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Manutenção Aeronáutica e Controle de Qualidade em Prol da Segurança de Vôo
Abordamos um estudo sobre Gerenciamento do Risco na manutenção e práticas de Gerenciamento de Recursos em Manutenção. Analisando o comportamento humano e as falhas que conduziram acidentes aeronáuticos.
Texto: Vivien Aparecida Corazza da Costa | Imagens: Divulgação
 
    Universidades de Ciências Aeronáuticas americanas e européias têm estudado há anos o comportamento humano e as falhas que conduziram a acidentes aeronáuticos. Conforme JENSEN (1995) todas as metodologias aplicadas para a redução dos acidentes, inclusive o CRM (Crew Resource Management) foram implantados com sucesso, garantindo desta forma melhorias no fator humano e na sua capacidade de julgamento, análise, tomada de decisão, consciência situacional e julgamento. Depois de estudos efetuados por GOGLIA (1999), novas metodologias foram aplicadas na condução da Manutenção Aeronáutica e estudos profundos foram dedicados a resolução de problemas humanos nesta área.

    Estima-se que a falha na Manutenção é a segunda causa de acidentes, após o CFIT (Controlled Flight Into Terrain) que mais causou fatalidades a bordo entre os anos de 1982 e 1991 (Davis, 1993). Aeronaves se tornaram mais fortes e velozes, seus motores mais sofisticados e os instrumentos rádio e radar mais eficientes. Da mesma forma, o treinamento e os procedimentos operacionais ficaram mais avançados em todo o mundo (BEAUTY, 1995).

    Compreender o que é uma Organização de Manutenção Aeronáutica e como ela funciona é importante tarefa para quem pretende trabalhar com Prevenção de Acidentes em Manutenção.
Organizações de Manutenção Aeronáutica
    No Brasil, o Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica - RBHA 145 – é o documento que estabelece requisitos necessários à emissão de Certificados de Homologação de Empresas de Manutenção (CHE) de aeronaves, células, motores, hélices, rotores, equipamentos e partes dos referidos conjuntos.
    Estabelece ainda regras gerais de funcionamento para os detentores de tais certificados, definindo padrões, classes, tipos de serviço e limitações para a emissão de cada CHE.

    A Manutenção é subdividida em etapas, como manutenção preventiva, modificações, reparos ou inspeções.
    As empresas do ramo são classificadas em padrões e classes. Seus certificados de homologação são limitados ainda à manutenção, modificações e reparos em um (ou mais de um) particular modelo de aeronave, motor, hélice, rotor, equipamento, acessório ou instrumento de um particular fabricante, ou de um (ou mais de um) particular tipo de serviço especializado de manutenção. Para que isto seja determinado, a empresa deve possuir dados suficientes sobre cada modelo referente ao equipamento no qual pretende efetuar a manutenção.

    Para que a manutenção ocorra com segurança, deve prover também locais adequados, de modo que o trabalho sendo executado seja protegido dos elementos atmosféricos, poeira e calor e os executantes estejam protegidos de condições físicas e ambientais.
 
Pessoal e Qualificações
    Somente pessoas habilitadas e com vínculo empregatício para executar, supervisionar e inspecionar o trabalho podem efetuar os serviços para o qual a empresa é homologada. Os responsáveis pela direção devem selecionar cuidadosamente seus empregados e examinar sua capacidade para executar atividades de manutenção, tomando por base testes práticos e experiência anterior. Em qualquer situação, o pessoal responsável por funções de direção e controle de qualidade deve estar habilitado pelo CONFEA/CREA, o pessoal responsável por funções de supervisão e execução deve estar credenciado e habilitado pelo DAC (Departamento de Aviação Civil). As organizações devem ter um sistema de inspeção que possa produzir controle de qualidade satisfatório, e que atenda a diversos requisitos.

    O pessoal de inspeção deve estar perfeitamente familiarizado com os métodos, técnicas e equipamentos de inspeção a serem usados em sua especialidade para determinar a qualidade ou aeronavegabilidade do produto sendo mantido, modificado ou reparado.

    Deve-se manter proficiência no uso dos diversos auxílios de inspeção que pretendam utilizar em seu trabalho, possuir e entender informações relativas a aeronavegabilidade e especificações correntes envolvendo tolerâncias, limitações e procedimentos de inspeção estabelecidos pelo fabricante do produto sendo inspecionado e pela autoridade aeronáutica.

    Em casos em que dispositivos magnéticos, fluorescentes ou outras formas de dispositivos mecânicos de inspeção sejam usados, ser proficientes na operação do dispositivo e ter capacidade para interpretar adequadamente os defeitos indicados por ele. A empresa deve prover métodos satisfatórios de inspeção em material recebido, de modo a assegurar que antes dele ser colocado em estoque para uso em uma aeronave ou em partes da mesma, ele esteja em bom estado de conservação e uso e livre de defeitos ou falhas aparentes.