 entregas,
com aumento para 150 aeronaves em 2007.
Também o ciclo de produção das aeronaves
da família Embraer 170/190 diminuiu: em 2002 era de oito
meses por aeronave e em 2005 foi de 4,4 meses.
Em 2004, a receita da Embraer provinha em 76,1% da aviação
comercial e 6,9% da aviação executiva, números
que, em 2005,foram os seguintes: 71,5% da aviação
comercial e 7,2% da aviação executiva. É
evidente o aumento dos investimentos da Embraer na área
corporativa. Os investimentos projetados para 2006 e 2007 são,
respectivamente, na aviação comercial, de US$ 88
milhões e US$ 54 milhões sendo que, para a aviação
executiva, são de US$ 70 milhões e US$ 88 milhões.
Analisando-se a receita da Embraer por região geográfica
observa-se crescimento da participação da empresa
na Europa (14,5% em 2005 contra 11,2% em 2004) e outras regiões
que não Américas, Europa e Brasil (de 4,2% em 2004
para 9,7% em 2005). Enquanto isso, houve pequeno decréscimo
nas Américas (68,1% em 2005 contra 76,3% em 2004) e, para
lamentarmos particularmente, redução de 8,3% em
2004 para 7,7% em 2005 no Brasil.
A Reestruturação societária da Embraer aprovada
em 31 de março por 63% dos votantes serve como um mecanismo
de proteção para a empresa, ao torná-la uma
empresa de capital pulverizado evitando concentração
de ações em grandes grupos. 100% das ações
são ON e estão assim distribuídas: 39,34%
na bolsa de Nova Iorque, 16,42% no Fundo Previ, 11,66% na Bovespa,
9,87 % na Cia. Bozano, 7,50% no Grupo Europeu (EADS, desde 1999),
7,35% na Sistel, 6,32% na BNDES-PAR, 1,20% na Bozano Holdings,
e 0,32% na União Federal.
Na mesma semana a Embraer promoveu um Media Day, com visita á
área de produção e palestras, tendo recebido
mais de 20 jornalistas estrangeiros de 13 países diferentes.
AirOnLine foi uma das apenas duas representantes brasileiras que
compareceram ao evento. O tema era sobre os novos produtos corporativos
da companhia, o VLJ (very light jet) Phenom 100, o LJ (light jet)
Phenom 300 e o Legacy 600. A imprensa pôde conhecer profundamente
detalhes dos projetos, perspectivas de mercado e muitos outros
detalhes pertinentes. A meta da Embraer é chegar a 15%
do market share da área corporativa e entre 25 e 30 Legacy
deverão ser entregues em 2006. Quantos aos Phenom, a empresa
destacou seu conforto e que compete com aeronaves de categorias
superiores a dos VLJs e LJs, como a categoria entry level, cujo
representante Cessna CJ1 foi usado na comparação
com o Phenom 300.
Tal como o Legacy, melhorado gradativamente até chegar
ao modelo atual, o 600, os Phenom também deverão
receber novas tecnologias á medida que seu desenvolvimento
avançar. Atualmente, destaca-se o sistema brake by wire,
considerado inédito nesta classe de avião (VLJ e
LJ).
Luís Carlos Afonso, vice-presidente sênior de aviação
executiva da companhia, observou que o Phenom já está
sendo até mesmo cogitado por uma cia. Aérea internacional
(cujo nome ele não revelou) para o treinamento de seus
pilotos.
A empresa deverá lançar em breve outras categorias
de aviões executivos, com anúncio ainda este ano,
deixando em abertoa possibilidade que sejam dos segmentos Mid-Light,
Mid-Size, Large, Ultra Longe Range ou Ultra large.