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Em
1935, foi assinado um contrato entre a Focke-Wulf e o governo brasileiro
prevendo a instalação de uma fábrica de aviões
no Rio de Janeiro. O contrato previa que a construção
seria por conta do governo brasileiro e a transferência de
tecnologia seria de responsabilidade da Focke-Wulf. As instalações
foram montadas junto as instalações militares na Ilha
do Galeão. Enquanto eram transferidos os gabaritos e ferramental
necessário para a montagem dos FW200A-0 no Brasil, começaram
a ser montados o Stieglitz, uma aeronave leve de treinamento e o
Weihe, aeronave para empregos gerais e bombardeio.
Infelizmente,
devido ao inicio da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e
a Inglaterra barraram a importação desse tipo de material
pelo Brasil, impedindo que qualquer Fw 200A fosse construído. |
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Em 29 de Junho de 1939 o Diretor-Gerente
do Sindicato Condor, Paul Moosmayer, juntamente com vários
funcionários, aguardavam ansiosos a chegada do Fw200A-0
recém adquirido pela empresa.Por volta das 15 horas, o
grande quadrimotor conduzido pelo Cmte. Alfred Henke, da Lufthansa,
Guenther Schuster e o Mecanico de Bordo Francisco Radzey - ambos
do Sindicato Condor, tocou suavemente a pista gramada do Aeroporto
Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Schuster
e Radzey haviam acompanhado passo a passo à construção
daquela aeronave nas instalações da Focke-Wulf em
Bremen, com o intuito de se familiarizarem com todos os detalhes.
O translado entre Berlim e o Rio de Janeiro foi cumprido em menos
de 35 horas, um recorde para a época.
Originário
da Lufthansa, ostentava ainda a matrícula D-AXFO, sendo
re-matriculado no Brasil como PP-CBI e batizado de Abaitará.
A chegada dessa primeira aeronave iria permitir ao Sindicato Condor
alcançar seus objetivos. Voava a uma velocidade de cruzeiro
de 340km/h e tinha capacidade para até 26 assentos, estas
aeronaves faziam o Sindicato Condor alcançar um padrão
de excelência impensáveis para a época. Os
motores radiais BMW 132G com 760HP consumiam em regime de cruzeiro
485 litros por hora de vôo, dando-lhe um alcance de 3.500km.
Os vôos
internacionais da empresa até Buenos Aires, que vinham
sendo realizados com os JU52/3m, poderiam ser agora realizados
com os modernos Fw 200A-0. Em 29 de julho do mesmo ano, o Sindicato
Condor recebia o segundo FW200A-0 Arumani, matrículado
como PP-CBJ e também originário da Lufthansa (matriculado
originalmente como D-ASBK). Este vôo de entrega foi realizado
sob a responsabilidade dos pilotos Rudolf Cramer von Clausbruch,
Guetering e pelos mecânicos e radiotelegrafistas Nuelle,
Stein, Otto Rosinski e Gustav Salz. Ambos foram colocados imediatamente
na rota Rio de Janeiro – São Paulo – Porto
Alegre – Buenos Aires.
Como subsidiaria
da Lufthansa, o Sindicato Condor dependia da empresa alemã
para o recebimento de suprimentos, apoio técnico e financeiro
para manter suas operações. Como todos os comandantes
de origem alemã, a eclosão da Segunda Guerra Mundial
fez com que toda a estrutura operacional da empresa fosse seriamente
abalada.
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A entrada dos
Estados Unidos no conflito fez ainda que toda a empresa fosse transformada
em potencial fator de risco aos interesses políticos e econômicos
norte-americanos no Brasil. A tripulação e os equipamentos
de navegação e comunicação foram vistos
como evidências que o Sindicato Condor conspirava para a transmissão
de informações preciosas para a Alemanha nazista. Muitos
pilotos e mecânicos tiveram suas licenças de permanência
cassadas pelo governo brasileiro.
Agora sem poder
contar com sua única fonte de suprimentos, o Sindicato Condor
atravessava sua primeira grande crise. Medidas extremas de contenção
de despesas foram adotadas, sendo a principal delas a redução
em 25% dos salários de todos os funcionários e a substituição
dos motores BMW pelos Pratt & Whitney 132 Hornet. |
Em
1941 a empresa se via diante de um novo desafio, pois agora estava
impedida de voar por falta de combustível, que era importado
por fornecedores norte-americanos.
O fato mais absurdo
viria a acontecer quando o governo brasileiro tentava, junto aos Estados
Unidos, mostrar que, embora a empresa tivesse origem alemã,
seus serviços eram indispensáveis para ao país.
A solução que foi apresentada pelos norte-americanos
era simplesmente o fechamento imediato do Sindicato Condor e a transferência
das linhas para a Panair do Brasil, que até então era
uma empresa subsidiária da Pan American Airways. Tal medida
não foi aceita pelo governo brasileiro, que então transferiu
parte do combustível da Força Aérea Brasileira
para o Sindicato Condor.
Pouco tempo depois,
o nome da empresa seria alterado para Serviços Aéreos
Condor devido ao nome sindicato ser privativo para a associação
de classe. Ainda em 1941, assumiu a diretoria o Dr. José Bento
Ribeiro Dantas, apoiado por cinco oficiais da FAB. E iniciou a substituição
de todos os funcionários de origem alemã por funcionários
brasileiros, que nem sempre tinham a experiência necessária
para substituir seus colegas alemães.
Em 16 de Janeiro
de 1943, buscando nacionalizar definitivamente, a empresa novamente
altera seu nome, desta vez para Serviços Aéreos Cruzeiro
do Sul. Em 1946, ainda sob forte pressão norte-americana para
a desativação de todas as aeronaves alemãs do
Brasil, a Cruzeiro do Sul acelerava o processo de substituição
dos JU52/3m, ao mesmo tempo em que iniciava a aquisição
dos modelos DC-3 e DC-4 Skymaster, este último recebidos diretamente
da fábrica com a intenção de inaugurar a linha
recém concedida Rio de Janeiro – New York.
Em 7 de março
de 1947, o DC-3 PP-PCK da Panair do Brasil que se preparava para pousar
no Aeroporto Santos Dumont, acidentalmente chocou-se com o Abaitará
que se encontrava próximo à cabeceira da pista. Os danos
poderiam ter sido facilmente reparados, mas a direção
da Cruzeiro do Sul resolveu dar perda total à sua aeronave.
No mesmo ano,
o Arumani foi afastado, pois o fato de ser o único exemplar
da frota tornava inviável sua operação. Existe
relatos afirmando que após a Cruzeiro do Sul ter sucateado
seus dois Fw200A-0, pessoas estranhas à empresa certificaram-se
de que todo seu ferramental fosse lançado em alto mar.
Pouco antes de
serem desativados, os Fw200A-0 tiveram suas 26 confortáveis
poltronas substituídas por 30 do DC-3. O Abaitará, antes
de ser dado como perda total, somava um total de 5.303 horas de vôo
e o Arumani foi desativado com 5.533 horas de vôo, sendo também
o último Fw200A-0 em serviço no mundo. |
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| Ficha Técnica |
| Fabricante: Focke-Wulf
Flugzeugbau; Envergadura: 32,85m;
Comprimento: 23,45m; Altura: 3,30m;
Área Alar: 119,85m²; Peso
vazio: 12.950 kg; Peso máximo
de decolagem: 24.520 kg; Alcance: 3.500
km (14 horas); Velocidade máxima: 360
km/h; Velocidade de Cruzeiro: 335 km/h;
Teto máximo de serviço: 6.000m
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