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Rolls-Royce
    A Rolls-Royce começa a voar

    Com início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Royce sensibilizado pelos apelos do governo britânico para o desenvolvimento de um motor de 200 hp para equipar o bombardeiro Handley-Page, projetou seu primeiro motor aeronáutico, o Eagle.

    Ironicamente, durante 1908 e 1910, Wilbur Wright tentou convencer sem sucesso a Rolls-Royce a produzir motores aeronáuticos.

    O trabalho de desenvolvimento teve de começar do zero tendo apenas como referencia o motor “Silver Ghost”, que acabou sendo a base para o Eagle. Mesmo após reduzir o peso e tamanho de alguns componentes, a relação peso potencia naquele instante era uma preocupação secundária, onde o primordial era adaptar o que melhor pudesse ser aproveitado dos já confiáveis motores produzidos pela empresa.

    Apesar da especificação da Royal Aeronautical Establishment para um motor refrigerado a ar, foi desenvolvido em paralelo um motor refrigerado a água, devido à confiabilidade e experiência que Royce tinha neste tipo de motor.

    Entretanto, apesar de todo o empenho, ainda existia um problema sério: o motor “Silver Ghost” usado como referencia não produzia metade da potência exigida. Para chegar aos 200 hp a solução encontrada foi aumentar o curso do pistão e dobrar o número de cilindros de seis para doze. Outro aspecto que mereceu atenção especial foi a transmissão para que a rotação na ponta do eixo-motor não ultrapassasse o limite das 1100 rpm (rotações por minuto), o máximo suportado pelas arcaicas hélices.

    Os primeiros testes com o Eagle aconteceram no inicio de 1915, tendo o motor desenvolvido 220 hp a 1600 rpm, chegou aos 225 hp a 1800 rpm nos modelos de produção. Avançando aos 360 hp nos últimos modelos de produção em 1918.

    O Eagle voou pela primeira vez em 18 de dezembro de 1915, impulsionando o bombardeiro pesado Handley-Page, lançando a Rolls-Royce aos céus pela primeira vez. O Eagle foi utilizado em aproximadamente metade da frota de aviões dos aliados durante o conflito.

    Ao términio da I Guerra, o Eagle também esteve presente em memoráveis feitos da aviação como a primeira travessia do Atlântico realizada por Alcock e Bron, além do primeiro vôo ligando a Inglaterra a Austrália realizado por um Vickers Vimy em 1919. Também foi utilizando um motor Eagle quando Gago Coutinho e Sacadura Cabral cruzaram o Atlântico Sul com seu Fairey em 1922.
Funcionários trabalham no motor Merlin
    Pouco antes do início da I Guerra Mundial, o milionário Jacques Schneider criou o Troféu Schneider, uma prova disputada por hidroaviões em um circuito fechado de 350km. A próxima prova seria sempre realizada na nação do vencedor. Em meados de 1920, o Troféu acabou envolvendo indiretamente toda a reputação tecnológica dos paises dos participantes fazendo com que o prêmio tomasse uma conotação política, pois vencer a prova passou a ser uma questão de orgulho nacional.

    Como o avião, assim como o motor, exigia um projeto especial, o governo britânico novamente recorreu a Rolls-Royce, pois a prova que viria acontecer seria no Reino Unido, pois sucedia uma vitória britânica no ano anterior. Além disso, o tri-campeonato garantiria a posse definitiva do Troféu, assim como na Copa do Mundo da FIFA. Vencer em casa agora era questão de honra para os ingleses.

    O desenvolvimento do novo motor começou baseado no motor Buzzard, de 825 hp, que foi batizado de “Modelo R”, tendo sido instalado em um avião Supermarine S-5. O novo motor possuía 12 cilindros em “V” com 60º e desenvolvia 1900 hp, tendo dado aos inglêses o título de 1929 e 1930. Em 1931 a Rolls-Royce desenvolveu uma versão melhorada do seu consagrado “Modelo R” capaz de desenvolver 2350 hp, que levou o Supermarine S-6B a incríveis 600km/h e deu definitivamente o Troféu Schneider a Inglaterra.

Em 22 de abril de 1933, a Rolls-Royce, agora a mais importante industria de motores aeronáuticos da Inglaterra, perdia seu grande líder, Frederick Henry Royce que desde o início havia sido responsável por todas as conquistas tecnológicas da empresa. Ele deixou seu legado marcado para sempre na história da industria mundial.
    Do Merlin ao Welland
    Com a iminência de uma nova grande guerra, o Ministério da Defesa britânico entregava a especificação a Supermanine para a concepção de um novo avião de caça que deveria ser o mais avançado de seu tempo.

    A Supermarine em parceria com a Rolls-Royce desenvolveu um novo motor baseado no já consagrado e confiável “Modelo R”, desenvolvendo um modelo de 12 cilindros em “V” invertido para proporcionar melhor visibilidade ao piloto e inicialmente com 1000 hp de potencia. Nascia assim o lendário motor Merlin que viria a equipar além do Supermarine Spitfire, o Hawer Hurricane e o caça bombardeiro Fairey Battle. Os primeiros motores construídos foram enviados justamente para a Fairey. No final, o motor Merlin substituiu os motores Allison V1710 utilizado nos caças North American P-51 Mustang.

    O Merlin era o maior motor de seu tempo tendo sido produzido pela Rolls-Royce, Ford Motor Co. na Inglaterra e pela Packard nos Estados Unidos. Ao final da II Guerra Mundial mais se 169 mil unidades foram produzidas, tornando a Rolls-Royce a maior fabricante de motores aeronáuticos da época.

    Com o inicio da II Guerra, o então presidente da Rolls-Royce, Ernets W. Hives decidiu que a empresa deveria concentrar seus esforços no desenvolvimento de novos motores aeronáuticos. Em 1941 Hives percebendo o potencial de novos conceitos instituiu que Lionel Haworth trabalhasse no desenvolvimento de um motor “a jato”, para verificação da viabilidade dessa nova tecnologia. Tendo como resultado o motor WR1 que serviu como demonstrador desse novo tipo de propulsão.

O motor resultante dessas pesquisas, o W2B, foi instalado em 1941 no Gloster/Whittle E28/39, e esta foi a plataforma de ensaios que deu origem a versão Welland instalada no Gloster F90/40 que entrou em produção em setembro de 1943. Em abril de 1944 era entregue a RAF – Royal Air Force, o Gloster Meteor que em 27 de julho de 1944 se tornou o primeiro caça “a jato” aliado a entrar em serviço operacional tendo como único rival o alemão Messerschmitt Me 262.

    A partir do desenvolvimento do Welland, a Rolls-Royce passou a produzir unicamente motores à reação, e esses passaram a ser os modelos padrão na aviação civil e militar desde então.
    Durante os anos de guerra, Frank Whittle tentou provar que o uso dos motores a reação só seriam vantagem se fossem usados como “turboélices”, um termo que até então não existia. Whittle defendia que o uso desse novo tipo de motor deveria ser para girar um conjunto de hélices acoplados a um eixo impulsionados por uma turbina. Essa idéia não era aceita pela maior parte da indústria que via como benefício o uso desse motor como fonte de propulsão única, baseado unicamente no empuxo gerado pelo ar expelido do motor.

    Em setembro de 1945, o primeiro motor turboélice RB50 Trent, baseado no motor a reação Derwent II finalizava as 633 horas de seu programa de ensaios em bancada e 298 de ensaios em vôo, provando todas as vantagens defendidas por Whittle. Este foi o primeiro motor turboélice desenvolvido e que viria a revolucionar a indústria de aviação.
 
O lendário motor turboélice Dart
    Vale citar que a atual séire de motores Trent não tem nenhuma relação com este motor, a não ser o nome homônimo.

    Estudos após a II Guerra visavam estabelecer quais os parâmetros para o desenvolvimento de uma nova aeronave para o mercado civil tendo este estudo culminado com o desenvolvimento do Bristol Type 175 Britannia e posteriormente do Vickers Viscount. Este último foi equipado com quatro turboélices Rolls-Royce Dart, e incorporava o que melhor existia nos modelos anteriores, Griffont, Derwent e Nene.

    Foram produzidos mais de 7100 unidades do motor Dart que motorizou além dos Viscount, diversas outras aeronaves como os Convair CV-600, Dart Herald, Fokker F-27, Grumman Gulfstream, Hawker Siddeley HS-748 entre outros.