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Todos
os pilotos sabem que a decolagem é a fase do vôo que
apresenta os maiores riscos durante o vôo, pois é justamente
a fase onde a aeronave tem pouca velocidade e pouca altitude, o
que obriga o piloto a ter reflexos rápidos, e acima de tudo
muito conhecimento para evitar o pior.
Os riscos durante uma decolagem são imensos, já que
o tempo entre o começo da corrida até o ponto onde
começam a existir opções nunca é maior
que dois minutos. Isso faz com que o piloto tenha que decidir o
que fazer em um ínfimo espaço de tempo, tanto que,
segundo a Flight Safety Foundation, na maioria dos casos de acidentes
durante a decolagem os pilotos poderiam ter feito alguma coisa antes
e em raros casos durante a decolagem.
Como é natural do ser humano, só nos preocupamos com
os riscos quando já estamos diante deles, poucas vezes nos
preocupamos em evitar uma situação de risco. Mas na
aviação este é um tipo de atitude que não
deve ser mantida uma vez que vidas estão em jogo.
Grande parte dos acidentes que ocorreram durante a fase de decolagem
ocorreram por alta de uma inspeção pré-vôo,
check-list incompleto ou não realizado, má manutenção,
falta de preparo e conhecimento técnico.
Não raro acontecem acidentes porque o piloto esqueceu de
realizar um check externo, decolando com capas de pitot, trava dos
controles, etc.
O maior medo da maioria dos pilotos é sofrer uma perda de
motor justamente durante a decolagem. O medo é tanto que
acabou criando, em praticamente todo o mundo, o mito que logo após
sair do chão o piloto de um avião leve, como motor
a pistão, deve reduzir a aceleração. Porém
não existem registros que comprovem que manter o motor em
sua plenitude por um minuto ou pouco mais possa causar um colapso
no mesmo.
O correto seria manter o motor com aceleração plena
por aproximadamente um minuto, pois caso o motor venha a falhar
o avião estará com maior velocidade e altitude, permitindo
que o piloto tenha maiores opções para realizar com
sucesso os procedimentos de emergência
No caso de um avião bimotor a regra é manter a velocidade
na faixa verde e o avião configurado para subida monomotor.
Em aviões monomotores, caso haja perda do motor, as opções
são poucas, mas consiste em basicamente aterrissar em frente,
com o mínimo de desvio da proa para evitar a perda de velocidade
e controle. Se for um avião a reação, o piloto
deverá seguir o manual.
Se o motor falhar antes da velocidade de decisão - V1, é
possível parar a aeronave com segurança na pista,
mas caso o problema ocorra na fase de transição entre
a V1 e VR, a potência disponibilizada pelo outro motor (ou
outros motores) é suficiente para que o avião decole
e ultrapasse com segurança todos os obstáculos ao
redor do aeródromo. É importante salientar que o piloto
tem que decidir se decola ou não antes de atingir a V1, ou
seja, ele tem até 5 nós antes da V1 para decidir,
visto que a velocidade aumenta com extrema rapidez.
Mas, infelizmente, dados do NTSB (National Transportation Safety
Board) mostram que o evento mais comum durante falhas crÍticas
na decolagem é a do piloto decidir realizar uma RTO (Rejected
Take Off) ao atingir a V1, ou mesmo já acima dela. Esse tipo
de procedimento conhecido como RTO de alta velocidade, geralmente
trás conseqüências graves, sendo esta uma das
manobras de maior risco especialmente em um jato.
As empresas aéreas, em sua maioria, têm dado atenção
especial a este tipo de episódio durante a fase de treinamento
de seus pilotos, e os fabricantes têm suprido a algum tempo
os sistemas de alarme durante a decolagem. No caso de um problema
durante a decolagem, as dificuldades em manter o avião sobre
controle são o principal aviso que algo errado aconteceu,
não sendo necessário fazer da cabine do avião
um show de luzes e alarmes, o que aumenta drasticamente a tensão
dos pilotos.
Saber como proceder durante uma decolagem com perda de motor é
primordial para conseguir pousar em segurança. É importante
conhecer os limites da aeronave, condições da pista
e condições meteorológicas.
As principais autoridades aeronáuticas do mundo trabalham
em conjunto com os fabricantes para determinar e prever o que pode
sair errado durante a decolagem, criando assim regras e normas de
como proceder em caso de emergência.
Caso os pilotos procedam de acordo com os manuais das aeronaves
e com as normas estabelecidas, as chances de ocorrer um acidente
são mínimas. Lógico que podem ocorrer situações
que jamais foram imaginadas como no caso do Fokker 100 que caiu
em São Paulo. O fabricante não previa a abertura do
reverso durante o vôo, fazendo com que este tipo de pane não
existisse nos manuais do avião. Nem mesmo o alarme de reverso
aberto era acionado durante a decolagem, já que este evento
era impossível de ocorrer até aquela fatídica
manhã de 31 de outubro de 1996.
Porém apesar das fatalidades, os órgãos de
regulamentação e a indústria vêm conseguindo
manter excelentes índices de segurança, especialmente
com as aeronaves a “jato”.
Mas de nada adianta fabricantes, órgãos de segurança
e regulamentação realizarem inúmeros trabalhos
de prevenção de acidentes se os pilotos não
tiverem consciência dos riscos da decolagem e como reagir
de forma correta diante de uma emergência. |