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| NEIVA completa 50 anos. Quem é NEIVA? |
Texto:
Solange Galante | Foto: Eduardo França |
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O
dia 12 de outubro de 2004 marcou os 50 anos de uma das mais importantes
indústrias brasileiras na área de aviação,
a Indústria Aeronáutica Neiva. Localizada hoje em
Botucatu, interior de São Paulo, a Neiva nasceu, porém,
no Rio de Janeiro, mais exatamente no Aeroporto de Manguinhos, na
capital fluminense. Seu fundador, José Carlos Neiva, com
o auxílio de 18 colaboradores, iniciou a produção
dos planadores BN-1, um projeto próprio. Tratava-se de um
planador monoplace, do qual derivou outro modelo, o Neiva B Monitor,
biplace.
O Neiva B Monitor
foi adquirido em expressivo número pelo Departamento de Aviação
Civil (DAC) e repassado para diversos clubes de vôo a vela
no País. Já em 1956 a empresa transferiu-se para Botucatu,
cidade de onde nunca mais saiu. José Carlos Neiva contou
com o apoio do Brig. Casemiro Montenegro Filho, criador do Centro
Técnico Aeroespacial (CTA) e do Cel. Aldo Vieira da Rosa
para convencer o industrial Francisco Pignatari a ceder-lhe a licença
de fabricação do CAP 4 Paulistinha – o avião
de treinamento civil mais famoso do Brasil. Objetivo alcançado,
Neiva passou a produzi-lo como Neiva P-56, do qual 240 exemplares
foram fabricados e entregues a aeroclubes brasileiros para instrução
de pilotos. Muitos ainda treinam novos pilotos Brasil afora. |
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A
Neiva também obteve grande sucesso com treinadores para uso
militar, ao fabricar o C-42 (U-42) Regente, o Regente Elo L-42 e
o Universal T-25– este último voou até mesmo
pela esquadrilha Cometa Branco, precursora da fase T-27 do Esquadrão
de Demonstração Aérea, e ainda voou pela própria
Esquadrilha da Fumaça, entre 1981 e 1983. O T-25, aliás,
foi o precursor do T-27 Tucano, indiscutível sucesso da Embraer
a partir da década de 80.
A partir de 1960 a Neiva aproximou-se
do CTA, exercendo suas atividades também em São José
dos Campos para dar maior incremento ao setor de pesquisas e desenvolvimento
de novos tipos de aeronaves. A Embraer, criada dentro do CTA em
1969, deu grande impulso à Neiva. Na década de 70,
uma parceria entre as duas, iniciou a montagem no Brasil de aviões
da linha Piper.
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Surgiram
os modelos Corisco, Tupi, Carioca, Seneca, Navajo, Sertanejo e Minuano,
que adquiriram grande confiabilidade e excelentes vendas país
afora.
A Embraer assumiu o controle acionário
da Neiva em 11 de março de 1980 e transferiu a engenharia
e toda linha de produção dos aviões leves para
Botucatu, o que provocou a desativação das instalações
industriais da Neiva em São José dos Campos. Também
a produção do avião agrícola Ipanema
foi transferida para lá.
Em 1982 a Neiva iniciou o processo de conversão
de aviões Navajo (com motores a pistão) em Carajá
(com motores turboélices) e em 1990 iniciou a nacionalização
de componentes da linha Piper. No final da década de 90 foi
a vez da transferência da linha de montagem do EMB-120 Brasília,
que se prolongou até 2003, quando este bimotor turboélice
deixou de ser produzido. Hoje, como subsidiária da Embraer,
a Neiva produz em Botucatu componentes da família ERJ 145
e da família EMBRAER 170/190 e também partes do ALX/Super
Tucano de treinamento militar. Prossegue também a produção
do EMB-202 "Ipanemão”.
Atualmente com 1.324 empregados e mais de
3.800 aviões entregues, a Neiva é líder brasileira
na produção de aviões para pulverização
agrícola. Já foram produzidos quase 1.000 unidades
do Ipanema em mais de 30 anos de produção contínua,
totalizando hoje 80% da frota nacional nesta área. A comemoração
dos 50 anos da Neiva coincidiu com a certificação,
pelo CTA, do EMB-202A , o “Ipanemão” a álcool,
uma promessa para reduzir os custos operacionais na utilização
de aviões agrícolas.
Por tudo isso a Neiva é um capítulo
importantíssimo da história da aviação
brasileira, e que ainda está sendo escrito. |
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