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Parte I
O maior avião
de transporte de passageiros do mundo; Mais de 1.300 aviões
construídos; 3,6 bilhões de pessoas transportadas.
Desde seu primeiro vôo em 1969 foram mais de 64 bilhões
de quilômetros voados, o equivalente a 74 mil viagens de ida
e volta a Lua. O maior histórico de confiabilidade e segurança
da história da aviação. O avião mais
conhecido do planeta.
Dados surpreendentes como esses só podem pertencer a um impressionante
avião, que resumiu seu nome a três caracteres numéricos,
7-4-7 conhecido carinhosamente pela maioria de seus passageiros
e tripulantes como Jumbo.
O projeto do 747 teve início na década de sessenta,
após a Boeing perder o contrato para a construção
do CX-HSL (Cargo, Experimental, Heavy-Lift System), um super avião
de transporte para a USAF (Força Aérea dos Estados
Unidos), capaz de transportar até 750 soldados totalmente
equipados.
Devido às características do projeto, os engenheiros
da Boeing visitaram inúmeras companhias aéreas, pois
o novo avião indiretamente incorporava várias características
de um avião comercial.
Paralelamente a Boeing trabalhava no desenvolvimento de um avião
supersônico para o transporte de passageiros, o B-2707, que
devido à crise mundial do petróleo no final da década
de 60, levou o Congresso norte-americano suspender as ajudas financeiras
do projeto, levando a Boeing a cancelar o desenvolvimento do B-2707.
Após a Lockheed vencer o programa CX-HSL, com seu C-5A Galaxy,
a Boeing presidida na época por William “Bill”
Allen, aproveitando que a Pan American Airways buscava um novo avião,
com maior capacidade que seus 707, iniciou estudos para aplicações
civis do seu projeto militar.
O desenvolvimento
Em agosto 1965 Joseph Sutter reuniu sua equipe para iniciar estudos
para o desenvolvimento do programa 747, que teve participação
importante da Pan American Airways, na época tinha Juan T.
Trippecomo presidente. No tempo em que sendo a Pan American Airways
a maior empresa aérea do mundo fazia com que toda a indústria
do transporte aéreo vivesse à era do "o que é
bom para a Pan Am é bom para o mundo".
Durante todo o desenvolvimento do projeto, Sutter esteve presente
todos os dias, exceto uma única vez que passou o Natal com
a família.
Anunciado oficialmente no dia 13 de abril de 1966, por ocasião
da encomenda de vinte e cinco exemplares pela Pan Am, a um valor
de US$ 500 milhões, a equipe formada por mais de 50.000 mil
funcionários iniciou o desenvolvimento do 747.
Como inicialmente pensava-se que aviões como os 747 seriam
usados principalmente no transporte de cargas, a fuselagem foi projetada
para que fossem acomodados em seu interior, dois contêineres
de 2,45 x 2,45m, lado a lado.
Visando facilitar a carga e descarga a cabine foi colocada num andar
superior, deixando todo o piso principal livre para cargas. Além
de possibilitar que o nariz pudesse ser completamente aberto, facilitando
as operações.
Inicialmente a área atrás da cabine de comando seria
usada para alojar os equipamentos e sistema da aeronave, mas Juan
T. Trippe impressionado com o tamanho do espaço disponível
teve a idéia de usar esta região para criar um lugar
reservado aos prestigiados passageiros da primeira classe. A sugestão
foi imediatamente aceita pela Boeing que desenvolveu várias
configurações para esse local, as idéias para
aproveitamento desse espaço iam de uma simples sala de estar
com um bar, passando por uma academia de ginástica, cinema
e até um mini cassino foi sugerido.
Outras idéias favorecendo a primeira classe sugiram ao longo
do desenvolvimento do avião, como a instalação
de um nariz feito de vidro para melhorar a visão dos passageiros.
Idéia jamais aprovada pela equipe de projetistas da Boeing.
Após mais 75 mil projetos de engenharia e mais de 15 mil
horas de testes no túnel de vento, a Boeing finalmente conseguiu
chegar à configuração final do avião,
que se tornaria um dos maiores mitos da indústria aeronáutica
moderna e seu avião mais famoso, o 747 "Jumbo Jet".
Apartir do solo, a altura da cauda do 747 é de 19.58 metros,
o equivalente à altura de um edifício de cinco andares.
Ao taxiar o piloto encontrava-se a quase nove metros acima do solo.
As enormes asas com 59,60 metros podem alojar até 198 mil
litros de combustível e em seu interior passam 217 quilômetros
de fios.
Em configuração de classe única, o 747 pode
acomodar mais de 500 passageiros em sua imensa área interna
de 56,30 metros e os porões podem carregar mais de 27 toneladas
de cargas, podendo ser carregados ou descarregados em poucos minutos.
Mas devido às dimensões do avião iniciou-se
um movimento “anti-jumbo”, que alegava que um acidente
com um avião dessas proporções causaria o mesmo
número de vitimas que todos os acidentes ocorridos em qualquer
ano.
Com o objetivo de reduzir qualquer tipo de risco a Boeing incumbiu
uma equipe de cinco coordenadores para analisar todos os itens do
projeto, tipos de falha e como reduzir ao máximo a possibilidade
de acidentes. A questão segurança foi prioridade máxima
no desenvolvimento do programa 747.
Em junho de 1966, a Boeing adquiriu uma área de 3.156.550m²
junto ao aeroporto de Paine Field em Everett, a 50km de Seattle,
no estado de Washington, EUA, onde construiu o maior hangar do mundo,
com mais de 5,6 milhões de m³, exclusivamente para construir
o maior avião comercial do planeta. Anos mais tarde este
hangar foi ampliado para incluir também a produção
dos modelos 767 e posteriormente do 777.
Com o intuito de agilizar e facilitar os trabalhos a Boeing decidiu
sub empreitar a produção de diversos componentes do
seu novo avião. A produção dos primeiros deles
foi iniciada em setembro de 1967 e a primeira seção
completa vinda da unidade de Wichita, Kansas chegou à nova
fábrica no dia 21 de novembro, antes mesmo do término
da construção da gigantesca fábrica, de 200
milhões de dólares (em quantia da época).
O Primeiro vôo
Menos de três anos após o inicio do desenvolvimento
do 747, o primeiro exemplar batizado como "City of Everett"
e matriculado como N7470 fez seu roll-out em Paine Field em 30 de
setembro de 1968. Durante a cerimônia os coordenadores e executivos
das primeiras empresas clientes despejaram alguns litros de champanhe,
na fuselagem do avião, comemorando o sucesso do modelo, que
já havia recebido encomendas de inúmeras companhias
aéreas.
Ainda durante o evento houve vôos rasantes realizados pelos
707, 727 e 737 que eram os modelos em produção até
então.
O vôo inaugural aconteceu na fria manhã do dia nove
de fevereiro de 1969, sob o comando do comandante Jack Waddell,
o co-piloto Brien Wygle e o engenheiro de vôo Jess Wallick.
Às 11 horas de 38 minutos, diante de centenas de funcionários
da Boeing, jornalistas e convidados decolava para um breve vôo
de 16 minutos o maior avião ocidental até os dias
de hoje. Provando que a exorbitante quantia de US$1 bilhão
gasta durante o desenvolvimento do modelo havia sido bem aplicada.
Logo após o pouso Waddel definiu as qualidades do 747 com
as seguintes palavras "este avião é a resposta
ao sonho de cada piloto”.
Boeing não construiu nenhum protótipo, apenas cinco
exemplares para testes e homologação. O "City
of Everett" junto com as outras quatro unidades foram incorporados
aos extensos programas de certificação exigido pela
FAA (Federal Aviation Administration). O Certificado de Tipo foi
emitido pela FAA no dia 30 de dezembro do mesmo ano, após
serem realizados 1.013 vôos que ao todo duraram 1.400 horas
e consumiram a exorbitante quantia de 28 milhões de dólares
- em dinheiro da época.
Durante os vôos de teste o motor original Pratt Whitney JT-9D,
foi trocado nada menos do que 55 vezes, mas mesmo assim o motor
foi aprovado como a motorização do modelo –100.
Dos cinco modelos de teste, quatro foram reconfigurados pela Boeing
e entregues a cliente, exceto o “City of Everett" que
se tornou demonstrador do modelo. Recentemente o “City of
Everett” foi enviado ao Museu do Vôo, localizado ao
lado das instalações da Boeing em Everett.
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