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Talvez
esta seja uma das profissões mais conhecidas da aviação,
que mexe com o imaginário de muitas meninas que sonham em
ser “aeromoças” quando estiverem na fase adulta.
Apesar de ser uma profissão tão famosa, talvez mais
até que a de piloto, poucas pessoas conhecem realmente a
função de uma comissária e na maioria das vezes
esquecem que esta profissão também é exercida
por homens. Sendo que, na verdade, no inicio da aviação
esta era uma profissão exclusiva para homens, como praticamente
tudo até meados da década de 60.
A enfermeira norte-americana
Ellen Church foi à primeira mulher a exercer o cargo de comissária,
ao ser contratada pela Boeing Air Transport (atual United Airlines)
em maio de 1930. Como a maioria dos vôos, eram compostos por
passageiros do sexo feminino e crianças, a Boeing Air Transport
achou que seria adequado ter abordo uma enfermeira, que poderia
prestar melhores serviços a este tipo de passageiro.
Até então, o serviço de bordo e atendimentos,
em geral, eram feitos pelos próprios pilotos que serviam
o lanche e eventualmente prestavam algum auxílio a passageiros
que não raramente passavam mal. Mesmo porque, nenhum avião
dispunha de um local para este tipo de profissional, e muito menos
de algo que fosse similar a uma “galley”, e sacrificar
alguns assentos nos já pequenos aviões seria um procedimento
antieconômico para não dizer absurdo.
No Brasil o conceito de aeromoço, termo empregado na época,
só chegou anos depois de já estar sendo utilizado
nos Estados Unidos. A primeira empresa aérea a contratar
este tipo de profissional foi a Panair do Brasil, que era uma subsidiária
da Pan American World Airways, que já havia contratado este
tipo de profissional há alguns anos. As demais empresas aéreas
brasileiras só começaram a contratar comissários
logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em virtude da
chegada de inúmeros aviões Douglas DC-3/C-47 e Curtiss
C-46, que eram bem maiores que a maioria dos aviões já
em uso, e realizavam etapas mais longas fazendo com que a adição
de um novo membro a tripulação fosse recomendado.
Mas a maioria dos contratados para esta nova função
não recebia qualquer tipo de treinamento e tinham como principal
função servir os passageiros. Para tal, cada um tinha
que recorrer a seu bom senso para tentar desempenhar da melhor forma
possível suas funções.
Inicialmente, estes profissionais eram muito mais que tripulantes
de cabine, já que realizavam inúmeras atividades como
peso e balanceamento do avião, despacho, acomodação
das bagagens nos porões, entre outras funções.Era
um serviço difícil e sem qualquer preparo, sendo que
a experiência adquirida acabava passando dos mais antigos
para os mais novos, sem qualquer regulamentação.
É curioso que a maioria das empresas aéreas ao redor
do mundo relutava com a idéia de contratar mulheres para
esta função, no Brasil a maior parte das empresas
no inicio só contratavam aeromoços.
Atualmente a profissão de comissário de bordo é
regulamentada pelo IAC (Instituto de Aviação Civil),
que é subordinado ao DAC (Departamento de Aviação
Civil) através do MMA 58-11, que estabelece como deverá
ser a formação de comissário no Brasil.
Nas últimas quatro décadas, com a introdução
de aviões cada vez maiores fez com que o comissário
deixasse de ser apenas um anfitrião para ser um importante
membro na segurança abordo.
Atualmente, pelas características do vôo, é
comum muitos passageiros não estarem à vontade, o
que pode acarretar sérias mudanças no comportamento.
Cabe justamente aos comissários identificarem e tentar solucionar
da melhor forma possível à situação.
O que não é uma tarefa fácil quando se está
em um ambiente fechado, na maioria das vezes, com mais de uma centena
de pessoas. Mas o importante é mostrar toda sua autoridade
sem deixar a elegância de lado, que é justamente a
característica mais marcante desses profissionais.
Para quem esta entrando nesta carreira é importante ter:
além de boa aparência, facilidade para lidar com público
e um grande controle psicológico. É importante também
falar mais de um idioma, sendo que o inglês é obrigatório
na maioria das empresas aéreas.
Assim como a maioria das profissões ligadas à aviação,
o comissário tem sua vida particular comprometida, pois devido
à escala dos vôos, cada dia estará em um lugar.
Muitas vezes estando trabalhando em datas importantes como aniversários,
Natal, entre outras. O que pode ser um empecilho para muitos, especialmente
quando desejam ter filhos.
Mas a profissão ainda atrai muitos candidatos de ambos os
sexos, apesar de as mulheres ainda representarem a maioria deles.
A maior parte dos novos comissários ainda é estimulada
pelas oportunidades oferecidas pela carreira, como à chance
de conhecer diversas culturas diferentes. “Por permitir um
bom desenvolvimento pessoal, podendo ter acesso a diversas culturas,
informações e oportunidades” diz Tatianni Cabral
aluna do curso de comissários.
Mesmo com as oscilações do mercado, a carreira de
comissário ainda é promissora, especialmente porque
existe a possibilidade de conseguir uma chance em diversas empresas
aéreas internacionais.
Certamente não existe mais o glamour que rodeava a profissão
nos anos 50, mas é impossível ficar indiferente com
uma das profissões mais elegantes e tradicionais da aviação
comercial. |