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Um ERJ-145
que realizava um vôo entre São Paulo e Uberaba, após
uma seqüência de erros durante a aproximação,
acabou varando a pista. O co-piloto em instrução durante
a aproximação julgou que talvez não pudesse
realizar o pouso, porém o comandante mesmo vendo que não
haveria condições de realizar um pouso seguro não
abortou o procedimento. Apesar de não ter tido conseqüências
graves para os passageiros, o acidente poderia ter sido evitado
se o comandante tivesse simplesmente optado por arremeter.
É importante lembrar sempre de uma regrinha básica,
uma aproximação não deve prosseguir além
do ponto em que a segurança do pouso se torna duvidosa. Mas
infelizmente inúmeros pilotos têm uma certa relutância
em arremeter, talvez imaginando que tal atitude passe a idéia
que ele não é bom o suficiente ou é covarde.
Mas a decisão de arremeter mostra uma grande capacidade de
julgamento e responsabilidade.
Esta relutância em arremeter, é causada principalmente
pela falta de preparo do piloto, que muitas vezes não tem
certeza sobre a atitude que deve ser tomada e ainda por pressão
externa. Especialmente na aviação executiva onde normalmente
existe a pressão por parte do cliente, o proprietário
do avião, para que ele chegue na hora prevista.
As condições que fazem que uma arremetida seja necessária
ou recomendada, varia de acordo com a aeronave e situação,
mas existem algumas regras básicas:
- Ao cruzar 300 pés o avião estiver ½ dot ou
mais fora do localizador ou 1 dot ou mais fora do glide slope.
- Caso a velocidade indicada na final seja superior a Vref + 20
nós ou a baixo.
- Se ao tomar contato com a pista o avião tiver que inclinar
mais de 10º as asas para conseguir alinhá-lo
- A razão de descida ter uma razão superior a 1.000ft/minuto
- Ter que reduzir a aceleração para “idle”
com o objetivo de recuperar a velocidade correta para pouso
- Falta de contato visual definido com a pista ou luzes de aproximação
ao atingir a altitude de decisão em procedimentos ILS, ou
o ponto crítico numa aproximação VOR ou ADF.
- Excesso de velocidade de altura na fase final de aproximação.
É importante que em aproximações IFR o piloto
nos controles permaneça concentrado nos instrumentos até
receber a informação que já tem condições
visuais para prosseguir para o pouso. Não recebendo esta
informação, ao atingir o ponto de decisão ele
deve, imediatamente, abortar o pouso. Também é importante
que a terminologia utilizada seja precisa, clara e dentro dos padrões
estabelecidos. Para esta situação devem ser utilizadas
expressões como “Arremeta” ou preferencialmente
“pull up”, que não deixam margens a interpretações
errôneas e evita que o piloto perca segundos preciosos para
interpretar a informação.
A primeira ação para iniciar uma arremetida em termos
gerais é aumentar a potencia para seu valor de arremetida
e mudar a altitude para estabelecer uma trajetória ascendente.
Os aviões equipados com Auto Go Around (Arremetida Automática)
executa esta tarefa quando ativado pelo piloto, porém o piloto
deve estar atento para poder assumir imediatamente os controles
no caso de alguma anormalidade durante o procedimento.
O mais importante é em caso de dúvidas, não
hesite, arremeta! |