No final dos anos 80 e inicio dos anos 90 a
VARIG começa a modernizar sua frota, substituindo diversos
tipos de aviões que outrora constituíram a linha
de frente da VARIG, como os Boeing 707 e 727-200. Apenas os 727
na versão cargueira continua em operação
na VARIG.
Os Airbus A300 também foram reexportados, visando à
padronização da frota, que atualmente constitui-se
apenas de aeronaves Boeing.
Para substituir os A300 e os 707, a empresa trouxe em 1987 seis
Boeing 767-200ER, que foram utilizados em rotas internacionais
e linhas domésticas com alta demanda. Para ocupar o lugar
dos Boeing 727 e dos lendários Lockheed Electra II na ponte-aérea,
a VARIG passou a operar os Boeing 737-300, sendo esta a principal
aeronave para curtos e médios percursos na frota atual
da empresa. Infelizmente na década de 80 VARIG não
teve um crescimento como tido nas décadas passadas. Crescimento
que possivelmente jamais se repetirá na história
da aviação comercial mundial.
O Principio da Crise
O inicio dos anos 90 é marcado por diversos fatores que
contribuíram para que para que a indústria do transporte
aéreo ingressasse em um longo período de recessão.
O principal deles foi à alta dos combustíveis gerada
pelo conflito do Golfo em 1991.
Aliado a esses fatos a VARIG perdia em abril de 1990 Hélio
Smidt, sendo no mesmo mês eleito um novo presidente o gaúcho
Rubel Thomas.
Liderando a VARIG neste difícil período da história
da aviação comercial Rubel Thomas continuou a renovação
da frota substituindo aos poucos os DC-10-30 pelos MD-11 e 767-300ER.
E em 1991 a VARIG aumentou sua frota de longo alcance trazendo
o primeiro 747-400, ao qual somaram-se a outros dois no ano seguinte
e em 12 de novembro do mesmo ano chegava ao Brasil o primeiro
MD-11, matrículado como PP-VOP.
A VARIG cometia seu primeiro grave erro. Especialmente com relação
à compra dos 747-400, que foram financiados em Ienes, justamente
durante o período que a moeda japonesa sofria grande valorização.
O valor do contrato era tão elevado que os vôos com
o 747-400 só seriam rentáveis caso a VARIG conseguisse
obter mais de 120% de ocupação em todos os vôos!
Somava-se aos elevados valores das prestações, a
recessão dos transporte aéreo devido a Guerra do
Golfo e ainda uma nova escalada no preço do petróleo.
Em 1993 a Cruzeiro do Sul é inteiramente absorvida pela
VARIG, passando sua frota de seis Boeing 737-200 e seus funcionários
a VARIG. Nesta mesma época, a VARIG lançava novas
linhas ao redor do mundo, como Bancoc, Hong Kong, Atlanta, Orlando
e Washington, tornando-se ainda mais participativa no âmbito
internacional, porém todas as linhas mostraram ser deficitária
durante este período, pelos motivos já expostos.
Mais uma vez devido as fortes crises internacionais, a VARIG teve
de contornar da melhor forma possível suas dificuldades.
Sendo que as linhas que tinham rentabilidade a baixo da desejada
foram supridas, os 747-400 foram retirados de serviço em
1994, apenas três anos após terem estreado nas cores
da VARIG.
A VARIG Tenta Recuperar o Rumo
No inicio de 1995, a situação administrativa da
VARIG era caótica, os inúmeros erros cometidos por
Rubel Thomas levaram a VARIG a sua pior crise. Tanto que em abril
é assume interinamente a presidência Carlos W. Engels,
que tinha como missão reorganizar a empresa, até
a escolha de um novo administrador, que ocorreria em janeiro de
1996. Assumindo então Fernando ABS da Cruz Souza Pinto,
antigo piloto da empresa e ex-presidente da Rio Sul.
Buscando reestruturar e renovar a imagem corporativa da empresa,
a VARIG investiu US$ 16 milhões na substituição
da antiga programação visual que foi criada em 1955.
O novo padrão criado pela empresa Landor Associates, foi
finalmente apresentado em setembro de 1996.
A identidade visual anterior começou a apresentar uma imagem
conservadora e a mudança do logotipo teve como objetivo
fazer que ele refletisse a nova imagem que a empresa buscava junto
ao público. Ao manter a rosa-dos-ventos a VARIG buscava
mostrar que é uma empresa tradicional e ao mesmo tempo,
moderna e eficiente.
Em 1997 a VARIG ingressa no Star Alliance, com a finalidade de
integrar as malhas de vôos, sistemas de reservas e programas
de milhagens das companhias associadas e estabelecer padrões
de qualidade no atendimento a seus passageiros.
O Segundo Erro
Novos programas de incentivo ao turismo interno e à captação
de novos clientes foram lançados, destacando-se o Voa Brasil,
que oferecia descontos de até 50% em vôos domésticos
noturnos, o que possibilitou que usuários do transporte
rodoviário passassem a utilizar o transporte aéreo
a um custo equivalente ao de uma viagem de ônibus leito.
Sendo este o segundo grave erro da história da empresa,
pois todas as empresas aéreas nacionais apostaram na redução
dos preços, porém a guerra tarifária iniciada
mostrou-se devastadora para todas.
Ainda em 1997, o Smiles, programa de milhagem do Grupo VARIG,
foi estendido à ponte aérea e aos vôos do
programa Voa Brasil.
Com a crise econômica mundial que se desencadeou em 1997,
a VARIG foi obrigada a traçar novos planos para uma adequação
rápida ao mercado. Iniciando um processo de racionalização
da frota e malha de rotas, deixando de voar para alguns destinos
deficitários. Em 1999 os McDonnell Douglas DC-10-30 e os
Boeing 747-200 e 747-300 foram substituídos pelos Boeing
MD-11.
As fortes ações de reestruturação
adotadas pela companhia nas áreas operacional, organizacional
e financeira para adequá-la ao dimensionamento do mercado,
foram os principais fatores que permitiram à empresa reduzir
custos e alavancar a receita nas linhas domésticas e internacionais.
Posicionando a companhia para um melhor desempenho no segundo
semestre de 1999.
Porém a desvalorização do Real, somada a
guerra tarifária instaurada, levou a VARIG a fechar o ano
de 1999 no vermelho, fazendo com que a Fundação
Ruben Berta a demitisse Fernando Pinto, que foi substituído
pelo engenheiro Ozires Silva, ex-presidente da Embraer, em 28
de janeiro de 2000.
A VARIG é Dividida em Três
Na mesma data os acionistas da VARIG, em Assembléia Geral
Extraordinária na sede da Empresa em Porto Alegre, aprovaram
mais um passo da reestruturação parcial das empresas
do grupo, segundo proposta da FRB-Par Investimentos (holding criada
para administrar os investimentos da Fundação Ruben
Berta) sem alteração da composição
acionária.
Com a reestruturação, foram criadas três companhias:
VARIG que ficou responsável pela administração
da VARIG Brasil, VARIG Logística (VARIG LOG) e Pluna Uruguay;
VARIG Participações em Transportes
Aéreos (VPTA), que administra os investimentos na Rio Sul,
Nordeste e Rotatur;
VARIG Participações em Serviços
Complementares (VPSC), que é responsável pela administração
nas empresas Tropical de Hotéis, VARIG Travel, Amadeus
e SATA (Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo).
Mesmo com a forte crise gerada pelos atentados terroristas aos
Estados Unidos em setembro de 2001, a VARIG recebeu em setembro
seu primeiro 737-800 equipado com winglets, seguindo de outro
no mês de outubro. E em 3 de novembro de 2001, a VARIG recebe
seu primeiro Boeing 777-200ER, matriculado como PP-VRA, seguido
duas semanas depois por outro avião do mesmo modelo. Entrando
em serviço no dia 15 de novembro do mesmo ano na linha
Rio de Janeiro - São Paulo - Londres – Kopenhagen,
o novo avião trazia dentre outras inovações
internet a bordo, além de possuir uma configuração
extremamente confortável.
Novamente a VARIG se torna pioneira ao ser primeira empresa aérea
do hemisfério sul a operar o 777 e a terceira empresa aérea
do mundo a disponibilizar internet a bordo de um avião
comercial.
Em março de 2002 em virtude das comemorações
dos 75 anos, a VARIG "adesivou" um de seus 737-300 que
voa na ponte-aérea com uma série de números
75.
A iniciativa inaugurava um novo conceito de mídia que visava
estampar propagandas na fuselagem de seus aviões. O aproveitamento
das fuselagens começou no 7 de abril de 2002 com o “envelopamento”
de um 737-300 que opera na Ponte Rio-São Paulo com o anúncio
da Telesp Celular divulgando seu novo serviço ZAAAP-VPN.
Terceiro Erro
Porém o ano de 2002 mostrava-se ser muito mais do que o
ano que a empresa comemorava Bodas de Diamantes, a partir de agosto
a VARIG entra em uma gravíssima turbulência. Após
abandonar o cargo, Ozires Silva é substituído por
Armin Lore, ex-executivo do Unibanco, que entre as ações
praticamente liquida a dívida com o Unibanco gerando um
serío problema de caixa na VARIG. Devido a forte crise
vivida pelo setor aeronáutico em todo o mundo, somada a
crise interna, a VARIG visando reduzir os custos e melhorar o
aproveitamento da frota, realizou a integração operacional
e administrativa da Rio Sul e Nordeste.
A administração polemica de Lore, fazem com que
sua administração seja a mais curta da história
da VARIG até então, abandonando o cargo menos de
três meses após assumi-lo. Em seguida assume interinamente
a presidência Manuel Guedes, que encontra a difícil
missão de reduzir as dividas e evitar o arresto de grande
parte da frota.
As negociações com as empresas de leasing chegam
pela primeira vez a um estado crítico. A norte-americana
GECAS, divisão de leasing da General Eletric, se mantém
irredutível e retoma praticamente todos aviões que
tem arrendados a VARIG. Imediatamente a VARIG perde mais de 10
aviões, incluindo todos os Boeing 767-200 e 737-700.
Pressões Políticas
O recém empossado governo Lula tenta buscar uma saída
para a crise da VARIG e da TAM, que vêem acumulando constantes
perdas desde os atentados 2001. A solução apresentada
em fevereiro de 2003, previa a fusão de ambas empresa,
a notícia choca o mercado e é tida pelo Governo
como a melhor solução para a crise. A proposta previa
inicialmente o compartilhamento dos vôos, que daria um novo
fôlego a VARIG que continuava tendo seus aviões retomados
pelas empresas de leasing, e ajudaria a TAM a reverter à
imagem de empresa insegura, gerada após os inúmeros
incidentes com seus Fokker 100.
Meses depois, devido a disputadas sobre a participação
de cada empresa após a fusão, foi anunciado que
a seria criada uma empresa responsável pelo gerenciamento
dos vôos compartilhados. A proposta apresentada não
agradou aos credores, ao Governo e a maior parte dos consumidores.
O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica,
após analisar a proposta concluiu que ela criava uma situação
de monopólio e seria prejudicial aos interesses do consumidor,
dando prazo para que o compartilhamento encerra-se em maio de
2004.
Enquanto a VARIG anunciava diversas soluções durante
o compartilhamento dos vôos com a TAM, a situação
interna da empresa deteriorava-se a cada dia. As disputas internas
por poder chegaram a ponto da VARIG ter mais de cinco presidentes
em menos de dois anos.
A Fundação Ruben Berta, que vinha sofrendo inúmeras
acusações por partes dos credores, Governo e funcionários,
de ser o principal entrave na solução para a crise
da VARIG, tentando passar credibilidade ao mercado contrata o
que ela mesmo chamou de “time de notáveis”,
que era composto por renomados executivos como, Marcos Azambuja,
Eleazar de Carvalho, Omar Carneiro da Cunha e David Zylbersztajn.
Sendo que os dois últimos assumiriam a presidência
da VARIG e da Fundação respectivamente.
A nova diretoria percebendo a gravidade da situação
financeira da VARIG, em junho de 2005 tenta uma arriscada manobra
para socorrer a empresa, solicitando a 8ª Vara Empresarial
do Rio de Janeiro a recuperação judicial da VARIG.
Tornando a VARIG a primeira empresa a solicitar proteção
na nova lei. O que foi tido pelo mercado como uma perigosa manobra,
pois não se conhecia ainda qual as reais condições
impostas pela nova lei. A VARIG passou a ter 60 dias para apresentar
um plano de recuperação financeira, que deveria
ser aceito por seus credores para obter a homologação
judicial.
Enquanto a nova direção da empresa trabalhava na
elaboração da proposta, surpreendentemente a Fundação
Ruben Berta anuncia a demissão do “time de notáveis”,
pegando de surpresa a todos. A justiça carioca entendendo
que a Fundação não tinha qualquer interesse
em salvar o grupo, a afasta definitivamente da administração
da VARIG.
Para substituir a presidência, foi nomeado Marcelo Bottini,
que é visto pelo mercado como um dos melhores presidentes
que a VARIG já teve em seus 79 anos e que desde então
vem buscado solucionar da melhor forma possível à
caótica situação financeira da VARIG.
Assim como todos os brasileiros, torcemos para que uma solução
viável seja encontrada e que a VARIG possa comemorar em
2027, cem anos de excelentes serviços prestados ao Brasil.
Mas até o fechamento desta edição não
havia qualquer definição sobre o futuro da VARIG.