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Viva o São João!
Capelinha de melão/É de São João/É de cravo é de rosa/É de manjericão./São João está dormindo/Não me ouve não/Acordai, acordai/Acordai, João.
Texto: Edmundo Ubiratan
 
    Com a chegada das festas juninas, o número de balões aumenta consideravelmente, colocando em risco não apenas quem esta no solo, mas também quem cruza os céus do país.
Como se já não bastasse o risco de colisões com aves, os aviadores brasileiros são obrigados a conviver com imensos balões assassinos.

    A grande maioria dos balões possui enormes estruturas, muitos passando dos 30 metros, que transportam alguns quilos de metal. Por não possuírem uma grande estrutura metálica é praticamente impossível o sistema TCAS prever a colisão com um monstro desses.

    Não é difícil imaginar o que pode ocorrer caso uma aeronave a mais de 500Km/h venha a colidir com um balão. O perigo se torna ainda maior durante as operações de pouso de decolagem, especialmente porque a maioria dos balões voa a uma altitude média de 2.000 metros.
    Lembro que em meados de 1997, um 747 da JAL – Japan Airlines – quase colidiu com um imenso balão durante a aproximação para o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
    A tripulação escreveu uma indignada carta ao CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), mas apesar do episódio ter chamado atenção de algumas autoridades nada foi feito.
    O Comando da Aeronáutica alega que por não possuir poder de polícia nada pode fazer. Como os balões obviamente são soltos fora do aeroporto, a INFRAERO, diz que o assunto foge a sua jurisdição, que qualquer medida para combater tais problemas são de responsabilidade da Prefeitura e do Governo do Estado.
Já estes informam que este é um assunto de polícia, que o máximo que podem fazer é campanhas de conscientização. A polícia por sua vez só pode agir caso tome conhecimento.

    
Enquanto as autoridades em um ato de total irresponsabilidade ficam neste "empurra-empurra", a cada dia que passa mais pessoas aderem a clubes de “baloeiros”. Que em muitos dos casos agem com extrema violência durante o “resgate” dos balões.

    Será que primeiro teremos que assistir um acidente para então as autoridades agirem? Isso se agirem, talvez seja mais fácil culpar os pilotos, a empresa aérea, o quem sabe até culpar São João.
 
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