Parte II
No início
dos anos 70, a direção da VARIG, na época
sob comando do presidente Erik de Carvalho, já havia manifestado
seu interesse em adquirir aeronaves wide-body. A concorrência
era entre o modelo DC-10 da McDonnell Douglas e o 747 da Boeing.
A Boeing enviou ao Brasil o presidente do conselho diretor da
Boeing Co. William Allen. Que foi encarregado de trazer todas
as argumentações e números para tentar uma
negociação, fazendo frente não só
à McDonnell Douglas, mas principalmente à Aerospatiale
que havia acabado de enviar um grupo de executivos para tentar
colocar o mais rápido possível o Concorde nas cores
da maior empresa da América Latina.
Erik de Carvalho descartou, de maneira enfática, a tentativa
européia alegando que, embora se tratasse de uma aeronave
com características tecnológicas inquestionáveis
era muito cedo para dizer se esta seria ou não um bom negócio
para a VARIG.
A VARIG acabou escolhendo o modelo da McDonnell Douglas que possuía
além de um valor unitário menor do que o Boeing
747, um custo operacional menor e atendia mais adequadamente as
reais necessidades das rotas internacionais operadas pela VARIG
naqueles anos.
O Jumbo chega a VARIG
Em abril de 1980, Hélio Smdit assume a presidência
da VARIG e em janeiro de 1981 foi assinado junto à Boeing
o contrato para a compra de três Boeing 747-200.
Inicialmente, os três 747-200B, na configuração
Combi, foram encomendados pela Libyan Arab Airlines. Mas a venda
fora vetada pelo Departamento de Estado norte-americano devido
ao embargo comercial imposto pelos Estados Unidos à Líbia.
Devido ao volume de encomendas, a linha de produção
do 747 estava completamente lotada. Com isso a Boeing ofereceu
a VARIG estas três unidades que já se encontravam
a disposição para entrega imediata.
Em novembro 1980, um grupo formado por dez veteranos pilotos do
Douglas DC-10-30 e Boeing 707 da VARIG desembarcavam em Paine
Field cujo objetivo era iniciarem um extenso programa de treinamento
técnico para meses depois formarem as primeiras tripulações
dos três recém adquiridos Boeing 747 pela VARIG.
As tripulações do 747 seriam formadas pelos mais
experientes comandantes do Douglas DC-10-30 que teriam como companheiros
de cabine os primeiros-oficiais do Boeing 707.
Uma das maiores novidades encontradas pelos pilotos brasileiros
na cabine do 747-200 era o imenso número de recursos eletrônicos.
Para os pilotos do DC-10-30, o processo de transição
não representava uma diferença tão grande,
ao contrário dos pilotos do 707 que encontravam abordo
do 747 um universo completamente diferente do encontrado no 707.
A VARIG configurou seus 747-200B com apenas 268 assentos, sendo
232 na classe econômica e 36 na primeira classe. A primeira
classe, inicialmente, foi acomodada no piso superior e os passageiros
chegavam até ele por uma escada em estilo caracol colocado
próxima a porta principal de embarque. Mais tarde, a primeira
classe foi transferida para a área frontal do piso inferior
como na maioria dos 747 em serviço no mundo. Em virtude
da maior parte dos passageiros dessa classe serem pessoas com
mais idade.
No dia nove de fevereiro de 1981, a VARIG apresentava ao público
o seu primeiro 747, matriculado PP-VNA.
Os 747 da VARIG foram colocados em serviço na linha Rio
- New York, concorrendo assim em condições de igualdade
com a PANAM que utilizava o modelo 747-100 em seus vôos
diários entre os dois paises. Posteriormente, colocado
em serviço na linha Rio - Frankfurt com escala em Paris,
concorrendo, agora, com os 747 da Lufthansa.
A entrada efetiva dos 747 da VARIG na linha para New York só
se deu após o recebimento do segundo exemplar, PP-VNB,
que veio de Seattle, aterrisou em New York e assumiu o vôo
RG861, dando inicio aos vôos diários com o jumbo
entre os Estados Unidos e o Brasil. O PP-VNC pousou no Rio de
Janeiro na manhã do dia 20 de março já transportando
passageiros desde New York.
No dia dois de abril, a VARIG inicia os vôos com o 747 para
Frankfurt e Paris. O vôo 740 era operado pelo 747 as terças,
quintas e domingos e o vôo 741 (retorno), as segundas, quartas
e sexta. Desta forma, reprogramando o uso dos DC-10-30 da frota.
A terceira dinástia
O aumento da demanda fez com que a VARIG encomendasse novos 747
à Boeing. Desta vez na versão -300, que era uma
versão com o upper-deck alongado e com motores mais potentes,
elevando, assim, o peso máximo de decolagem para 377 toneladas
contra as 271 do modelo -200.
Os dois primeiros 747-300 (PP-VNH e PP-VNI) chegaram ao Brasil
em dezembro de 1985, substituindo os DC-10-30 na rota Rio - Tóquio,
com escala em Los Angeles.
Entre abril e maio de 1988 foram incorporados à frota mais
três 747-300, (PP-VOA, PP-VOB, PP-VOC) estes pertencentes
à empresa de leasing ILFC com opção de compra.
Sendo estes os primeiros 747 da VARIG configurados exclusivamente
para o transporte de passageiros.
A configuração escolhida pela VARIG foi de 17 assentos
na primeira classe, 70 na classe executiva (sendo 44 no piso principal
e 26 no piso superior) e 318 na classe econômica.
O curto reinado da série
-400
Em 1991, a VARIG, sob a presidência de Rubel Thomas, inicia
uma ampliação e modernização da frota
trazendo os moderníssimos McDonnell Douglas MD-11 e os
recém lançados Boeing 747-400.
O primeiro 747-400 PP-VPI chegou ao Rio de Janeiro no dia sete
de setembro de 1991. Este exemplar havia sido construído
sob as especificações feitas pela Canadian International
que cancelou a entrega tendo, desta forma, a Boeing oferecido
a aeronave à VARIG. Por este motivo, assim que a aeronave
chegou ao Brasil, ela foi encaminhada as oficinas da VARIG, no
Galeão, para receber algumas modificações
em sua configuração interna.
Ele foi configurado para transportar 403 passageiros em três
classes e entrou em serviço inicialmente na rota Rio de
Janeiro - Copenhagen com escalas em São Paulo e Londres.
Em dezembro do mesmo ano entrou em serviço na linha Rio
- Milão.
Com o recebimento do segundo 747-400 PP-VPG, em junho de 1992,
a VARIG pôde concretizar o lançamento da nova linha
para Hong Kong com escalas em Johannesburgo e Bancok.
Em 20 de abril de 1993, chegava ao Brasil o terceiro modelo -400
PP-VPH que foi utilizado para realizar os vôos para Tóquio
e Nagóia. Os 747-400 voaram também para Milão,
Roma, Frankfurt e Bueno Aires.
Em 1994, devido a crise iniciada em 1991 com a Guerra do Golfo,
a VARIG, visando enxugar as despesas, inicia uma série
de medidas de contenção de gastos e decide rever
inúmeros contratos de leasing. Dentre as medidas adotadas
estavam o cancelamento das demais entregas dos Boeing 747-400,
além da devolução das três aeronaves
utilizadas, devido ao custo mensal dos contratos de leasing, que
chegavam a US$ 700 mil por avião. Um valor extremamente
elevado para a época e ainda para a atualidade. Ainda nos
dias de hoje parte da dívida da VARIG ainda é referente
a esses contratos.
Mudanças na frota
Os dois 747-300 PP-VNH e PP-VNI que haviam sido retirados de serviço
foram reativados em 1995 e colocados na linha São Paulo
- Manaus - São Paulo devido sua grande capacidade no transporte
de carga.
Em 1996, os três 747-200B foram vendidos para a Cathay Pacific
depois de serem convertidos para a versão cargueira.
Em 15 de outubro de 1997, o Boeing 747-300 PP-VNH apresentou o
novo padrão visual da VARIG. A cerimônia, para dois
mil convidados, foi realizada no interior do imenso hangar localizado
no aeroporto do Galeão.
No mês de junho de 1999, após realizar o vôo
RG839 (Tóquio - São Paulo), o 747-300 PP-VOC encerrava
os vôos comerciais do jumbo nas cores da VARIG.
Os Jumbos deixaram saudades nos privilegiados passageiros e tripulantes
que puderam voar nesta que é considerada por muitos a maior
obra prima da industria aeronáutica.