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Focke-Wulf Fw 200 Condor
Desconhecido pela maioria, o Focke-Wulf Fw 200 foi um dos maiores e mais revolucionários aviões de seu tempo e marcou época no Brasil, sendo o primeiro quadrimotor a operar em uma empresa brasileira.
Texto: Edmundo Ubiratan| Fotos: Arquivo
 
    O seu desenvolvimento iniciou-se na primavera de 1936 pelo engenheiro Kurt Tank, diretor técnico da Focke-Wulf Flugzeugbau GmbH, de Bremen, na ALemanha, para atender aos interesses da DHL - Deutsche Luft-Hansa (atual Lufthansa). A empresa desejava uma aeronave moderna e com um conforto jamais visto até então, com um grande alcance, sendo capaz de voar seme scalas para qualquer destino da Europa.
    A exigência básica seria facilmente cumprida com um avião do mesmo porte do DC-3, mas Tank decidiu construir um avião completamente revolucionário e as primeiras linhas do elegante quadrimotor foram esboçadas por Tank e o engenheiro da DHL, Rudolph Stüssel, numa estação ferroviária da Itália, enquanto aguardavam o embarque.

    Após algumas reuniões, Tank já tinha as principais características do novo avião, batizado de Fw 200, designação escolhida pelo próprio Tank por ser um número de fácil memorização pelo público.

    O Fw 200 possuía fuselagem interiamente metálica, tipo cantilever, com asa baixa e capacidade para 26 passageiros.

    Era impulsionado inicialmente por quatro motores Pratt & Whitney S1E-G Hornets de 875 HP, cada um equipado com modernas hélices bipás VDM-Hamilton que possuíam 2,95 metros de diâmetro.

    A tripulação era composta de quatro aeronautas, sendo um piloto-comandante, um co-piloto, um radio-operador e um comissário de bordo. A cabine de passageiros era dividida em uma seção dianteira com 17 assentos e aos fundos uma área reservada aos fumantes com outras nove poltronas. O Fw 200A-0 ainda dispunha de amplas poltronas forradas de couro, toalete, galley, iluminação difusa, ventilação, cortinas individuais e bagageiros suspensos em toda a extensão da cabine. Ainda incorporava atrás dos encostos de cada poltrona uma tampa articulada que se tornava uma mesinha quando baixada.

    Os flapes de acionamento hidráulico foram localizados logo atrás dos motores, com o trem de pouso alojado sob a carenagem dos motores dois e três. O sistema de acionamento do trem de pouso consistia de um engenhoso sistema desenvolvido por Tank, no qual o travamento das rodas era efetuado pela força gerada pela queda livre e pelo arrasto do ar. Ele era ainda era dotado de um moderno sistema de amortecedores hidráulicos, que era uma novidade para a época e proporcionava um maior conforto durantes os pousos.

    O recolhimento, tanto do trem de pouso quanto das tampas do compartimento, era efetuado por um motor elétrico e as superfícies de comando possuíam acionamento manual simples efetuado por cabos de aço e polias. Eram detalhes que faziam do Fw 200A-0 o mais moderno e luxuoso avião de seu tempo.

    Foram construídos um total de doze unidades do Fw 200A-0, sendo três protótipos e nove aviões de série. Todos eles eram dotados de motores BMW 132 de 720 HP, que, com lotação máxima, tinham uma razão de consumo por passageiro de seis litros para cada 100km voados.

    O primeiro vôo do protótipo do Fw 200VI, matriculado D-ACON e batizado de Brandenburg, ocorreu no dia 27 de julho de 1937, com o próprio Kurt Tank nos comandos. Após algumas pequenas modificações introduzidas na empenagem o D-ACON, rebatizado como Fw 200S (Special) e dotado de tanques extras de combustível e o segundo protótipo Fw200V2 D-AERE, batizado como Saarland, iniciaram uma série de vôos de longa distância com fins meramente promocionais.

    O primeiro “tour” promocional ocorreu em 27 de julho de 1938, rumo ao Cairo, e já em 10 de agosto o
Fw 200 D-ACON decolou de Berlim sob os comandos de Flugkapitane Henke e de von Moreau rumo ao aeroporto de Floyd Bennett em New York, fazendo um notável vôo sem escalas. O vôo cobriu as 4.075 milhas náuticas em 24 horas e 55 minutos, desenvolvendo uma velocidade média de 255km/h, inferior ao previsto devido aos fortes ventos de proa encontrados ao longo de todo o percurso. O retorno foi efetuado em 19 horas e 47 minutos desta vez com uma velocidade de 300km/h.

    Em 28 novembro de 1938, novamente o D-ACON decolou de Berlim rumo a Tóquio. Tendo sob seus cuidados a mesma tripulação que efetuara o vôo até New York, o vôo foi completado em 46 horas e 18 minutos, incluindo as três escalas para reabastecimento efetuadas em Basra, Karachi e Hanoi. Ao retornar à Alemanha de uma maneira nunca explicada publicamente, próximo a Manila dois motores deixaram de funcionar devido a um erro cometido na transferência de combustível dos tanques auxiliares para o principal. Em emergência de pane seca, a tripulação optou por aterrissar em águas rasas, a fim de posteriormente recuperar a aeronave. Seria assim se não fosse o surgimento inesperado de um tufão que danificou seriamente toda a aeronave.

    Devido a estas demonstrações, além da DHL, a Focke-Wulf recebeu uma encomenda de dois Fw200 da empresa dinamarquesa DDL (Det Danske Luftfartselskab), seguida da encomenda de mais duas unidades feita pelo Sindicato Condor.

    O Fw 200V2 foi entregue à DLH, enquanto o Fw200V3 teve uma longa carreira como D-2600 "Immelmann III", sendo o avião pessoal de Adolf Hitler. Nesta mesma época, a Focke-Wulf iniciou o desenvolvimento de uma nova versão, batizada como Fw 200B, porém não recebeu nenhuma encomenda do modelo.