Parte II
A VARIG ingressou na segunda metade da década
de 60, confiante no futuro. Assinando com a Boeing o contrato
para aquisição de um lote de dezessete Boeing 707,
sendo desta vez do modelo -300 equipados com motores Pratt &
Whitney JT3D-38. Neste mesmo período a VARIG buscava um
substituto para seus veteranos DC-3/C-47.
Dependia apenas da chegada de outro lote de 707 para a abertura
da linha Rio de Janeiro - Tóquio.
No mês de dezembro de 1966 a VARIG recebia dois 707-320C,
com isso aumentando sensivelmente o número de freqüências
em algumas linhas internacionais. A linha Rio de Janeiro - Zurique
tinha sido recentemente inaugurada, e vinha tendo bons resultados,
no entanto um grande choque ocorreu no dia 14 de dezembro, com
a morte de Ruben Martin Berta. O grande líder que durante
25 anos comandou os destinos da VARIG morreu sobre sua mesa, trabalhando
pela empresa como sempre fez desde que ingressou, em 1927.
Nova Era
Assumiria em seu lugar o carioca Erik de Carvalho ex-funcionário
da Panair e que concluiu o processo de consolidação
da VARIG. Em homenagem a seu criador, a Fundação
passou a se chamar Ruben Berta.
Novos turbohélices são adquiridos para as rotas
domésticas, sendo que finalmente em 1968 a linha Rio de
Janeiro - Tóquio é inaugurada e posteriormente é
adicionada à malha uma linha até Kopenhagen. Antes
do final da década de 60 mais alguns 707 são adicionados
a frota da VARIG e a empresa abraçava o mundo como sonhava
“velho Berta”.
A década de 60 trouxe outra grande mudança desta
vez na pintura das aeronaves e a adoção de uma expressiva
identidade corporativa sendo que sua implementação
coincidiu com a aquisição do Consórcio Real-Aerovias-Nacional.
Aplicando uma rosa-dos-ventos estilizada, significando os sucessivos
processos de expansão em que a VARIG vivera, esse logotipo
acompanha a VARIG até os dias atuais tendo apenas sido
reestilizada no final da década de 1990.
Aproveitando o seu crescimento a VARIG entrou com força
no mais novo dos meios de comunicação; a televisão.
Foram muitos inesquecíveis comerciais caracterizados por
jingles de extrema simplicidade e protagonizados por personagens
que conquistaram o público como o português "Seu
Cabral", os espanhóis "Don Quixote e Sancho Panza",
e o japonês "Urashimataro", veiculados sempre
em algum momento marcante das linhas para Portugal, Espanha e
Japão.
Sob a liderança de Erik de Carvalho a VARIG encomenda quatro
modernos 727-100 para suas linhas domésticas de longa distância
e algumas linhas internacionais. No dia 21 de Agosto de 1970 foi
inaugurada a linha Rio de Janeiro - Johannesburg, com escala em
Luanda, fazendo com que a VARIG opera-se para quatro dos cinco
continentes.
Em 1971, a frota internacional da VARIG era composta por quinze
Boeing 707 e um Douglas DC-8.
No ano anterior voava pela primeira vez nos Estados Unidos o Boeing
747, o primeiro jato wide-body seguido posteriormente pelo McDonnell
Douglas DC-10. Desejando atualizar-se com uma aeronave capaz de
manter seus serviços no mesmo nível de suas concorrentes
estrangeiras, a VARIG escolhe em novembro de 1972 o trirreator
McDonnell Douglas DC-10-30 como seu primeiro wide-body. O motivo
da escolha foi o valor unitário mais baixo que o do Boeing
747 e principalmente por atender mais adequadamente as reais necessidades
das rotas internacionais operadas naqueles anos pela VARIG, tendo
sido o contrato assinado em março de 1973.
Em fevereiro de 1974 a VARIG encomendou a Boeing dez birreatores
737-200 Super Advanced, tendo a entrega do primeiro 737-200, matriculado
como PP-VME, ocorrido em outubro do mesmo ano. O sucesso do 737
no Brasil foi imediato, tanto que o modelo tornou-se o preferido
entre a grande maioria das empresas aéreas nacionais.
O primeiro DC-10-30 chegou ao Rio de Janeiro em maio de 1974,
entrando em serviço no dia 24 de julho nas rotas para a
Europa e em 1 de julho na linha Rio de Janeiro - Nova York.
Domínio Internacional
O controle total das rotas internacionais veio em 22 de setembro
1975, com a aquisição da Cruzeiro do Sul. Durante
a crise do petróleo entre os anos de 1973 e 1974, a Cruzeiro
do Sul foi duramente fragilizada, colocando em uma posição
financeira extremamente delicada, sendo esta alvo de diversas
negociações. É interessante citar que essa
negociação inicialmente não tinha a VARIG
como protagonista, mas sim, a VASP, que já dava como certa
a compra da Cruzeiro do Sul e por isso, oferecia um valor muito
abaixo do mercado. Os diretores da Cruzeiro resolveram, então
oferecer a empresa à VARIG que fez uma proposta muito melhor
muito melhor e saiu vitoriosa. Ironicamente, meio século
depois de fundada, a Cruzeiro do Sul que um dia fora a maior acionista
da VARIG, acabou sendo por ela adquirida.
Como acontecerá dez anos antes, a VARIG entrou novamente
num processo de reorganização. Apesar de continuarem
empresas distintas, foi feita uma racionalização
de serviços entre ambas, para evitar a superposição
de rotas e horários.
Ao consolidar suas principais linhas domésticas e levar
a diante a abertura de outras, a VARIG foi gradativamente deixando
de operar linhas regionais - especialmente as do estado do Rio
Grande do Sul.
O Governo Federal notando esse problema criou em 1975 um decreto
regulamentando o sistema de empresas de transporte regional, esperando
com isso encorajar o desenvolvimento de linhas regionais.
O serviço consagrado da VARIG no exterior, somado à
péssima imagem deixada pelas crises financeiras da Panair
e da Real, motivaram a Ditadura Militar a dar exclusividade para
a empresa gaúcha nas rotas internacionais. Entretanto em
1976, um decreto do Governo Federal, que obrigava os passageiros
com destino ao exterior (exceto América do Sul) a efetuarem
depósito compulsório em dinheiro - a ser reembolsado
um ano após a viagem, fez com que a VARIG tivesse seu tráfego
internacional reduzido. Sendo parcialmente compensado pelo aumento
da demanda nos vôos domésticos ou com destino à
Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
Do Mercado Doméstico ao Jumbo
Em agosto de 1976 um consórcio formado pela VARIG e pelo
Top Táxi Aéreo com sede no Rio de Janeiro, formaram
a Rio-Sul Serviços Aéreos Regionais. Operando inicialmente
aviões Piper PA-31 Navajo, posteriormente reforçada
por oito EMB-110 Bandeirante. Ficando sob responsabilidade dessa
nova empresa toda a região sul do país. Em dois
anos a Rio-Sul já servia vinte e sete cidades da região
sul e sudeste.
Em abril de 1980, assume a presidência Hélio Smdit
sendo este o quinto presidente da VARIG. Sob seu comando a VARIG
acrescentou novas linhas internacionais e domésticas a
sua vasta rede.
Assegurando a modernização da frota, a VARIG recebeu
em 1981 seus três primeiros Boeing 747-200B, equipados com
as confiáveis turbinas General Eletric CF-6-50E, idênticas
às que já equipavam os DC-10-30 da frota.
O primeiro 747-200B, matriculado PP-VNA, foi colocado na linha
Rio de Janeiro - New York em 12 de fevereiro de 1981. Além
desta linha os 747-200B operaram mais tarde, também, para
Paris e Frankfurt.
Curiosamente VARIG configurou inicialmente a primeira classe desses
aviões no deck superior, pelo charme e privacidade que
este representava. Algum tempo depois a primeira classe foi transferida
para a área frontal do piso principal, devido a maior parte
dos passageiros da primeira classe serem pessoas idosas.
A excelente aceitação dos Boeing 747-200, aliada
a sua grande capacidade de transporte, levou a VARIG a adquirir
no final de 1985 mais dois 747, desta vez da série -300
na versão Combi, aos quais se juntaram outros três
747-300 full-pax, três anos mais tarde.
Em 1986 foi concebido o personagem "Variguinho", uma
caricatura extremamente simpática e engraçada de
um avião. Sendo hoje uma das imagens mais conhecidas da
empresa.