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Possivelmente
os pneus estão entre os itens menos lembrados de uma aeronave.
O que talvez seja justificado pelo seu pequeno porte em relação
a uma aeronave. Mas apesar de serem pequenos e pouco lembrados os
pneus são uns dos itens mais importantes de uma aeronave
e trazem consigo o estado da arte da moderna engenharia aeronáutica.
Os pneus aeronáuticos estão sujeitos aos mais severos
esforços. Eles sofrem enormes forças dinâmicas
de rotação, onde a força centrifuga submetida
ao pneu em uma corrida para decolagem faz com que a borracha e as
lonas tendam a tentar separar uma da outra. E durante o pouso o
pneu passa do estado de repouso para mais de 1500 rotações
por minuto, e durante o toque o atrito com o solo faz com que a
temperatura ultrapasse os 100ºC no centro da banda de rodagem.
Dependendo do modelo da aeronave suporta individualmente cargas
superiores a vinte toneladas. Para suportar elevadas cargas os pneus
são inflados com gás nitrogênio a pressões
normalmente dez vezes superior a encontrada nos pneus utilizado
em automóveis e caminhões.
Apesar de sofrerem todos os tipos de esforços um pneu tem
uma vida útil entre 2400 e 3500 ciclos. Sendo que em média
a cada 500 ciclos ele passa pelo processo de recauchutagem.
Para muitos pode ser estranho ou até mesmo perigoso à
idéia de recauchutar um pneu de avião, mas este é
um procedimento comum em toda a aviação. Sendo que
um pneu diagonal (bias) sofre em média seis recauchutagem
durante sua vida útil, enquanto o radial sofre no máximo
duas recauchutagens.
Aqui vale uma ressalva, ao contrário do mito, os pneus radiais
não são mais resistentes ou duráveis. As principais
vantagens dos pneus radiais são um peso em média 30%
inferior aos diagonais e a capacidade de destruir de forma controlada
em caso de colapso.
O processo de recauchutagem começou nos Estados Unidos durante
a década de 30, visando uma maior economia para os operadores
de aviões, especialmente para as empresas aéreas.
Aproximadamente 85% da frota de aeronaves em operação
ao redor do mundo esta utilizando pneus recauchutados. Os demais
15% representam pneus novos para repor os que atingiram o limite
de sua vida útil e os instalados em aeronaves recém
produzidas.
O pneu de um avião de grande porte pode custar mais de US$4.000,00.
Se a cada 500 ciclos um pneu novo tivesse que ser adquirido, a frágil
situação econômica das empresas aéreas
seria seriamente comprometida. Basta lembrar que um avião
como o Boeing 777 possui 14 pneus, para ter uma idéia do
custo que seria trocar constantemente este caro item. A recauchutagem
permite uma redução em mais de 70% do custo. E quanto
maior o pneu maior a economia, pois o custo de material e mão-de-obra
não varia muito.
Existem aproximadamente 50 oficinas de recauchutagem homologadas
ao redor do mundo. A empresa especializada neste tipo de serviço
deve obrigatoriamente obter uma certificação especifica
expedida pelos órgãos de regulamentação
como o CTA (Brasil), FAA (Estados Unidos) e JAA (Europa). Além
disso cada modelo de pneu também necessita de uma homologação
própria.
A recauchutagem é praticamente um serviço artesanal,
pois cada pneu tem características próprias, exigindo
que cada peça tenha um tratamento especial. Tanto que cada
um recebe um número de série próprio são
registrados em um banco de dados. O processo de posicionamento da
borracha e das camadas de náilon obedece a um complexo processo
que varia de pneu para pneu.
A primeira fase da recauchutagem é a inspeção
visual, que detecta as condições gerais de cada pneu.
A segunda fase é um exame no shearography em um moderno equipamento
que verifica o grau de integridade de todas as camadas do pneu através
da aplicação de ar comprimido a 100 libras. Durante
este processo são verificados também eventuais vazamentos
e demais danos estruturais.
Após a aprovação pelo shearography, o pneu
é enviado para uma estufa com temperatura de 65ºC por
14 horas, apara eliminar a umidade e restituir o perfeito formado
circular.
Na fase seguinte é feita a raspagem da borracha e eventualmente
do náilon, sendo feita a preparação para a
deposição das novas camadas. O processo de remontagem
é feito no Orbitrex, um equipamento que efetua a deposição
continua e sem emendas da borracha, mantendo uma perfeita uniformidade
das camadas.
Em seguida a deposição das camadas de borracha, o
pneu é submetido a vulcanização em moldes que
restituem o formato da banda de rodagem. A última fase é
referente à eliminação das rebarbas, gravação
de marcas, pesagem, etiquetagem e analise das condições
gerais do pneu. Sendo aprovado, o pneu esta liberado para ser instalado
novamente e cumprir mais 500 ciclos antes de repetir o processo
até o final de as vida útil. |