Decolando Rumo
ao Sucesso
Na noite do dia
21 de janeiro de 1970, com 336 passageiros abordo o primeiro 747-100,
batizado como “Clipper Young America” e matriculado
como N747PA, estava preste a inaugurar o primeiro vôo comercial
com um 747, quando durante o taxi apresentou problemas de super
aquecimento em um dos motores e voltou ao terminal.
O “Clipper Young América”, foi então substituído
pelo “Clipper Victor”, (N736PA) e à uma hora
do dia 22 de fevereiro de 1970, o 747 entrava em serviço
pela Pan American World Airways na linha New York – Londres.
Anos mais tarde esse mesmo avião envolveu-se no maior acidente
aeronáutico do mundo, ao colidir com outro 747 da KLM, no
Aeroporto Internacional de Tenerife.
A última unidade do modelo –100, número de série
23390, foi entregue a Japan Airlines em setembro de 1986.
No total foram entregues 221 unidades, sendo nove da sub-variante
-100B. Dos 221 aviões entregues quase 50% foram para 10 empresas
aéreas norte-americanas e os restantes para 22 companhias
ao redor do mundo.
Novas Variantes
A fim de atender as necessidades das companhias aéreas de
voar longas distâncias, da costa Leste dos Estados Unidos
até a Ásia, a Boeing desenvolveu em 1973 uma versão
de longo alcance do 747. A fuselagem foi encurtada em 14,60m, mas
foi mantida a mesma capacidade de combustível e as mesmas
asas, apenas com novos flaps. Apenas algumas modificações
aerodinâmicas foram realizadas, como aumentar a altura da
deriva para compensar a instabilidade direcional em caso de perda
de um dos motores.
Esta versão foi batizada como 747SP (Special Performance
- Performance Especial) e voou pela primeira vez em 4 de junho de
1975. Devido a sua fuselagem encurtada e seu menor peso o 747SP
foi o primeiro avião a voar regularmente entre New York e
Tokyo sem escalas. E logo se tornaria um batedor de recordes. No
dia 05 março de 1976, foi entregue o primeiro 747SP a Pan
American Airways.
Em um vôo especial realizado pela Pan American Airways em
28 de outubro de 1977, um de seus 747SP, decolou e pousou em San
Francisco, após dar uma volta ao mundo em 54 horas, 7 minutos
e 12 segundos, passando pelos dois pólos e realizando somente
duas escalas. Devido seu alto custo operacional apenas 45 unidades
foram produzidas.
Em 19 de dezembro de 1968 a Boeing lançou uma versão
aperfeiçoada do modelo -100, inicialmente chamado de 747B,
mas designado comercialmente como 747-200B. As principais modificações
nesta versão foram à adoção de novos
motores com maior potência, o que proporcionou um maior peso
operacional, maior capacidade de combustível e foi desenvolvida
uma nova configuração no upper-deck que agora poderia
transportar até 10 passageiros. O roll-out aconteceu em 10
de setembro de 1970, com a primeira entrega tendo ocorrido em 15
de janeiro de 1971, a holandesa KLM.
Paralelamente ao desenvolvimento da versão -200B, foi desenvolvida
a versão puramente cargueira, que possuí uma grande
porta lateral na parte posterior da fuselagem e abertura total do
nariz no sistema basculante. Assim permitindo o carregamento de
cargas volumosas.A primeira entrega foi em 10 de março de
1972, a Lufthansa.
Aproveitando o desenvolvimento da versão cargo a Boeing desenvolveu
também a versão 747-200 Combi, que possuí a
mesma porta lateral na parte posterior da fuselagem, podendo carregar
simultaneamente passageiros na parte dianteira e carga traseira
da aeronave. Essa versão realizou seu primeiro vôo
em 23 de março de 1973, a primeira entrega foi realizada
em 30 de abril do mesmo ano a World Airways.
Ainda foi desenvolvida a versão 747-200M, que era uma versão
conversível para passageiros ou carga, que foi entregue em
7 de março de 1975 a Air Canada.
Dois 747-200 foram transformados em posto de comando avançado
para a USAF, e dois configurados para o transporte exclusivo do
presidente dos Estados Unidos, sendo estes os quatro únicos
747 com capacidade de reabastecimento em vôo.
Em 30 de outubro de 1972 a JAL (Japan Airlines), encomendou 12 unidades
do 747-200. Mas devido às características do país,
onde o avião é o principal meio de transporte, a JAL
solicitou algumas modificações em seus aviões,
já que seriam realizados curtas etapas de vôos. A estrutura
e o trem de pouso foram reforçados para poderem realizar
um maior número de pressurizações e pousos
do que o previsto no projeto original do 747. Esta versão
foi denominada 747-200SR (Short Range - Curto Alcance) e foram produzidas
apenas 29 unidades.
Ao todo foram produzidos 393 Boeing 747-200; 225 configurados para
o transporte de passageiros, 91 na versão Combi e 73 na versão
cargueira. Das 59 empresas operadoras do 747-200, dez eram norte-americanas.
Ainda nos anos 70 a Boeing, iniciou estudos para o desenvolvimento
de uma versão alongada de seu 747 com capacidade para até
mil passageiros, mas devido ao altíssimo custo final, esta
versão acabou não sendo desenvolvida.
Aproveitando a idéia da KLM em aumentar o tamanho do upper-deck
a Boeing desenvolveu uma nova versão do 747, conhecida internamente
por 747EUD (Extended Upper Deck), que foi posteriormente designado
como 747-300.
Com essa versão, a Boeing ofereceu ao mercado um avião
com maior capacidade de passageiros e carga que as versões
anteriores. O upper-deck foi alongado em 7,11m, permitindo transportar
até 91 passageiros em classe econômica, a tradicional
escada em espiral foi substituída por uma escada convencional,
posicionada agora na parte posterior do upper-deck.
Novos motores com maior potência e consumo foram desenvolvidos
permitindo uma maior autonomia e um maior peso operacional.
O 747-300 realizou seu primeiro vôo em 5 de outubro de 1982,
tendo a primeira entrega ocorrido em 1 de março de 1983 para
a Swissair, que foi a companhia aérea lançadora do
modelo.
Foi desenvolvida ainda a versão 747-300C (combi), entregue
a Swissair em 05 de março de 1983 e a versão SR exclusiva
para o mercado japonês.
Devido o desenvolvimento da versão -400, o 747-300 teve uma
produção de apenas 82 unidades, sendo desse total
vinte e uma da versão Combi e quatro da versão SR.
Curiosamente dos 18 clientes do 747-300 nenhum era norte-americano
exceto três vendidos a ILFC que os arrendou a VARIG. [
Leia
Mais]
O Moldelo -400
Com as conquistas obtidas no desenvolvimento da aviônica do
767 e 757 a Boeing, lançou em 1985 uma nova versão
do 747, usando o mesmo piso superior do modelo –300. A cabine
de comando foi completamente modernizada, das 971 luzes, interruptores
e indicadores ficaram apenas 365, o painel foi dotado de seis modernos
displays de raios catódicos, cada um com 8 x 8 polegadas.
Onde são exibidos os controles de vôo, parâmetros
dos motores e navegação.
A adoção de modernos aviônicos digitais permitiu
a eliminação do engenheiro do vôo, sendo o 747-400
certificado para apenas dois pilotos.
A cabine de passageiros também foi redesenhada, o uso de
materiais mais claros e menos inflamáveis deram maior amplitude
e segurança a cabine. O sistema de ar condicionado foi revisado,
melhorando a distribuição do ar em todo o interior
do avião, contribuindo para aumentar o conforto abordo.
A flexibilidade das configurações da cabine permite
que os operadores possam reajustar rapidamente o interior do avião
as exigências do mercado. Em menos de 48 horas pode ser reconfigurado
toda a disposição dos lavatórios, galley e
poltronas.
Graças ao uso de materiais compostos na construção,
como grafite e ligas de alumínio, o 747-400 é 24 toneladas
mais leve, do que suas versões anteriores. A inclusão
de novas asas com maior envergadura e o uso de winglets, o consumo
de combustível segundo a Boeing fica em média 14%
menor.
Tendo assim o 747-400 alcance de 13.000 quilômetros e caso
for instalado um tanque extra de combustível de 12.490 litros
o alcance é estendido em mais 645 quilômetros.
Como resultado a Qantas Airways, quebrou um recorde mundial de distância
para aviões comerciais, ao realizar com um 747-400 um vôo
sem escalas entre Londres e Sydney, percorrendo 18.000km em 20 horas
de 9 minutos.
Um novo sistema de freios foi desenvolvido usando discos de carbono,
o que aumentou a eficiência de frenagem e reduziu o desgaste
dos freios. Além de uma sensível redução
no peso dos trens de pouso, que são 816 quilogramas mais
leves que das versões anteriores.
O 747-400 foi lançado oficialmente em 22 de outubro de 1985.
O primeiro 747-400 fez seu roll-out em 26 de janeiro de 1988; foi
entregue a Northwest Airways em 26 de janeiro de 1989.
Quando a Boeing decidiu lançar a versão cargueira
do modelo –400, as companhias aéreas e os engenheiros
da Boeing, concordaram que a utilização do upper-deck
alongada era completamente desnecessária, já que ali
não poderia ser usado para transportar carga, gerando apenas
um peso extra. Peso que poderia ser aproveitado para transportar
carga ou uma quantidade maior de combustível. Ficou decidido
então pela utilização da fuselagem e asas do
747-400, mas usando o upper-deck da versão –200. A
primeira entrega do 747-400F ocorreu em 10 de outubro de 1991 para
a Cargolux.
Uma versão sem winglets foi desenvolvida exclusivamente para
o mercado japonês. Devido ao fato dessas aeronaves voarem
distâncias curtas, o uso do winglet não iria gerar
ganhos visíveis na redução de combustível,
gerando apenas um peso extra. Essa versão batizada como 747-400D
(Domestic), pode carregar até 600 passageiros em configuração
de alta densidade. A primeira entrega ocorreu em 10 de outubro de
1991 para a japonesa JAL, que atualmente é a maior operadora
do 747 do mundo.
Foi desenvolvida ainda uma versão conversível que
realizou seu primeiro vôo em 30 de junho de 1989 e foi entregue
em 09 de setembro do mesmo ano a KLM. Apartir de maio de 1990 o
747-400 e suas variantes são a única versão
em produção do 747.
Atualmente esta em produção também a a versão
de longo alcance do 747-400, batizado de 747-400ER (Extended Range),
sendo a australiana Qantas a empresa lançadora do modelo.
O 747-400ER foi projetado para voar 760 quilômetros a mais
que sua versão anterior, ou transportar 6.810 quilogramas
a mais de carga útil. Para isso tem como padrão um
novo tanque de combustível, tendo ainda opção
para mais um.
O novo modelo possui componentes das asas, trem de pouso e fuselagem
reforçados, novos pneus com maior diâmetro, um peso
máximo de decolagem de 414.000 quilos, nova cabine redesenhada
e com melhor redução de ruídos, além
de contar agora com novos displays de cristal líquido.
Existem ainda estudos para o desenvolvimento da versão 747-400XQLR
(Quiet Long Range), que deverá produzir uma significativa
redução de ruído durante as operações
de pouso e decolagem, além de possuir um maior alcance.
Reconhecido imediatamente por passageiros, o Boeing 747 com certeza
ainda ira reinar por muitos anos nos céus do mundo.