Arremetida
 
   
Texto: Edmundo Ubiratan
    Um ERJ-145 que realizava um vôo entre São Paulo e Uberaba, após uma seqüência de erros durante a aproximação, acabou varando a pista. O co-piloto em instrução durante a aproximação julgou que talvez não pudesse realizar o pouso, porém o comandante mesmo vendo que não haveria condições de realizar um pouso seguro não abortou o procedimento. Apesar de não ter tido conseqüências graves para os passageiros, o acidente poderia ter sido evitado se o comandante tivesse simplesmente optado por arremeter.

É importante lembrar sempre de uma regrinha básica, uma aproximação não deve prosseguir além do ponto em que a segurança do pouso se torna duvidosa. Mas infelizmente inúmeros pilotos têm uma certa relutância em arremeter, talvez imaginando que tal atitude passe a idéia que ele não é bom o suficiente ou é covarde. Mas a decisão de arremeter mostra uma grande capacidade de julgamento e responsabilidade.

Esta relutância em arremeter, é causada principalmente pela falta de preparo do piloto, que muitas vezes não tem certeza sobre a atitude que deve ser tomada e ainda por pressão externa. Especialmente na aviação executiva onde normalmente existe a pressão por parte do cliente, o proprietário do avião, para que ele chegue na hora prevista.

As condições que fazem que uma arremetida seja necessária ou recomendada, varia de acordo com a aeronave e situação, mas existem algumas regras básicas:

- Ao cruzar 300 pés o avião estiver ½ dot ou mais fora do localizador ou 1 dot ou mais fora do glide slope.
- Caso a velocidade indicada na final seja superior a Vref + 20 nós ou a baixo.
- Se ao tomar contato com a pista o avião tiver que inclinar mais de 10º as asas para conseguir alinhá-lo
- A razão de descida ter uma razão superior a 1.000ft/minuto
- Ter que reduzir a aceleração para “idle” com o objetivo de recuperar a velocidade correta para pouso
- Falta de contato visual definido com a pista ou luzes de aproximação ao atingir a altitude de decisão em procedimentos ILS, ou o ponto crítico numa aproximação VOR ou ADF.
- Excesso de velocidade de altura na fase final de aproximação.

É importante que em aproximações IFR o piloto nos controles permaneça concentrado nos instrumentos até receber a informação que já tem condições visuais para prosseguir para o pouso. Não recebendo esta informação, ao atingir o ponto de decisão ele deve, imediatamente, abortar o pouso. Também é importante que a terminologia utilizada seja precisa, clara e dentro dos padrões estabelecidos. Para esta situação devem ser utilizadas expressões como “Arremeta” ou preferencialmente “pull up”, que não deixam margens a interpretações errôneas e evita que o piloto perca segundos preciosos para interpretar a informação.

A primeira ação para iniciar uma arremetida em termos gerais é aumentar a potencia para seu valor de arremetida e mudar a altitude para estabelecer uma trajetória ascendente. Os aviões equipados com Auto Go Around (Arremetida Automática) executa esta tarefa quando ativado pelo piloto, porém o piloto deve estar atento para poder assumir imediatamente os controles no caso de alguma anormalidade durante o procedimento.

O mais importante é em caso de dúvidas, não hesite, arremeta!
 
 

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