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| Rolls-Royce do Silver Ghost ao Trent 1000 |
| Do encontro entre Charles Rolls e Frederick Royce nasceu uma das
mais importantes indústrias do mundo, produzindo dos mais luxuosos
automóveis até os mais avançados motores aeronáuticos. |
Texto:
Edmundo Ubiratan| Fotos: Rolls-Royce |
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Quando
o jovem Lord inglês Charles Stwwart Rolls, um apaixonado por
esportes e automobilismo, resolveu encomendar um motor ao torneiro
mecânico Frederick Henry Royce, famoso por desenvolver motores
velozes e silenciosos, não sabia que daquele encontro surgiria
a mais famosa e tradicional fabricante de motores do mundo. |
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Charles
Rolls era o terceiro filho do Lord Llangattock, tinha berço
e formação aristocrática nos melhore moldes da
sociedade britânica do inicio do século XX.
Estudou na famosa
Universidade de Cambridge tendo obtido o diploma em Engenharia Mecânica
e Ciências Aplicadas. Era um bem-sucedido empresário
que além do talento, teve ajuda de seus pais. Estes, assim
como toda aristocracia inglesa, previam apenas uma vida de luxo e
status da família. Ainda
na universidade Charles Rolls, fundou a C.S.Rolls&Co. que em pouco
tempo tornou-se um dos principais distribuidores de veículos
da Inglaterra. Seu
primeiro contato com automóveis se deu pouco tempo antes após
voltar de uma viagem a França onde comprou um Peugeot com 3
hp, sendo este o primeiro carro na cidade de Cambridge e com o qual
Rolls venceu diversas corridas. |
| Charles Rolls (esq.) e Frederick Royce (dir.) |
| No
lado oposto estava Frederick Royce, um homem de origem humilde e
formações precárias. Toda sua formação
técnica foi obtida através de muito esforço
e dedicação. Com muito trabalho conseguiu fundar,
em 1884, uma pequena empresa que produzia geradores, guindastes
e componentes para iluminação no subúrbio de
Manchester, a Royce Ltd. Devido à qualidade de seus produtos,
Frederick Royce prosperou, podendo se dar ao luxo de possuir em
1903 um automóvel. As inúmeras panes e a tremenda
vibração do Decauville irritaram profundamente Royce
que decidiu desmontar o carro e a partir dele desenvolver um melhor
que fosse silencioso e confiável. Isso fez o automóvel
de Royce o primeiro automóvel produzido e projetado na Inglaterra.
Em 1904, Royce
havia produzido três unidades do seu automóvel com
dois cilindros. O sucesso do novo carro foi imediato.
Nesta mesma
época, Charles Rolls, procurava um novo carro com características
melhores do que os vendidos em sua loja e preferencialmente de origem
britânica. Este fato chamou a atenção de Henry
Edmunds, um dos acionistas da Royce Ltd., que apresentou a Rolls
as qualidades do automóvel produzido por seu sócio.
Porém Rolls não acreditou nas qualidades apresentadas.
Entretanto, após a insistência de Henry Edmunds, Charles
Rolls aceitou ir até Manchester para comprovar as qualidades
do automóvel. |
| O
encontro |
O
histórico encontro entre os três aconteceu no dia 4
de maio de 1904 no Midland Hotel. A empatia entre todos foi imediata,
Charles Rolls ficou encantado com as qualidades do automóvel
produzido por Frederick Royce. No mesmo dia foi firmado um acordo
em que a C.S.Rolls&Co., entraria com o dinheiro e teria exclusividade
na venda dos carros produzidos pela Royce Ltd, que ficaria responsável
pelo desenvolvimento e produção.
O carro produzido
pela Royce Ltd, na verdade, era um conjunto mecânico montado
sobre um chassis francês De Dion. Isso era bastante comum
na época; uma empresa produzia apenas a parte mecânica
e outra ficava responsável pela carroceria.
O novo carro
foi um sucesso apesar de não possuírem nenhuma tecnologia
inovadora, a única idéia era produzir carros para
durar eternamente e sem qualquer barulho. O sucesso comercial e
o lançamento do Silver Ghost (nome escolhido devido a ausência
de ruído), o mais avançado automóvel de seu
tempo, levou os sócios a fundarem a uma nova empresa em março
de 1906. Após consultarem inúmeros livros, a procura
de um nome ficou estabelecida: se os automóveis eram tão
bons eles deveriam levar o nome de seus criadores, portanto a nova
empresa seria batizada de Rolls and Royce Co., sendo que posteriormente
foi eliminado o “and” e adicionado um hífen em
seu lugar.
A adoção
dos dois “R” sobrepostos no escudo da empresa foi idéia
de ambos, pois demonstrava a força da marca. Inicialmente
o escudo era grafado em vermelho, porém, em 1930, Royce achou
que a marca ficaria mais elegante se as letras fossem pretas. Entretanto,
com sua morte em 1933, criou-se à lenda que o logo preto
era em sinal de luto pelo falecimento de seus fundadores.
Em comemoração
à fundação da nova empresa, um exemplar do
Silver Ghost rodou toda a Europa e sem quebrar uma única
vez! |
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Apenas
como nota: a obsessão pela qualidade era tanta que, em 1920,
um Rolls-Royce teve o eixo quebrado enquanto seu proprietário
fazia um safári pela África e após telegrafar
para a fábrica em apenas dois dias um novo eixo já
estava instalado no carro!
Se já
não bastasse a rapidez incrível com que o pedido foi
atendido, quando o proprietário do carro retornou a Inglaterra
entrou em contato com a Rolls-Royce informando que não havia
recebido a fatura para o pagamento da peça, transporte e
mão-de-obra. Obteve como resposta uma carta com apenas a
frase: “Os Rolls-Royce nunca quebram”.(!)
Apaixonado por motores, Rolls foi também um pioneiro da aviação.
Seu primeiro contato com a aviação aconteceu em 1906
quando encontrou os irmãos Wright, tendo voado pela primeira
vez com Wilbur Wright em 1908.
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| Vista da primeira fábrica da Rolls-Royce |
Apaixonado
por motores, Rolls foi também um pioneiro da aviação.
Seu primeiro contato com a aviação aconteceu em 1906
quando encontrou os irmãos Wright, tendo voado pela primeira
vez com Wilbur Wright em 1908.
Em 2 de junho
de 1910, Rolls realizou o feito inédito de cruzar o Canal
da Mancha nos dois sentidos com seu avião, um Wright Flyer
modificado e construído na França. Porém em
12 de julho do mesmo ano, seu pioneirismo na aviação
foi marcado também com o primeiro acidente aéreo fatal
a vitimar um inglês, encerrando assim, de forma trágica,
a parceria de sucesso entre Rolls e Royce. |
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