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| Lockheed L-188 "Electra II" |
Foram 15 aviões, mais de 500 mil viagens, o equivalente a
17.500 voltas ao redor da Terra ou 560 viagens à Lua, mais
de 217 milhões de quilômetros voados, 33,6 milhões
de passageiros transportados, 777.140 horas de vôo, 736.806
pousos, 30 anos em serviço, 17 anos voando exclusivamente na
Ponte Aérea Rio-São Paulo e nenhum acidente.
Esses números impressionantes pertencem ao eterno Electra da
Ponte. |
Texto: Edmundo Ubiratan | Imagens:
Coleção do Autor |
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No
inicio nos anos 50 a Lockheed desenvolvia o incrível C-130
Hercules, um quadrimotor turboélice que até hoje é
considerado um dos mais versáteis e confiáveis aviões
já produzidos. A Lockheed baseada nos estudos obtidos com
o projeto do C-130 e em pesquisas que demonstravam a versatilidade
do turboélice em linhas de curto e médio alcance,
o que era demonstrado com o sucesso obtido pelo Vickers Viscount,
iniciou estudos para o desenvolvimento de um avião turboélice
para transporte comercial.
O que levou
a criação de duas propostas, o CL-303 com asa alta,
mantendo uma grande semelhança com o C-130 e o CL-310 de
asa baixa e perfil mais alongado, sendo que ambos os modelos seriam
equipados com o motor Allison 501, o mesmo utilizado no C-130. Mas
naquele momento ambos os projetos não atraíram o interesse
de nenhuma empresa norte-americana.
Porém
em 1954, a American Airlines, definiu os parâmetros básicos
para uma nova aeronave quadrimotora turboélice, com capacidade
para até 100 passageiros, que seria utilizada nas suas linhas
de médio alcance em substituição aos seus veteranos
quadrimotores a pistão.
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Visando
manter sua participação no mercado de aviação
comercial, a Lockheed baseou sua proposta no projeto CL-310, modificando
alguns parâmetros, o que despertou o interesse da American
Airlines e da Eastern Airlines que também buscava um novo
avião mais moderno para suas linhas domésticas.
Após
escutar as propostas de ambas empresas a Lockeed lançou no
inicio de 1955 o L-188 Electra II, um robusto quadrimotor impulsionado
por quatro motores Allison 501 de 3.750 SHP, com velocidade de cruzeiro
superior aos 600 km/h, capacidade para transportar até 90
passageiros e alcance superior a 4.000 km.
Em 8 de junho
de 1955 a Lockheed recebeu da American Airlines a encomenda inicial
de 35 exemplares do novo avião, seguida pela encomenda de
40 outros aviões feita pela Eastern em 27 de setembro do
mesmo ano. A construção do primeiro dos quatro protótipos
foi iniciada no mês seguinte, tendo a aeronave sido concluída
no final de 1957. Sendo que a carteira de pedidos do Electra já
totalizava 144 encomendas, realizada por nove empresas; American,
Braniff, Cathay Pacific, Eastern, Garuda, KLM, National, Pacific
Southwest. Western. |
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O
protótipo matriculado N1881, realizou seu primeiro vôo
sob os comandos o piloto de provas Herman Fish Salmon em 6 dezembro
de 1957. O primeiro vôo partiu das instalações
da Lockhhed em Burbank, com destino a Palmdale, onde seria realizado
todo o programa de ensaios do L-188.
Em 1958 justaram-se ao primeiro protótipo
os outros três aviões que seriam utilizados durante
a fase de homologação do modelo. Tendo o segundo protótipo
matriculado como N1882 realizado seu primeiro vôo em fevereiro,
seguido do terceiro (N1883) em abril e o quarto (N1884) em agosto.
No dia 22 de agosto do mesmo ano a Lockheed recebia da Civil Aviation
Agency (atual FAA – Federal Aviation Administration) o certificado
de homologação. Sendo que a primeira entrega a Eastern
aconteceu no dia 8 de outubro, sendo seguida pela American que recebeu
seu primeiro exemplar matriculado como N6101A, em 12 de outubro
do mesmo ano.
Devido a uma
greve de piloto na American, coube a Eastern Airlines realizar primeiro
vôo com o Electra II em 12 de janeiro de 1959, que o colocou
na linha New York-Miami. No dia 23 era a vez da American realizar
seu primeiro vôo
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com o Electra II na linha New York-Chicago.
Apesar de ter
recebido novas encomendas vindas da Ansett, Qantas, Northwest e
Trans Australia Airlines, as vendas não estavam alcançando
as expectativas iniciais da Lockheed, o que gerava uma baixa cadencia
de produção, aumentando os custos o que elevara o
ponto de equilíbrio financeiro do programa de 190 para 215
unidades. Um dos principais motivos pela baixa procura pelo Electra
era inicialmente a entrada em serviço dos novos jatos de
médio alcance que podiam realizar os mesmo vôos em
menor tempo e com maior conforto, apesar de um maior consumo de
combustível. Mas vale lembrar que na época o fator
consumo de combustível não era uma preocupação
primordial devido ao baixo preço do petróleo.
Mas o que mais
ajudou a diminuir a procura pelo Electra foi o acidente ocorrido
em 03 de fevereiro de 1959 com o N6101A, que mergulhou no Rio Hudson
segundos antes de pousar no aeroporto de La Guardia em New York.
O acidente que vitimou 65 dos 73 passageiros aconteceu exatamente
dez dias após o avião realizar seu primeiro vôo.
As investigações mostraram que o acidente foi causado
por erro operacional, pois a tripulação sem experiência
no avião equipado com um novo tipo de altímetro cometeu
um erro de leitura tendo descido demais até bater na águas
geladas do East River.
O Electra II
ainda carrega o triste título de ter sido o primeiro avião
a ter um acidente grave menos de um mês após entrar
em serviço
Mas o pior
ainda estava por vir, na noite do dia 29 de setembro o Electra II
matriculado como N9705C que havia sido entregue a Braniff International
dia 18 do mesmo mês misteriosamente iniciou um mergulho desintegrando-se
em pleno ar. Em momento algum a tripulação enviou
nenhuma informação sobre qualquer problema a bordo.
Sequer o avião informava sobre qualquer anomalia em seus
sistemas. As investigações constataram que nos momentos
finais de seu mergulho fatal o N9705C rompeu a barreira do som.
Novamente um Electra II caia dez dias após seu primeiro vôo.
Toda a frota
de Electra II foi retida até que se encontrasse a causa do
acidente. Meses de investigação não conseguiram
encontrar nenhum fator que tivesse levado o avião a realizar
seu mergulho fatal. Apenas concluiu-se que a asa esquerda havia
de desprendido em pleno vôo, tendo sido encontrada a quilômetros
de distancia do local da queda. Mas não havia nenhum indicio
que levasse ao motivo da asa ter sido arrancada. |
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Apesar
da opinião pública desejar a retirada de serviço
do modelo a FAA decidiu apenas impor uma restrição
de velocidades, que não deveria ultrapassar 418km/h. Devido
à suposição de que cargas aerodinâmicas
menores poderiam evitar novos acidentes até a apuração
da real causa do acidente.
No dia 17 de
março de 1960, os 57 passageiros e 6 tripulantes que embarcavam
em Chicago no N121US primeiro Electra entregue a Nortwest Airlines,
com destino a Miami, jamais poderiam saber que aquele avião
jamais chegaria a seu destino. Novamente o destino estava contra
o Electra II, naquela bonita tarde ensolarada enquanto sobrevoava
Tell City, no estado de Indiana o N121US realizou um mergulho com
direção ao solo. Deixando no ar apenas um rastro de
fumaça branca seguida por uma coluna de fumaça negra
que surgiu sobre o campo. Aquele era a assinatura que mais um Electra
II caia sem declarar qualquer emergência. A violência
do impacto foi tão grande que no local da queda surgiu uma
cratera de quatro metros de profundidade, dos 63 corpos, foram recuperados
apenas alguns fragmentos, que juntos não conseguiam formar
sete cadáveres.
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| No
dia seguinte os principais jornais do país exibiam em suas
páginas a terrível imagem do local do acidente. A
opinião publica, apoiada pela grande maioria dos congressistas
pediam a proibição dos vôos do Electra II, dias
depois as empresas começavam a cancelar suas encomendas.
Aquela tarde do dia 18 de março testemunhara o fim da carreira
do Electra II nos USA e a morte de um projeto que sem duvida era
um dos mais fantásticos da industria aeronáutica até
então.
Meses depois
as investigações mostraram que ambos acidentes haviam
sido provocados por um fenômeno chamado "whirl mode".
Que era ocasionado pela vibração dos motores em seus
montantes, quando sofriam qualquer interferência externa que
pudessem colocá-los ressonância como o balanço
causado por uma turbulência. A vibração era
propagada as naceles dos motores que por sua vez transmitiam para
as asas que começavam a literalmente bater. A amplitude dessa
vibração era tão intensa que em menos de um
minuto a junção da asa com a fuselagem era rompida,
não dando tempo sequer para a tripulação reagir
com qualquer atitude, nem mesmo a de declarar emergência.
A solução
encontrada pela Lockheed foi reforçar os montantes, as naceles
e as longarinas da asa. Após uma série de vôos
de testes sem nenhum indicio de problemas, foram suspensas as restrições
impostas pela FAA, mas infelizmente a imagem do avião já
estava bastante comprometida. Como a Lockheed não recebeu
mais nenhuma encomenda desde meados de novembro de 1960 a produção
foi encerrada em 1961 após a produção de apenas
170 aeronaves e um prejuízo de milhões de dólares
devido a baixa produção que não atingiu o ponto
de equilíbrio financeiro e com o agravante dos gastos tidos
com a modificação realizada em todos os Electra II. |
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