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Dez
anos de Sucesso
Em agosto de 2005
o ERJ 145 um dos maiores sucessos da aviação comercial
completa dez anos, tendo sido mais de 900 aviões entregues
a 67 operadores mundiais, espalhados por 41 paises, mais de 203
milhões de passageiros transportados e tendo voado aproximadamente
7 milhões de horas ao longo de uma década.
Números como esses não deixa dúvidas sobre
as qualidades do projeto do primeiro avião a reação
desenvolvido no Brasil.
Mas por incrível que pareça esta história de
sucesso esteve próxima de jamais se concretizar devido à
falta de recursos. Em meados de 1992 enquanto um grupo de renomados
engenheiros, com talento mundialmente reconhecido graças
a grande aceitação dos turboélices EMB-110
e EMB-120 no mercado mundial, definia o projeto final do futuro
jato brasileiro, a Embraer passava por sérios problemas financeiros.
A empresa até então uma estatal já havia realizado
um profundo corte de gastos, demitido uma grande quantidade de trabalhadores
e ainda assim estava próxima de ser fechada.
A idéia de um avião com capacidade para até
50 passageiros equipado com motores turbofan havia sido apresentada
pela Embraer no salão de Le Bourget em 1989. O modelo apresentado
era equipado com dois motores Allison AE3007 montados sobre o extradorso
das asas e tinha capacidade para até 50 passageiros. Devido
aos modestos resultados obtidos durantes os ensaios preliminares
no túnel de vento, os motores passaram para debaixo das asas.
Em 1991 a equipe de desenvolvimento realizou novas mudanças
no projeto, desta vez reposicionando os motores na parte posterior
da fuselagem. Sendo que apenas em 1992 o projeto apresentava as
características básicas do atual ERJ 145.
O projeto ainda sofreria inúmeras mudanças para tentar
ser competitivo no mercado de aviação regional a jato
que começava a despontar no horizonte. Especialmente nos
Estados Unidos, onde começavam a surgir sinais de que aquela
década a aviação regional seria dominada pelos
aviões a reação.
Porém no Brasil as situações políticas
e econômicas não davam quaisquer sinais de quem a situação
da combalida Embraer teria solução. Mas apesar da
grave situação enfrentada a equipe do programa 145
continuava trabalhando, mesmo que sem qualquer garantia de que o
esforço seria recompensado.
Em meados de 1994, quando o governo deu sinal verde para o processo
de privatização da Embraer, esta era tida como uma
empresa problemática e que dificilmente seria rentável.
Uns dos grandes (e poucos) atrativos eram a reconhecida capacitação
tecnológica e a presença mesmo que modesta da empresa
no seleto grupo das industrias aeronáuticas mundiais. Os
enormes sucessos obtidos com o Brasília e com o Tucano, mostravam
que aquela empresa tinha algum potencial em um dos mais acirrados
e arriscados mercados mundiais.
Em dezembro de 1994 a Embraer era finalmente privatizada, tendo
como novos controladores o banco de investimentos Bozzano, Simonsen
e os fundos de pensão Previ e Sistel.
Os novos controladores perceberam imediatamente que o programa EMB
145 poderia tornar-se um sucesso de vendas. Fazendo com que o programa
de desenvolvimento ganhasse sinal verde e principalmente recursos
que até então quase não existiam.
A experiência obtida com o mal fadado programa CBA-123 “Vector”,
acabou se revelando extremamente importante durante o programa EMB-145,
especialmente quanto à introdução de novas
tecnologias. Sendo um os maiores exemplos o mock-up eletrônico
via CAD, até então uma novidade no mercado mundial.
Além da utilização do CFD (Computadorized Fluid
Dynamics) que é capaz de analisar todo o escoamento de ar
ao redor do avião, que foi de fundamental importância
para o desenvolvimento de uma asa de perfil transônico, dotada
de eficiente hipersustentação. O que permitiu a eliminação
dos caros e complexos sistemas de hipersustentação
no bordo de ataque das asas, como slats ou flaps “Kruger”.
Uma novidade no programa foi à introdução do
conceito Concurrent Engineering (Engenharia Simultânea), que
interligava todo o processo de desenvolvimento, entre todos os setores
de projeto, manufatura e principais fornecedores. O que permitiu
otimização e redução em mudanças
de projeto e melhor controle de custos.
O primeiro
vôo
Na manhã de 11 de agosto de 1995, o protótipo matriculado
como PT-ZJA, sob os comandos dos pilotos de testes Gilberto Pedrosa
Schittini e Luiz Alberto Guimarães, acompanhados pelo engenheiro
Fernando Tedeschi Oliveira decolava do aeroporto de São José
dos Campos, rumo a um exaustivo e complexo programa de testes e
homologação, que em novembro do mesmo ano contava
já com um segundo protótipo. A campanha de testes
envolveu ainda mais dois modelos de pré-série e mais
duas aeronaves destinadas aos testes estáticos e de fadiga.
O programa de testes e homologação exigiu mais de
1000 horas de vôo. Onde não foram constatados problemas
que exigissem grandes alterações. Além disso
o desempenho ficou muito acima das expectativas, especialmente com
relação à velocidade máxima, razão
de subida, peso máximo operacional e alcance. As asas projetadas
para uma velocidade de cruzeiro de mach .76 permitiram uma velocidade
de mach .78 com grande eficiência.
Fazendo com que os custos operacionais ficassem abaixo do esperado,
tornando o modelo ainda mais competitivo.
A apresentação internacional aconteceu em março
de 1996, durante a FIDAE no Chile. Porém o grande desafio
aconteceria a partir de maio, quando foi realizada uma turnê
pelos Estados Unidos, seguida pela apresentação no
Salão Aeronáutico de Farnborough, na Inglaterra.
As turnês pelos Estados Unidos e Europa, mostraram todo o
potencial comercial do novo avião, que recebeu inúmeras
encomendas, dentre elas da Continental Express (atual Express Jet
Airlines) e da American Eagle. Logo após receber a certificação
do CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica) e FAA (Federal
Aviation Administration), em dezembro de 1996, aconteceu à
primeira entrega a Continental Express, que hoje opera uma frota
de 257 aviões.
A homologação européia na JAA (Joint Aviation
Authorities) aconteceu em maio de 1997, sendo seguida pela entrega
dos primeiros aviões a Portugália e a Regional.
No Brasil a primeira e única operadora do ERJ 145 foi a Rio
Sul que recebeu o primeiro exemplar em maio de 1997, chegando a
operar ao final de 2002 uma frota de 15 aviões. Atualmente
parte da frota ex-Rio Sul é operada pela FAB, onde recebeu
a designação C-99.
Nasce uma
família
Ainda em 1997, a Embraer começou a analisar o mercado para
o lançamento de uma versão de 35 lugares do ERJ 145.
O novo avião deveria ter uma comunidade de componentes superior
a 90% com seu irmão maior mantendo os mesmos motores. Basicamente
o novo avião estaria limitado às modificações
relacionadas ao encurtamento da fuselagem, mantendo inclusive as
mesmas asas, empenagem e trem de pouso. O que geraria uma grande
minimização nos custos de produção e
operação. E ainda uma significativa redução
no tempo de homologação, em função da
similaridade entre ambas aeronaves.
O sinal verde para o agora denominado ERJ 135 aconteceu em setembro
do mesmo ano.
O ERJ 135 foi montado a partir da modificação do primeiro
protótipo do ERJ-145 (PT-ZJA) e do segundo exemplar de pré-série
(PT-ZJC). Esta medida, representou uma grande economia de custos
e de tempo.
Os aviões tiveram a fuselagem encurtada em um total 3,50
metros. Sendo que as seções do módulo central
II (à frente da asa) e no módulo central IV (atrás
da asa), foram substituídas por módulos menores.
Tais modificações exigiam o uso de novos comandos
do profundor, componentes de cablagem elétrica, revestimento
termo-acústico, tubulações hidráulicas,
sistema de ar-condicionado e pressurização. Que tiveram
de ser redimensionados em função da fuselagem mais
curta. Além de algumas pequenas modificações
nos dispositivos de comandos, em alguns softwares e no sistema FADEC
(Full Autority Digital Engine Control).
Visando assegurar basicamente as mesmas características de
vôo do ERJ 145, a fuselagem foi encurtada seguindo a mecânica
de vôo (controle, estabilidade, etc), exigindo pequenas mudanças
no CG (Centro de Gravidade). Fazendo com que o ERJ 135 tivesse basicamente
as mesmas qualidades de vôo do ERJ 145.
Graças a todas estas medidas, a comunalidade de componentes,
chegou a mais de 94%.
O interior manteve exatamente a mesma configuração
básica do ERJ 145 mantendo mesmo padrão de conforto,
o que acabou gerando dois assentos extras, elevando a capacidade
para 37 passageiros.
O primeiro vôo do ERJ 135 (PT-ZJA) aconteceu em 4 de julho
de 1998, exatamente nove meses após o inicio do programa.
Em seguida a Embraer mantendo as mesmas características que
nortearam os projetos 145 e 135, lançou o ERJ 140, que é
1,42 metros menor que o ERJ-145, com capacidade para até
44 passageiros.
No mesmo período a Embraer lançava o Legacy, seu primeiro
avião executivo, desenvolvido sobre a plataforma do ERJ 135.
O modelo vem obtendo excelentes resultados no disputado mercado
super mid-size, colocando a Embraer entre as principais fabricantes
de aviões executivos do mundo.
O modelo 145, também ganhou novas variantes ao longo dos
anos, como a versão ER (Extended Ranger), LR (Long Ranger)
e XR (Extra Long Ranger).
Sucesso também
na aviação militar
Mas sem dúvida, as maiores modificações na
plataforma ERJ 145, aconteceram em sua versão militar. As
modificações começam pela mudança de
foco do projeto, que saiu de um avião voltado para transporte
regional, para o altamente complexo serviço de Inteligência,
Vigilância e Reconhecimento.
As primeiras encomendas da variante militar foram realizadas pela
FAB para atuar no SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia).
O que levou ao desenvolvimento de três variantes a EMB 145
AEW&C (Airborne Early Warning and Control), EMB 145 RS/AGS (Remote
Sensing / Air to Ground Surveillance) e EMB 145 MP/ASW (Maritime
Patrol/Anti-Submarine Warfare) sendo que esta última era
oferecida a FAB para o serviço de patrulhamento marítimo,
mas acabou não sendo escolhido.
Esta nova família chamou a atenção de alguns
países que buscavam novos vetores para seus sistemas ISR
(Intelligence, Surveillance and Reconnaissance) com menores custos
de aquisição e operação.
Os primeiros clientes internacionais foram o México e a Grécia,
seguidos pela Índia. Sendo que posteriormente foi criada
uma parceria entre a Embraer e a Lockheed para o fornecimento de
novos aviões ACS (Aerial Common Sensor) para a Marinha e
Exército dos Estados Unidos. A plataforma escolhida na ocasião
foi novamente o EMB 145, que apesar de suas excepcionais características,
acabou tornando-se pequena durante o desenvolvimento do projeto,
que atualmente exige uma célula maior para transportar toda
a eletrônica embarcada. O que abortou a possibilidade do modelo
ser utilizado inclusive pelas forças armadas dos Estados
Unidos.
Visando atender o mercado asiático, especialmente o chinês,
a Embraer em parceria com a Harbin Aircraft Industry Group Co. e
a Hafei Aviation Industry Co., constituíram uma join venture
para a montagem da família 145 na China.
O primeiro ERJ 145 produzido na Harbin Embraer Aircraft Industry
Company, fez seu roll-out em dezembro de 2003.
Tais fatos mostram todo o potencial dessa família de aviões,
que deve chegar à marca dos 1000 aviões entregues
em poucos meses.
Aquele vôo na manhã de 11 de agosto de 1995 colocou
definitivamente entre as 4 principais industrias aeroespaciais do
mundo.
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