Comissário de Bordo
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan
    Talvez esta seja uma das profissões mais conhecidas da aviação, que mexe com o imaginário de muitas meninas que sonham em ser “aeromoças” quando estiverem na fase adulta. Apesar de ser uma profissão tão famosa, talvez mais até que a de piloto, poucas pessoas conhecem realmente a função de uma comissária e na maioria das vezes esquecem que esta profissão também é exercida por homens. Sendo que, na verdade, no inicio da aviação esta era uma profissão exclusiva para homens, como praticamente tudo até meados da década de 60.

 A enfermeira norte-americana Ellen Church foi à primeira mulher a exercer o cargo de comissária, ao ser contratada pela Boeing Air Transport (atual United Airlines) em maio de 1930. Como a maioria dos vôos, eram compostos por passageiros do sexo feminino e crianças, a Boeing Air Transport achou que seria adequado ter abordo uma enfermeira, que poderia prestar melhores serviços a este tipo de passageiro.

Até então, o serviço de bordo e atendimentos, em geral, eram feitos pelos próprios pilotos que serviam o lanche e eventualmente prestavam algum auxílio a passageiros que não raramente passavam mal. Mesmo porque, nenhum avião dispunha de um local para este tipo de profissional, e muito menos de algo que fosse similar a uma “galley”, e sacrificar alguns assentos nos já pequenos aviões seria um procedimento antieconômico para não dizer absurdo.

No Brasil o conceito de aeromoço, termo empregado na época, só chegou anos depois de já estar sendo utilizado nos Estados Unidos. A primeira empresa aérea a contratar este tipo de profissional foi a Panair do Brasil, que era uma subsidiária da Pan American World Airways, que já havia contratado este tipo de profissional há alguns anos. As demais empresas aéreas brasileiras só começaram a contratar comissários logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em virtude da chegada de inúmeros aviões Douglas DC-3/C-47 e Curtiss C-46, que eram bem maiores que a maioria dos aviões já em uso, e realizavam etapas mais longas fazendo com que a adição de um novo membro a tripulação fosse recomendado.

Mas a maioria dos contratados para esta nova função não recebia qualquer tipo de treinamento e tinham como principal função servir os passageiros. Para tal, cada um tinha que recorrer a seu bom senso para tentar desempenhar da melhor forma possível suas funções.

Inicialmente, estes profissionais eram muito mais que tripulantes de cabine, já que realizavam inúmeras atividades como peso e balanceamento do avião, despacho, acomodação das bagagens nos porões, entre outras funções.Era um serviço difícil e sem qualquer preparo, sendo que a experiência adquirida acabava passando dos mais antigos para os mais novos, sem qualquer regulamentação.

É curioso que a maioria das empresas aéreas ao redor do mundo relutava com a idéia de contratar mulheres para esta função, no Brasil a maior parte das empresas no inicio só contratavam aeromoços.

Atualmente a profissão de comissário de bordo é regulamentada pelo IAC (Instituto de Aviação Civil), que é subordinado ao DAC (Departamento de Aviação Civil) através do MMA 58-11, que estabelece como deverá ser a formação de comissário no Brasil.

Nas últimas quatro décadas, com a introdução de aviões cada vez maiores fez com que o comissário deixasse de ser apenas um anfitrião para ser um importante membro na segurança abordo.

Atualmente, pelas características do vôo, é comum muitos passageiros não estarem à vontade, o que pode acarretar sérias mudanças no comportamento. Cabe justamente aos comissários identificarem e tentar solucionar da melhor forma possível à situação. O que não é uma tarefa fácil quando se está em um ambiente fechado, na maioria das vezes, com mais de uma centena de pessoas. Mas o importante é mostrar toda sua autoridade sem deixar a elegância de lado, que é justamente a característica mais marcante desses profissionais.

Para quem esta entrando nesta carreira é importante ter: além de boa aparência, facilidade para lidar com público e um grande controle psicológico. É importante também falar mais de um idioma, sendo que o inglês é obrigatório na maioria das empresas aéreas.

Assim como a maioria das profissões ligadas à aviação, o comissário tem sua vida particular comprometida, pois devido à escala dos vôos, cada dia estará em um lugar. Muitas vezes estando trabalhando em datas importantes como aniversários, Natal, entre outras. O que pode ser um empecilho para muitos, especialmente quando desejam ter filhos.

Mas a profissão ainda atrai muitos candidatos de ambos os sexos, apesar de as mulheres ainda representarem a maioria deles.
A maior parte dos novos comissários ainda é estimulada pelas oportunidades oferecidas pela carreira, como à chance de conhecer diversas culturas diferentes. “Por permitir um bom desenvolvimento pessoal, podendo ter acesso a diversas culturas, informações e oportunidades” diz Tatianni Cabral aluna do curso de comissários.

Mesmo com as oscilações do mercado, a carreira de comissário ainda é promissora, especialmente porque existe a possibilidade de conseguir uma chance em diversas empresas aéreas internacionais.

Certamente não existe mais o glamour que rodeava a profissão nos anos 50, mas é impossível ficar indiferente com uma das profissões mais elegantes e tradicionais da aviação comercial.
 
 

Index