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| Lockheed L-188 "Electra II" |
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Em
28 de janeiro de 1959 a Lóide Aéreo solicitou ao Departamento
de Aviação Civil autorização para importar
alguns Electras, desistindo, assim, dos Vickers Viscount que inicialmente
pretendia adquirir. O pedido foi negado pelo DAC já que não
havia muito tempo que o Lóide Aéreo havia importado
alguns Douglas DC-6A que foram arrendados a Panair do Brasil antes
mesmo de voar nas cores da empresa.
A ampla repercussão
negativa causada pelos acidentes e a introdução maciça
dos jatos levaram algumas empresas americanas a desfazerem-se de
toda sua frota de Electra II mesmo com menos de três anos
de uso. Tendo, em 1961, a American Airlines colocado a venda um
lote de Electras recém recebidos, que acabaram chamando a
atenção de Lineu Gomes, então presidente do
Consórcio Real (formado pelas empresas Real, Aerovias e Nacional),
que negociou a compra de três aviões, visando substituir
os três Super Constellations em uso pela Real.
Porém,
em agosto de 1961, o Consórcio Real que já havia vendido
para a VARIG a Aerovias em maio do mesmo ano finalizou a venda de
todo o grupo para a empresa gaúcha. |
| O
então presidente da VARIG, Ruben Berta, ao saber das negociações
para a compra dos Electra II, tentou desfazer o acordo com a American.
Ele considerava o modelo inadequado para a sua empresa e também
perigoso.Porém a American não aceitou desfazer o negócio
e após intensas negociações a diretoria da
VARIG verificou as qualidades dos aviões e acabou por encomendar
mais dois aviões.
No dia 2 de setembro de 1962 chegava ao
Brasil o primeiro Electra II, matriculado PP-VJM, tripulado pelos
comandantes Plato e Moscoso e os engenheiros de vôo Arteiro
e Klein. Além dos comandantes Bordini, Contins, Ray Plunket
(piloto da American Airlines) e como passageiros Hélio Smidt
(que viria a se tornar presidente da Varig em 1980) e Araldo Kluwe.
O vôo
desde Tulsa - Oklahoma até Congonhas durou três dias,
com escalas em Miami e Port of Spain.
Após a decolagem de Miami, uma falha no sistema estático
da aeronave obrigou a tripulação retornar ao aeroporto
de Miami. Solucionado o problema, a aeronave prosseguiu para Port
of Spain e São Paulo. Esta última etapa durou 7 horas
e 48 minutos, o que foi considerado um recorde para a época.
Os outros quatro Electra II da encomenda inicial foram recebidos
até o final de 1962.
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No
dia 25 de setembro era realizado o vôo inaugural do Electra
II, na rota
Rio - New York. A partir de outubro os Electras começaram
a operar semanalmente na linha São Paulo - Rio - Belém
- Port of Spain - Santo Domingo - New York. Três vezes por
semana na linha São Paulo - Rio - Recife - Fortaleza e duas
vezes por semana na linha São Paulo - Rio - Manaus.
Na noite de
31 de outubro de 1962, o Electra II PP-VJL, acabou participando
da “Crise dos Mísseis” um dos episódios
mais marcantes da guerra fria, que por muito pouco não resulta
no inicio da III Guerra Mundial. Durante seu pernoite em New York,
a Organização das Nações Unidas –
ONU, requisitou aeronaves para buscar em Havana o Secretário
Geral das ONU, U Thant, que negociava a retirada dos mísseis
soviéticos instalados da ilha de Fidel.
Após
decolar de Havana e deixar o espaço aéreo cubano o
PP-VJL foi escoltado até New York por caças norte-americanos
e todo o espaço aéreo na rota do avião brasileiro
estava fechado para qualquer aeronave.
Este histórico vôo foi tripulado pelos Comandantes
Platô e Padovani, pelo engenheiro de vôo Werner e pelo
navegador Nicásio.
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| Quando
a VARIG absorveu a Panair do Brasil em 1965, os Electra II passaram
voar semanalmente no chamado "Vôo da Amizade", que
ligava São Paulo a Lisboa, com escalas no Rio de Janeiro,
Recife e Ilha do Sal.
O primeiro
“Vôo da Amizade” realizado pela VARIG aconteceu
no dia 22 de novembro de 1965. Estes vôos tinham algumas características
interessantes como o fato da VARIG usar uma tripulação
para a realização do trecho doméstico e outra
exclusivamente para a etapa internacional, e as tripulações
de cabines eram mistas com comissários da VARIG e TAP. Além
da tripulação técnica normal, este vôo
contava com um navegador extra e um piloto reserva. Mas o mais curioso
é que no trecho Recife – Ilha do Sal a navegação
era feita com o auxilio de sextante!
Devido a enorme
popularidade que o Electra II obteve tanto com passageiros quando
com tripulantes e pessoal de terra a VARIG adquiriu mais quatro
aviões da American entre os anos de 1968 e 1970.
Ainda em 1970 a VARIG comprou da Northwest Airlines mais dois aviões,
só que desta vez do modelo L-188 PF (passenger/Freighter),
que possuíam uma ampla porta de carga do lado esquerdo da
fuselagem. Estes modelos não possuíam porta de acesso
dianteira e o lounge era localizado na parte traseira da cabine
de passageiros. Estes aviões foram matriculados como PP-VLA
e PP-VLB. Apesar de terem operados por algum tempo no transporte
de cargas, principalmente para Manaus, ambos foram transferidos
para uso exclusivo de passageiros alguns anos depois.
Durante a primeira
metade dos anos 70 os Electra II foram utilizados nas linhas: Rio-Porto
Alegre; Rio-São Paulo-Curitiba-Porto Alegre ; Rio-São
Paulo-Foz do Iguaçu-Assunção; Rio-Belo Horizonte-Brasília;
Porto Alegre-Curitiba-Brasília-Salvador-Aracaju-Maceió-Recife-João
Pessoa; São Paulo-Rio-Brasília—Teresina-São
Luís-Bélem-Santarém. |
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Em
1975, o DAC emitiu a norma que os vôos da Ponte Aérea
deveriam ser realizado apenas por aviões quadrimotores. Isso
fez com que os FH-227 Hirondelle, Dart Herald e YS-11 Samurai fossem
retirados de serviço neste trecho, deixando na linha apenas
os Viscount e Electra II. Porém os Viscont foram retirados
de serviço pouco tempo depois, fazendo do Electra II o equipamento
padrão da mais importante linha brasileira.
Foi exatamente
nesta linha onde eles reinaram absolutos nas duas décadas
seguintes, chegando a realizar até 88 vôos diários,
onde escreveram seu nome na história da aviação
comercial brasileira.
O número
de assentos disponíveis para cada empresa do pool (VARIG,
Cruzeiro, VASP e Transbrasil) foi proporcionalmente dividido tendo
em vista a participação de cada empresa no mercado.
A empresa que fosse operar o vôo era responsável apenas
pelo pessoal de cabine sendo sempre os pilotos da VARIG.
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| Entre
1975 e 1979 os Electra II PP-VJN, PP-VJU, PP-VJE e PP-VLC voaram
na ponte ostentando apenas a pintura básica da VARIG sem
o nome e o logotipo. Tendo como objetivo não destacar individualmente
o nome de nenhuma empresa operadora do pool, visto que o serviço
era realizado em conjunto entre as quatro empresas. Mas posteriormente
devido a problemas de logística os quatro aviões receberam
a pintura completa da VARIG.
Em 1977, visando
atender a crescente demanda da Ponte Aérea, a VARIG adquiriu
da Aerocondor da Colômbia mais dois aviões, que foram
matriculados como PP-VLY e PP-VLX. Estes aviões estavam em
péssimas condições e foram completamente reformados
nas oficinas da VARIG em Porto Alegre, saindo como se fossem novos
de fabrica após o término dos trabalhos.
Os dois últimos
Electra II adquiridos pela VARIG foram recebidos em abril de 1986.
Estes dois exemplares matriculados como PP-VNJ e PP-VNK, pertenciam
a Transportes Aereos Militares Ecuatorianos (TAME), e se encontravam
sem quaisquer condições de vôo. A VARIG ao localizar
este lote de quatro aviões propôs a TAME que realizaria
a manutenção completa dos aparelhos colocando-os em
excelentes condições de uso, e como pagamento a TAME
entregaria dois aviões a VARIG. A proposta agradou a diretoria
da TAME que viu nesta uma boa opção para ter ao menos
dois aviões novamente em condições de vôo.
A introdução
dos Boeing 737-300 na Ponte Aérea em 6 de dezembro de 1991
marcava o fim da brilhante carreira dos Electra II no Brasil. |
| Exatamente
29 dias depois, em 5 de janeiro de 1992 o PP-VLX realizava o vôo
VP651 (Rio-São Paulo) e ao cortar seus motores no pátio
do aeroporto de Congonhas encerrava o último vôo com
passageiros pagantes no Brasil.
Em respeito
a invejável ficha de serviço do Electra II, a VARIG
realizou no dia 6 de janeiro do mesmo ano quatro vôos oficiais
de despedida que contava com personalidades dos meios jornalístico,
político e negócios além da diretoria da VARIG,
VASP e Transbrasil. Estes vôos foram realizados pelo PP-VJN
e PP-VJO que decolaram do Rio com destino a São Paulo retornando
posteriormente a capital carioca.
Na Ponte Aérea
os Electra II voavam em média 66 vezes por dia, com intervalos
médios de 15 minutos durante os dias úteis e de hora
em hora nos finais de semana. Durante os quase 30 anos que operaram
no Brasil os Lockheed L-188 Electra II, jamais sofreram um acidente
fatal, sendo que o único acidente aconteceu com o PP-VPJ
que ao pousar em Porto Alegre em 1970 durante um vôo de treinamento
sofreu sérios danos que inviabilizaram seu conserto. |
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Sem
dúvida alguma o Electra II foi um dos aviões mais seguros
que operaram na aviação comercial brasileira e ao lado
do Douglas DC-3 foram os que mais deixaram saudades.
Mesmo para aqueles que não tiveram a oportunidade de voar nesta
excelente máquina fica a saudade de escutar-se o ronco característico
que marcava presença a cada 15 minutos sobre o barulhento ambiente
de São Paulo e Rio de Janeiro. Exatamente
por ter sido um avião que impôs respeito e atraiu a admiração
de todos aqueles que tiveram o prazer de vivenciar seus 29 anos de
carreira, a VARIG cedeu ao Museu Aeroespacial da Força Aérea
Brasileira – MusAl o PP-VJM, justamente o primeiro Electra II
a chegar ao Brasil. O vôo de translado entre o Aeroporto Internacional
do Rio de Janeiro e o Campo dos Afonsos aconteceu no dia 7 de maio
de 1992, data em que a VARIG comemorava seus 65 anos. Este vôo
teve como tripulação os Comandantes Buchrieser e Lott
e o Engenheiro de Vôo José Aparecido. Vale
ressaltar que este é o único Electra II preservado no
mundo e encontra-se em perfeito estado de conservação.
Necessitando atualmente apenas de uma simples manutenção
para a realização de pequenas reformas. Após
a retirada de serviço, os demais 13 Electra II da VARIG foram
transferidos para o aeroporto de Congonhas e colocados a venda. O
primeiro a deixar o Brasil foi o PP-VLY, vendido a New Air Charter
Service – New ACS, que decolou com destino ao ex-Zaire em 17
de outubro de 1992. Sendo que o último a deixar o pai foi o
PP-VNK, vendido a FilAir que decolou de Porto Alegre em 7 de março
de 1994. Apesar
de todos terem deixado o Brasil em excelentes condições
de vôo, no melhor padrão VARIG, nenhum deles encontra-se
mais em condições de vôo, alguns foram perdidos
em acidentes ou acabaram canibalizados ou sucateados. Um
final inglório para estas belas aeronaves que tantas saudades
deixaram a nós brasileiros. |
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Apesar
de ser desconhecido pela maioria, além dos 15 Electra II
operados pela VARIG, durante a década de 1970 um outro Electra
II operou no Brasil, mas como uma aeronave executiva, configurada
para até 28 pessoas. Pertencente ao industrial Francisco
Pignatari. O avião chegou ao Brasil em 26 de novembro de
1971 e foi matriculado como PP-DZK. Tendo começado a voar
regularmente em fevereiro de 1972, mas permaneceu no Brasil por
pouco mais de quatro anos. Sendo posteriormente vendido a Ommi Aircraft
Salesdos USA. |
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| Foto de capa: PP-VJW, o
último Electra II ex-VARIG que possuía condições
de vôo até 2004. Atualmente ele encontra-se parcialmente
desmontado, mas ainda apresentando condições de voltar
a voar. |
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