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Dédalo
e Ícaro vendo-se ilhados, presos por água por todos
os lados sentiram a necessidade da liberdade. Em um grego momento
de inspiração, nato de um projetista, Dédalo
engenha asas de cera para poderem alcançar, tal como os pássaros
marítimos, o continente.
Ciente dos limites estruturais do seu projeto, Dédalo alerta
Ícaro sobre a restrição de teto operacional,
pois a certa altitude as asas perderiam sua eficácia pelo
derretimento da cera, o que resultaria em mudança no perfil
aerodinâmico e conseqüente perda da sustenção.
Tudo causado pela aproximação excessiva do aerofólio
aos raios do Astro Rei.
Muita bem feitas as deduções "empiricamente"
intuídas pelo inventor e transmitidas à Ícaro.
No entanto, esqueceu-se o grego que as limitações
não devem manter-se somente no campo material. Há
que se pensar no campo moral.
De que adiantaria alertar Ícaro sobre o risco fatal de perda
das asas, se não alertasse sobre risco do subir e não
querer descer mais, avançando pela atmosfera, sem limite,
alucinado? – Alguma semelhança conosco, aeronautas
natos, sempre atentos para a céu, despertando a curiosidade
de todos? – Ícaro e Dédalo seguiram para a subida...
Dédalo perde Ícaro de vista, o jovem já contaminado
pela arte do vôo sem o controle dos seus atos, ignorando todas
as leis imposta pela física e pela aduzida moral, avança
céu acima. Não há nada mais que fazer, no alto
Ícaro continua sua ascensão, as asas instaladas começam
a derreter, como previsto. Nosso herói perde o controle,
está desestabilizada, as asas se desprendem. Bernoulli dá
lugar à Newton. A gravidade o puxa para o centro da Terra
e ele cai nas águas do mar que o acolhem para a eternidade.
Apesar de trágico, aí está um dos primeiros
relatos da atividade aérea. Segue o homem até hoje
aperfeiçoando-a. Sempre.
Possuímos, assim como o Ícaro, desejo incontrolável
de atingir o céu, tocá-lo com as pontas dos dedos
e sentí-lo com o coração. O Homem através
das experiências vividas, mesmo que mitologicamente, pelos
personagens acima mencionados tem extintivamente a capacidade de
superar obstáculos vencer barreiras, quebrar recordes, ultrapassar
metas, mesmo que para isso precise cair e levantar-se novamente,
chorar, apanhar, sofrer, magoar-se. Mas, se tudo foi planejado programado,
desenhado prevendo estas possibilidades estes fatos mesmo que ocorram
levam sempre ao sucesso. É assim e sempre será assim,
tudo é aprendizado e nada é absoluto.
Nossos grandes heróis da aviação os inventores
das aeronaves, todos os pioneiros desde da Vinci ao Padre Bartholomeu
de Gusmão, Richard Pearse, Clement Ader, os estadunidenses
Wright, Santos=Dumont, Sikorky, Fokker. Aos heróis da WWII,
os heróis de Tarquinia do Esquadrão de caça
brasileiro, Senta a Púa! Os inventores do motor à
reação, os pilotos que quebraram a barreira do som,
os inventores do Fly-by-wire e do FMS, FADEC, EICAS, e ainda todos
aqueles que neste momento estão desenvolvendo desde um simples
arame para frenagem mais resistente para parafusos até aqueles
que desenvolvem os mais avançados softwares para controle
de parâmetros de vôo, não nos esquecendo evidentemente
à mais recente vitória brasileira o envio ao espaço
do primeiro astronauta brasileiro, o Ilustre Coronel Pontes.
Todos estes contribuíram para nossa alegria e não
vale a pena cair no erro egoísta em eleger taxativamente,
e em absoluto apenas uma pessoa como responsável pelo acerto.
Acredito que tudo faz parte de uma coletividade de pensamentos,
a teoria do inconsciente coletivo de Carl Gustav Jung, talvez esta
se adapte ao que queiro defender. Nem mesmo Santos=Dumont gostaria
de tal exclusiva atribuição.
Estamos no Centenário da Aviação. Centenário
do vôo do 14-BIS. O vôo do pioneiro Alberto Santos=Dumont.
Homem digno que para o bem da humanidade registrava todos seus inventos
como domínio público, e o que ganhava dividia. Quem
faz isso? Ele já praticava a política de participação
nos lucros em pleno início dos anos de 1900.
Vivemos todo o fervor da aviação brasileira ser catalisado
por essas comemorações, estamos no momento de refletir
que há 100 anos atrás, um homem voava, compunha a
tríplice do vôo, decolava, mantinha-se em nível
e pousava usando seus próprios meios propulsivos. Época
de pensar que em 100 anos um aeronave de tecido voava e hoje verdadeiros
Leviatãs compostos de alumínio, titânio, Glare,
fibra de carbono, Kevlar, fibra de vidro, conseguem da mesma maneira
que o 14-BIS, realizar as mesma tríplice du petit Santos=Dumont.
Esses gigantes denominados por Boeing 747-8, Airbus A-380, chegando
ao Antonov 225 Myria, que, somente com o peso da tinta empregada
em sua pintura consegue ser dezenas de vezes mais pesado que o pioneiro
14-Bis e voam da mesma maneira, com os mesmo princípios físicos
com a mesma massa de ar, através de mesmo fator: o homem,
seja ele o projetista, o engenheiro, o piloto o mecânico,
enfim, todos ávidos por verem o mais pesado que o ar sustentado
pelo ar, tendo o fascínio dos olhos e da alma estampada a
cada decolagem.
O avanço é espantoso. Somente 100 anos após
Santos=Dumont, o que nos espera os próximos 100 anos?
Parabéns ao centenário do Vôo, parabéns
ao brasileiro Santos=Dumont pela conquista. O título de primeiro
vôo documentado é seu e de sua equipe, mas sabemos
muito bem que trata-se de uma conquista da humanidade, de toda a
comunidade cientifica da época, que dedicava todo seu tempo
à tentativa de voar. As idéias estavam pela atmosfera
à espera de serem pegas e empregadas, era vontade de todos
que aos poucos foi se sublimando, substanciando-se até hoje
nos desenhos de aeronaves que voarão pela primeira vez daqui
a ainda muitos anos.
O avião sempre existiu, não houve um inventor na concepção
materialista que estamos habituados. Ele sempre existiu nos pensamentos
dos homens, sempre estávamos nas suas asas e sempre estaremos
prontos para que em suas asas possamos ainda desenvolver tecnologias
que possam declarar a nova ordem mundial do vôo.
Que venham novos pioneiros, que venham novos missionários
da alegria que nos contagia que faz os olhos se estalem as pernas
se amoleçam, faz com que sentimos a sensação
que pisamos em um espelho de água e não afundemos.
Que faz termos a sensação que o tempo parou, que o
momento é uno e exclusivamente nosso, aquele momento em que
as manetes estão comandando plena potência nos motores
e a velocidade de "rodar" a aeronave é alcançada,
aquela sensação de amor ao vôo, paixão
de vôo enaltecida nestes último século.
Vamos unidos com um mesmo objetivo: Voar, sentir aquele vazio do
G negativo. O momento em que escutamos som do coração
pulsando, a circulação sendo sentida nas mãos,
a cabeça cheia de explosões nervosas nos emocionando,
é o momento. Momento este que devemos aos pioneiros, especialmente
à Santos=Dumont, o pioneiro da tríplice do vôo,
homem que merece todo nosso respeito e que devemos agradecer, neste
dia 23 de outubro, por pensamento, por tudo que a nós é
proporcionado.
O que daremos em troca: trabalharemos nestes 100 anos que virão
para que, posteriormente, também termos nossos nomes escritos
em textos como estes.
Eu amo voar e sempre amarei, para sempre, isto sim é absoluto.
Sempre estarei nas suas asas.
Amo e o amor é sublime e faz despertar em nossos nervos nossas
forças mais desconhecidas.
Que venham mais 100 anos, eu estou pronto.
Vamos, nas suas asas, voar para o mais azul firmamento?
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