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| Estes pequenos aerofólios montados
nas pontas das asas reduzem a resistência induzida, garantindo
assim maior eficiência e menor consumo de combustível. |
Texto e
Arte: Edmundo Ubiratan |
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A
idéia dos winglets surgiu da observação
de algumas espécies de pássaros que ao deflexionarem
as longas penas das pontas de suas asas podem planar por longas
distâncias sem qualquer esforço.
O conceito
era simples, pois quando o ar escoa sobre a asa, a pressão
é menor no extradorso (superfície superior) e maior
no intradorso (superfície inferior), como resultado, o ar
escoa do intradorso em direção ao extradorso pelas
pontas das asas, formando um turbilhonamento espiral, gerando um
arrasto adicional no avião, em alguns casos este arrasto
corresponde até a 35% do total. Sendo que gera uma perda
significativa de energia, reduzindo assim a eficiência e aumentando
consideravelmente o consumo de combustível.
O conceito
dos winglets surgiu pela primeira vez na aviação em
meados da década de 20, mas somente na segunda metade dos
anos 70 começaram a serem estudados.
Os primeiros
estudos foram coordenados pelo engenheiro aeronáutico Richard
T. Whitcomb do Centro de Pesquisas Langley da NASA, duas possibilidades
foram propostas, o aumento da envergadura das asas ou a instalação
de pequenos aerofólios nas pontas das mesmas.
Estudos realizados
no túnel de vento mostraram que a instalação
de tais superfícies eram em média 20% mais eficientes
que o aumento da envergadura. Além disso, o peso e esforços
estruturais eram muito menores com a instalação dos
winglets.
Em 1976 foram
instaladas nas pontas das asas de um Boeing KC-135 (versão
de reabastecimento aéreo do Boeing 707) duas superfícies
aerodinâmicas voltadas para cima a fim de verificar o desempenho
da aeronave em vôo.
Foi verificado
que com a instalação dos winglets houve uma redução
de aproximadamente 9% no arrasto induzido, aumentando significativamente
o alcance e performance da aeronave.
Testes semelhantes
foram realizados em um Douglas DC-10-10 que teve instalado em suas
asas duas pequenas superfícies aerodinâmicas, uma maior
voltada para cima e uma menor voltada para baixo, em uma configuração
semelhante a que seria adotada posteriormente nos McDonnell Douglas
MD-11. Com resultados similares aos obtidos com o KC-135.
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Os primeiros
aviões a serem projetados com winglets foram o Boeing 747-400,
Gulfstream III e IV, McDonnell Douglas MD-11 e C-17 e Airbus A330/340.
Apesar do 747-400 ter sido o primeiro avião a contar com winglets
eles são considerados um dos mais eficientes já projetados. As principais
vantagens do uso dos winglets são: economia de até 5%
no consumo de combustível; redução no custo da
manutenção dos motores; melhor na performance durante
a decolagem; aumento da altitude de cruzeiro e redução
dos ruídos causados durante a decolagem. Vale
ressaltar que estes parâmetros variam de acordo com o modelo
da aeronave e seu uso.
Apesar de tais
benefícios, a instalação de winglets nem sempre
é viável para determinado modelo. Os dois principais
pontos que devem ser levados em consideração são,
se a eficiência aerodinâmica gerada pelo winglet compensa
os problemas estruturais causados por sua intalação.
Mesmo possuindo
um peso relativamente pequeno as forças estruturais causadas
por seu uso requerem um reforço estrutural que aumenta consideravelmente
o peso da aeronave. |
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Além
disso, em vôos com menos de duas horas a economia gerada pelo
uso do winglet não compensa o custo de instalação
e manutenção.
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Na ilustração acima é
possível comparar os vórtices gerados por uma asa com
winglets e outra sem. |
Outro ponto
importante é observar as alternativas aerodinâmicas ao
uso do winglet, como a extensão da envergadura das asas, e/ou
a adição do raked wing tips (extensão das pontas
das asas em um ângulo mais acentuado, que proporciona desempenho
similar ao winglet com menor peso e esforço estrutural) que
foi utilizado inicialmente no Boeing 767-400, e posteriormente desenvolvido
para os Boeing 777-300ER e -200LR. No
desenvolvimento do 777, estudos mostraram que o uso do winglet não
traria benefícios aerodinâmicos, sendo que a melhor solução
foi à extensão da envergadura das asas, que gerou uma
asa mais estreita, com menor peso estrutural que obteve um desempenho
similar ao uso dos winglets. Apesar
da complexidade para a instalação dos winglets, atualmente
alguns modelos contam com esta opção, incluindo o veterano
Boeing 727 e recentemente também os Boeing 737-300. A
família 737 Next Generation, conta com a opção
para instalação de winglets, que foram batizados de
“blended winglet”, devido ao formato de junção
entre a asa e o winglet. Os
blended winglet foram desenvolvidos em conjunto pela Boeing e Aviation
Partners, que foram testados primeiramente no Boeing 737-800, e posteriormente
foram oferecidos também aos modelo 737-700 e 737 BBJ I e II
(Boeing Business Jet) a versão executiva do 737-700 e -800,
respectivamente.
O uso dos winglets proporcionam um aumento de 6 a 9% no alcance nos
modelos 737NG. Recentemente
foi anunciado que esta sendo desenvolvidos kits para instalação
de winglets nos Boeing 757 e MD-80, sendo que o 747-400 deverá
ganhar novos winglets com 4,3 metros de comprimento cada. |
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| Imagem da Capa: Boeing MD-11 - Thay Airways International
| Foto: Edmundo Ubiratan |
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