Década de 1940. Problemas
e soluções.
Assim, para amenizar as dificuldades que certamente
viriam, a VARIG arrendou do Sindicato Condor (posterior Cruzeiro
do Sul) dois aviões Focke-Wulf Fw-58C, que estavam sendo
produzidos sob licença nas instalações da
Aviação Naval da Ponta do Galeão no Rio de
Janeiro.
Paralelamente a VARIG iniciou a busca de novos aviões para
complementar a frota, mas no dia 28 de fevereiro de 1942, o Junker
Ju-52/3m, acidentou-se gravemente logo após a decolagem
do seu campo de pouso em Porto Alegre, tendo sido esse o primeiro
acidente com perdas humanas na VARIG.
Para repor essa perda, utilizou um trimotor italiano Fiat G.2
que originalmente pertencia ao Ministério da Aeronáutica
Italiano. Após alguns meses a VARIG conseguiu adquirir
da Companhia Juta Fabril um biplano inglês de Havilland
DH-89A Dragon Rapide. Seria o Dragon Rapide o responsável
pela expansão da rede de linhas da VARIG para além
do estado do Rio Grande do Sul, inaugurando no dia 5 de agosto
de 1942 a primeira linha internacional realizada por um empresa
brasileira, ligavando Porto Alegre à Montevidéu.
Inicialmente contando com uma freqüência de dois vôos
semanais.
Prevendo os problemas estariam por vir devido a Segunda Guerra
Mundial devido a sua origem alemã Otto-Ernst Meyer, apresentou
sua renúncia ao cargo de Diretor-Gerente em dezembro de
1942. O Governo do estado do Rio Grande do Sul como acionista
majoritário indicou ao cargo Érico de Assis Brasil.
No entanto, sua morte duas semanas depois da nomeação
o impediu que fizesse algo pela VARIG. Imediatamente uma nova
reunião foi convocada pelos acionistas e Ruben Martin Berta,
o braço direito de Otto-Ernst Meyer foi nomeado o novo
Diretor-Gerente da VARIG. Que obteve a árdua tarefa de
conduzir a VARIG através dos difíceis obstáculos
que já se apresentavam, tarefa que ele desempenhou com
enorme habilidade.
A Era Berta
Uma das primeiras providências tomadas por Ruben Berta foi
à padronização da frota com um único
tipo de avião, sanando assim os problemas de ordem logística.
Em abril de 1943 a VARIG recebeu da Defense Supplies Corp. dois
Lockheed Electra L.10E, que haviam pertencidos anteriormente a
Panair do Brasil. Dois anos mais tarde receberia diretamente dos
Estados Unidos outros seis. Configurados para transportar até
dez passageiros os Lockheed Electra L.10 permitiram uma progressiva
expansão da rede de linhas para as principais cidades da
região sul do Brasil.
Desde que assumira o cargo de Diretor-Gerente da VARIG, Ruben
Berta desenvolvia uma idéia arrojada que iria beneficiar
toda a empresa, ao mesmo tempo em que protegia a VARIG de uma
possível estatilização, que era uma das metas
do governo Vargas.
Com tal propósito, aproveitando a Assembléia Geral,
realizada em 29 de outubro de 1945, Berta sugeriu aos acionistas
a transferência de metade das ações da VARIG
para uma fundação de funcionários, por ele
mesmo idealizada. Era uma idéia audaz para a época,
visto que era quase inexistente caso similar no Brasil e no exterior.
O projeto tornou-se realidade quando foi lavrada a escritura pública
da Fundação dos Funcionários da VARIG, em
7 de dezembro de 1945. Ruben Berta era um adepto da corrente do
capitalismo social inspirado na encíclica papal Rerum Novarum,
que alertava para os problemas do capitalismo, como um abismo
social cada vez maior entre os ricos e os pobres. Com a fundação
Ruben Berta faria da VARIG uma empresa voltada para seus funcionários.
O fim da Segunda Guerra em 1945 trouxe diversas mudanças
a VARIG e a empresas de todo o mundo. Visando a expansão
das linhas aéreas e equipar a frota com as mais modernas
aeronaves disponíveis na época, a VARIG iniciou
a negociação com o governo norte-americano visando
à aquisição de um lote de quatro Douglas
C-47B que encontravam estocados em Natal.
Adquiridos por valores entre US$30 e 35 mil (valores de 1945),
o primeiro C-47 da VARIG chegou a Porto Alegre na segunda semana
de dezembro de 1945.
A VARIG expande os horizontes
Os últimos anos da década de 40 assistiram um novo
processo de expansão na VARIG, tanto em sua rede de linhas
aéreas que já chegavam a São Paulo e ao Rio
de Janeiro, como em sua frota de aeronaves.
Em 1947 a VARIG comprou um único monomotor Nooruyn Norseman
VJ, utilizado principalmente no transporte de malotes postais.
E em 1948, os primeiros Curtiss C-46A/D entravam em serviço
em algumas linhas da empresa.
Os C-46A/D além de transportarem passageiros em uma “classe
de luxo”, se adaptaram perfeitamente ao transporte de cargas,
eliminando uma carência que vinha sendo sentida há
algum tempo. Ainda no final da década de 40 eram desativados
dois Junkers F-13. Os C-46/AD, também possuíram
uma cabine mista para o transporte de passageiros e carga.
Nos primeiros anos da década de 50, a VARIG iniciou sua
expansão de linhas para o interior dos estados de Santa
Catarina e Paraná. Sendo que em 1951, já servia
a 14 cidades no Rio Grande do Sul, seis em Santa Catarina, seis
no Paraná, além de São Paulo, Rio de Janeiro
e Montevidéu.
Em maio de 1952 a VARIG adquiriu a Aero Geral, com sede em Santos
e que vinha enfrentando sérias dificuldades financeiras.
As linhas da Aero Geral se estendiam por todo o litoral brasileiro
até a cidade de Natal.
Em termos de equipamentos a compra quase não trouxe benefícios.
Mas essa aquisição proporcionou à VARIG uma
porta de expansão para o Nordeste, aumentando consideravelmente
sua influência como empresa de transporte aéreo.
Tornando-se uma das grandes empresas aéreas nacionais,
ao lado da Cruzeiro do Sul, Panair do Brasil, VASP e do consórcio
Real/Aerovias. Nesta mesma época, passou a oferecer tarifas
mais baixas para o transporte de cargas, obtendo um substancial
aumento de sua parcela neste mercado. Em 1955, a malha de rotas
domésticas da VARIG atendia a 20 cidades. A compra da Aero
Geral era apenas um prenúncio de eventos ainda mais importantes
que ocorreriam nos próximos 13 anos.
Entre 1948 e 1949 a Cruzeiro do Sul realizou 30 vôos experimentais
entre o Brasil e os Estados Unidos, utilizando dois quadrimotores
Douglas DC-4. O investimento necessário para o estabelecimento
da nova rota necessitava, no entanto de apoio oficial que foi
negado. Sem condições de levar o projeto adiante,
a Cruzeiro do Sul abandonou a idéia.
Após desistência da Cruzeiro do Sul em estabelecer
uma linha ligando a cidade do Rio de Janeiro a New York, o governo
brasileiro indicou a VARIG para a formação daquela
linha.
Próximo destino: New York
Imediatamente iniciaram-se negociações para
aquisição de três quadrimotores Lockheed L-1049G
Super Constellation. Um moderno avião de transporte de
passageiros que acabara de entrar em serviços em outras
companhias de transporte aéreo no mundo. Após a
assinatura do contrato de compra com a Lockheed, a VARIG deu início
a diversas providências a fim de implantar toda a infra-estrutura
necessária para operação da linha Rio de
Janeiro - New York.
O Super Constellation significou uma total mudança na filosofia
adotada pela empresa até então, onde os serviços
de bordo, vendas e manutenção tiveram de ser completamente
reformulados.
Apesar de poderem transportar até noventa e nove passageiros,
a VARIG optou por configurá-los para apenas sessenta e
seis passageiros, o que lhe conferiu instalações
extremamente luxuosas e confortáveis.
Com um conforto sem similar na aviação comercial
brasileira e que pouquíssimas companhias internacionais
conseguiam igualar. A configuração adotada contava
com oito camas tipo beliche e luxuosas poltronas que em nada devia
aos modernos aviões atuais.
Curiosamente foi devido à existência desses beliches,
que a presidência da VARIG relutante aceitou contratar as
primeiras mulheres para seu quadro de comissários. Como
muitos dos sessenta e seis passageiros nos vôos Rio de Janeiro
- New York eram mulheres e crianças, concluiu-se que seria
mais agradável que esses passageiros fossem atendidos por
comissárias. Mas alguns atribuem que essa mudança
tenha ocorrido devido a empresas internacionais que concorriam
com a VARIG na mesma linha contarem com comissárias. Sendo
assim o Super Constellation o primeiro avião da VARIG a
contar com uma equipe mista de comissários e comissárias.
O serviço de bordo foi completamente reformulado. Foram
contratados os serviços do austríaco “Barão
Max von Stuckart” que ganhou fama à frente do lendário
restaurante carioca Vougue.
O Barão Max von Stuckart não só deu uma nova
e completa organização a então modesta instalação
da cozinha onde eram preparados os alimentos destinados ao serviço
de bordo, como proporcionou um toque de requinte e sofisticação
ao serviço de bordo. Dando em pouquíssimo tempo
à VARIG a merecida fama de oferecer o melhor serviço
de bordo do mundo.