Boeing 707 - Um Clássico Revolucionário
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan
Novas versões

    
Em 1962, foi desenvolvida uma versão de maior alcance denominada 707-320 que foi equipado com novos motores Pratt & Whitney JT4A-3, 15.800lbs de empuxo cada, e ainda recebeu algumas melhorias aerodinâmicas, como asas e estabilizadores horizontais com maior envergadura além de novos tanques de combustível que podiam transportar até 96.361 litros. Essas modificações aumentaram o alcance para 7.435 milhas.

Atendendo ao pedido de algumas empresas aéreas, que ainda desejavam maior alcance, a Boeing lançou em seguida a versão –420: era basicamente um 707-320 equipado com os motores Rolls Royce Conway Mk 508-40, de 17.500 libras de empuxo cada.

Ainda a partir do 707-320, a Boeing produziu dois outros modelos. O 707-320B, que recebeu novas asas com maior envergadura e foi equipado com os então recém-lançados motores turbofans Pratt & Whitney JT3D-3, de 18.000lb de empuxo e proporcionou um aumentou no alcance em aproximadamente 15%. Ainda visando dar uma maior flexibilidade aos operadores, a Boeing lançou o 707-320C, uma versão conversível para o transporte de cargas e/ou passageiros. O 707-320C foi equipado com os motores Pratt & Whitney JT3D-7, de 19.000lb de empuxo e recebeu na seção dianteira esquerda da fuselagem uma porta com 3,38m x 2,30m. O piso e o sistema do trem de pouso foram reforçados para suportar o novo peso máximo de 152.540kg. Extra-oficialmente, essa versão foi designada como 707-320C-H. Para atender o mercado doméstico dos USA, foi desenvolvido o Boeing 720, que era um 707 com fuselagem encurtada.

versatilidade do 707 fez com que a USAF encomendasse a Boeing uma versão de alerta aéreo "AWACS", baseada no 707, que foi batizada de E-3 AWACS. Nos últimos anos os E-3 AWACS receberam novos motores, o que melhorou o desempenho e o alcance do modelo. O primeiro avião presidencial a jato dos USA foi o 707 que entrou em serviço com o presidente Jonh Fitzgerald Kennedy. Obviamente dezenas de outras nações, incluindo o Brasil seguiram o exemplo e transformaram alguns de seus 707 em aviões de transporte presidencial. Somente na década de 80 que os 707 presidenciais norte-americanos, foram substituídos pelos Boeing 747-200. Mas os 707 continuaram até 2003 transportando a primeira dama e o vice-presidente dos USA.

O fim de uma era

Em maio de 1991, a Boeing encerrava a produção do 707, após terem sido produzidos 1.010 unidades em suas diferentes versões e 820 unidades dos modelos KC;RC;C-135 destinados exclusivamente USAF. Hoje, após quase 50 anos de ter sido projetado, o 707 continua prestando excelentes serviços a diversas empresas e forças aéreas de todo mundo.

Além disso, os dois maiores sucessos da Boeing, foram desenvolvidos a partir do projeto inicial do 707.

O primeiro deles, o Boeing 727, foi desenvolvido para ser uma solução economicamente viável para as linhas de médio alcance. Para isso utilizando a mesma fuselagem do 707, a Boeing redesenhou as asas e o estabilizador horizontal e equipou o novo avião com apenas três motores, posicionados na parte traseira da fuselagem. Para as linhas de curta e médias distâncias, a Boeing foi mais longe e desenvolveu o 737. Que utilizava as asas, fuselagem e lemes modificados do projeto original. Mas sendo impulsionado por apenas dois motores, posicionados sob as asas.

O 737, é o modelo mais vendido da Boeing, e deve permanecer em produção por no mínimo mais dez anos. E os novos 737NG, (-600, -700, -800, -900) que são sucessos absolutos de venda e competidores diretos da família A320 da Airbus, ainda mantém basicamente a mesma fuselagem do 707. Muitos dos gabaritos para montagem da fuselagem dos 737 são os mesmos utilizados na construção do primeiro 707. Somente um projeto realmente versátil poderia suportar tantas mudanças e continuar sendo líder.

Desenvolver modelos específicos para cada operador, alterando motores, dimensões, configurações internas, alcance, etc, foi um dos grandes trunfos da Boeing. O 707 é o segundo avião com maior número de variantes em toda a história da aviação, rerdendo apenas para o 737.

Grã-finale

A saga do belíssimo quadrirreator não estava completa até dezembro de 2003.

Entre 1954 e 1972 o protótipo Dash-80 serviu como bancada de testes para centenas de programas da Boeing. Praticamente tudo que foi desenvolvido neste período voou pelas asas do pioneiro Dash-80. Que além de executar todo programa de testes do 707, testou ainda de antenas a novos motores, passando por diversos tipos de sistemas, refinamentos aerodinâmicos etc.

Em 1972, após 18 anos de excelentes serviços prestados a Boeing, o pioneiro foi doado ao National Air Space Museum, que pertence ao Smithsonian Institution. Mas por total falta de espaço o avião ficou até 1991 estacionado na Davis Monthan Air Base no estado do Arizona.

No ano de 1991, o belo jato foi levado de volta ao lar, onde técnicos da Boeing e inúmeros voluntários iniciaram um minucioso trabalho de restauração, que alguns meses depois devolvia o veterano aos céus. Após realizar alguns vôos para checagem de todo o sistema nos arredores de Seatlle o avião foi hangarado e sua deriva removida e armazenada.

Após mais 12 anos de espera, finalmente o grande jato ganharia novamente os céus. Não sem antes passar por uma completa revisão, que o deixou novamente como novo.

No dia 12 de agosto de 2003, após terem sido concluídos os trabalhos de revisão e montagem da deriva, o veterano decola de Reton sob os comandos do piloto de provas da Boeing, Jerry Whites, para sua última viagem. Algumas horas depois o Dash-80 chega a Rapid City, onde permaneceu até o dia 25, quando partiu para Wright Patterson Air Base, no estado de Ohio.

Finalmente no dia 27 de agosto o reluzente Boeing lentamente taxia e decola para seu último vôo. Menos de 90 minutos após toca suavemente o asfalto da pista do aeroporto Internacional de Dulles em Washington D.C..

Durante o táxi até as novas instalações do National Air Space Museum, localizado agora numa área anexa ao aeroporto, dezenas de pessoas saudavam o avião. Minutos depois o comandante Jerry Whites cortava os motores JT-3D-1 e silenciava o avião que mudou a história da humanidade.

Se a Boeing hoje é a maior fabricante de aviões comerciais do mundo, e se tornou para os leigos sinônimo de avião, muito se deve a este projeto dos anos 50. O fantástico Boeing 707.

Resta para os amantes da aviação o consolo de saber que durante alguns anos ainda diversos 707 estarão cruzando os céus, e que o legendário Dash-80 descansa no National Air Space Museum, ao lado de outros ícones da aviação como o Concorde, Lockheed SR-71 Blackbird entre tantos outros.