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O desenvolvimento
do 707 remota do final dos anos 40 quando o Boeing 377 Stratocruiser
já havia alcançado o limite de seu desenvolvimento.Nesta
mesma época, final da segunda guerra, e com a conseqüente
derrota da Alemanha Nazista, os norte-americanos tiveram acesso
aos estudos alemães sobre asas enflechadas e motores a jato.
Nesta época, inicio da Guerra Fria, a Boeing iniciou a produção
de grandes bombardeiros a jato sendo que o primeiro deles foi o
B-47 Stratojet, seguido pelo famoso B-52 Stratofortress. Este último
continua sendo um dos principais bombardeiros da USAF (United States
Air Force) mesmo após cinqüenta anos de seu desenvolvimento.Nesta
época, a recém criada USAF tinha como aeronave REVO
o KC-97, a pistão que possuía uma velocidade muito
menor que a dos novos bombardeiros e caças que por ele deveriam
ser abastecidos.
Ao mesmo tempo as empresas aéreas de todo o mundo criavam
linhas cada vez mais longas e necessitavam de aeronaves cada vez
mais velozes com maior autonomia e maior conforto.
Em resposta a esta necessidade, a Douglas lançava o DC-6,
seguido do DC-7 e a Lockheed brigava pelo mercado com inúmeras
versões do seu consagrado Constellation. Do outro lado do
Atlântico, os ingleses lançavam o quadrimotor turboélice
Vickers Viscount, que voava a uma velocidade média de 650Km/h
e podia transportar até 60 passageiros com um nível
de conforto jamais visto. A também britânica de Havilland
trabalhava em um avião comercial a jato, batizado como de
Havilland DH.106 Comet Mk I, que se tornaria em 3 de maio 1952,
o primeiro avião a jato de transporte de passageiros do mundo
a entrar em serviço. Mas apesar de ousado, o avião
podia transportar no máximo 80 passageiros a médias
distâncias.
O desenvolvimento
Sabendo que, em curto prazo, a USAF necessitaria de uma nova aeronave
a jato para substituir os KC-97, a Boeing aproveitou a oportunidade
para tentar conseguir um financiamento junto ao Pentágono
para desenvolver e construir um reabastecedor a jato que deveria
atuar também como cargueiro militar. E prevendo um mercado
para aviões comerciais a jato, a Boeing iniciou contatos
com várias companhias aéreas americanas, entre elas
a Pan American World Airways, então a mais poderosa companhia
aérea do mundo, que inclusive já havia encomendado
os de Havilland Comet I.
O projeto inicialmente era baseado no C-97 Globemaster: uma aeronave
de transporte derivada do B-29 e conhecido na empresa como Model
367. Com base na experiência obtida com os bombardeiros B-47
e B-52 inúmeros projetos foram sendo estudados pelos engenheiros
da Boeing tendo sido finalmente escolhido o 80º projeto! O
programa passou a ser conhecido internamente como 367-80 ou Dash
80.
Na manhã do dia 14 de maio de 1954, a Boeing apresentou ao
mundo um elegante avião, de asa baixa, com enflechamento
de 35 graus, impulsionado por quatro turbinas Pratt & Whitney
JT3 de 10.000lb de empuxo cada. O novo avião era 100kts mais
rápido do que o de Havilland Comet, além de possuir
maior alcance e capacidade. O ousado avião assombrou o mundo
da aviação na época em que jamais vira algum
projeto tão revolucionário. Até hoje o designer
básico da maioria dos aviões comerciais são
baseados nos conceitos incoporados pelo Dash-80. Vale citar que
grande parte dos estudos que levaram a criação do
707 tiveram inicio na Alemanha Nazista, ainda durante a Segunda
Guerra Mundial. Com a vitória dos aliados, os engenheiros
de diversos fabricantes - entre eles a Boeing, basearam seus estudos
nos avançados conceitos alemães.
Com o lançamento do novo modelo, a Boeing introduziu um novo
sistema de numeração em seus aviões e o novo
avião recebeu a designação 707. No entanto,
o protótipo continuou sendo conhecido internamente como Dash-80.
O Primeiro vôo
Em 15 de julho de 1954, o protótipo comandado pelo piloto
de provas Tex Johnston, decolou para seu vôo inaugural. O
primeiro vôo coincidiu com as festividades do 38º aniversário
da Boeing.
Em 1955, após dezenas de vôos de testes, o avião
estava pronto para ser apresentado a USAF. Numa tentativa de impressionar
o Pentágono, o então presidente da Boeing, Ed Allen,
pediu ao piloto de provas Tex Johnston, que ele realizasse algo
realmente inesperado que demonstrasse toda a capacidade do novo
avião. Durante um evento realizado em Seattle, onde estavam
presentes inúmeros homens do alto escalão da USAF
e diretores de diversas empresas aéreas, foi anunciado que
o mais novo avião da Boeing iria realizar uma série
de evoluções para demonstrar todas as suas qualidades.
O que ninguém poderia imaginar era que o piloto de provas
Tex Johnston havia preparado. Após realizar uma passagem
a baixa altura, o Dash-80 retornou e executou um Barell-Roll! Simples
assim.
É impossível negar que tal manobra impressionou a
todos, inclusive Ed Allen que imaginou, durante a manobra, que 16
milhões de dólares (em dinheiro da época) e
inclusive a existência da própria Boeing iriam mergulhar
na baia de Seattle. Apesar da manobra ter sido realizada com sucesso,
após o pouso o piloto de testes Tex Johnston soube havia
perdido o emprego, em virtude da manobra que realizara. Apenas duas
semanas depois o caso foi revisto com o cancelamento da demissão.
Foram necessários mais de vinte anos para que Ed Allen e
Tex Johnston pudessem conversar civilizadamente sobre o assunto.
Após todos recuperarem o fôlego, Ed Allen viu que a
proeza do seu piloto de provas havia dado certo. A USAF após
testar o novo avião, ficou impressionada com suas qualidades
e em setembro do mesmo ano encomendou 29 aparelhos, que foram designados
como C/KC-135A Stratotanker.
Decolando rumo a aviação
comercial
Vislumbrando o sucesso de seu novo avião, a Boeing solicitou
ao Pentágono a licença para produzir uma versão
civil do modelo. O pedido foi autorizado mas o Pentágono
frisou que tal medida não deveria prejudicar o ritmo das
entregas militares.
Em seguida, a Boeing tentou vender o 707 as empresas aéreas
que não ficaram interessadas no novo modelo. Além
disso, os acidentes sofridos com os de Havilland Comet I no início
de sua carreira, mancharam inicialmente a imagem dos aviões
comercias a jato. Estes acidentes fizeram o de Havilland Comet,
pagar um alto preço por seu pioneirismo, pois praticamente
encerrou sua carreira na aviação comercial.
Em 13 de outubro de 1955, a Boeing recebe um duro golpe da Pan American
World Airways que encomendou 20 unidades do Boeing 707 contra 25
Douglas DC-8 que ainda estava em fase de desenvolvimento mas já
estava tomando o lugar do recém lançado 707. O que
poderia significar o fim da liderança esperada pela Boeing
no mercado de aviação comercial.
O então presidente da Boeing, Ed Allen, enviou alguns executivos
até a Pan Am, para tentar descobrir o motivo da menor encomenda
recebida. O principal motivo foi à estreita cabine do 707
que reduzia o número de assentos por fileira (2+3) enquanto
a fuselagem mais larga do DC-8 acomodava uma configuração
de seis assentos (3+3). Os Douglas DC-8 ofereciam ainda um maior
alcance, em relação ao modelo da Boeing
Em uma ação que custou alguns milhões de dólares,
a Boeing decidiu aumentar o diâmetro da fuselagem em 10cm
e o comprimento em 3 metros. Caso não recebesse o retorno
esperado essa ação poderia significar o fim da Boeing.
Mas novamente a Boeing apostou alto e venceu. E a sorte mudou de
lado, pois os constantes atrasos no desenvolvimento do DC-8, levaram
a Pan Am a cancelar as encomendas com a Douglas, após receber
apenas cinco dos aviões encomendados. Jamais a Pan Am, que
praticamente ditava as regras da aviação comercial,
voltou a encomendar aviões a Douglas.
Decolando rumo a história
No dia 26 de outubro de 1958, o Boeing 707 da Pan Am, matrículado
N711PA, inaugurou os serviços comerciais com passageiros,
voando entre New York e Paris. As viagens antes feitas a no máximo
600Km/h, pelos lendários Douglas DC-7 e Lockheed Constellation,
passaram a ser realizadas a 950Km/h, com um nível de conforto
e segurança jamais vistos até então.
Logo inúmeras encomendas começam a surgir de diversas
partes do planeta tanto para uso civil quanto militar e rapidamente
o 707 se torna um sucesso comercial. |