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| Esteiras de Turbulência |
| As perigosas esteiras de turbulência são responsáveis
por inúmeros acidente aéreos. Os vórtices gerados
por uma aeronave que acabou de decolar ou pousar podem ser fatais
para quem vem logo atrás. |
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| As
temidas esteiras de turbulência são conhecidas por
pilotos, controladores de tráfego aéreo e engenheiros
há mais de quatro décadas, o que tem motivado grandes
fabricantes a pesquisar e desenvolver soluções para
minimizar este problema.
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Em
12 de novembro de 2001, enquanto os atentados de 11 de setembro
ainda eram o principal tema da maioria dos meios de comunicação,
um Airbus A300-600 da American Airlines caiu no bairro do Brooklin
em New York, cinco minutos após decolar do aeroporto John
F. Kennedy.
O acidente
que vitimou os 260 passageiros e mais cinco pessoas no solo, logo
foi visto pela maioria dos moradores dos Estados Unidos como mais
um atentado.
Porém
as investigações iniciais apontavam que a provável
causa da queda era a separação do estabilizador vertical
provocado por movimentos bruscos no leme. |
| As
investigações do NTSB - National Transportation Safety
Board, a agência de segurança dos transportes dos Estados
Unidos, mostraram que separação do estabilizador vertical
foi provocada devido à tentativa da tripulação
em recuperar a altitude e controle do Airbus enquanto ele passava
pela esteira de turbulência deixada por um Boeing 747-400 da
Japan Airlines que decolou cerca de 105 segundos antes. |
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As
esteiras de turbulência, conhecidas internacionalmente como
wake vortex ou wake turbulence, nada mais são do que um conjunto
de vórtices gerados nas pontas das asas (fixas ou rotativas)
que se intensificam com o aumento do arrasto induzido da aeronave.
Para entender a formação deste
vórtice é necessário recordar os princípios
básicos do vôo. As aeronaves de asas fixas ou rotativas
voam devido a sustentação aerodinâmica gerada
pelas asas, obtido pelo diferencial de pressão entre o extradorso
e intradorso das asas. Entretanto, essa diferença de pressão
faz com que o ar tenha a tendência de migrar para a parte
superior das asas e conseqüentemente parte do ar percorre até
a ponta da asa onde consegue passar para a parte superior. Este
fenômeno gera um vórtice que obtendo uma observação
da aeronave de frente, o gerado pela asa direita gira no sentido
horário enquanto o da asa esquerda para o sentido anti-horário.
O uso de winglets visa justamente reduzir este efeito que gera um
considerável arrasto. Porém os vórtices de
ponta de asa não são inibidos pelos winglets, apenas
tem sua intensidade reduzida.
Além
disso, o ar que passa pela parte superior da asa no bordo de fuga
é direcionado para baixo e ao encontrar o ar mais lento que
passou pela parte inferior, que no bordo de fuga tem a tendência
de subir, gera pequenos vórtices de grande intensidade e
estes ao encontrarem o ar da ponta da asa aumentam ainda mais sua
intensidade.
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Os
vórtices gerados pelas aeronaves têm uma área
que varia de duas a quatro vezes a envergadura das asas, tendendo
a descer entre 500 e 900 pés abaixo do nível de vôo,
com uma velocidade vertical variando de 300 a 500 pés por
minuto nos primeiro 30 segundos de sua formação e
velocidade normalmente igual ou superior 300km/h. São sentidos
com grande intensidade até a uma distancia de cinco milhas
náuticas da aeronave geradora.
É importante
esclarecer que os vórtices podem sofrer interferência
do vento, podendo mudar de direção, duração
e mesmo intensidade quando existe turbulência atmosférica
presente. Estudos realizados pela FAA - Federal Aviation Administration
- em conjunto com a NASA mostraram que na presença de ventos
de través com intensidade variando entre 4 e 7 nós,
a velocidade de dissipação lateral das esteiras de
turbulência é de em média 5 nós. I
sto exige atenção especial em aeroportos com pistas
paralelas, pois o vento poderá levar os vórtices para
a pista lateral utilizada.
Entretanto, uma atmosfera estável
é muito mais perigosa que uma turbulenta.
Os vórtices
mais intensos têm a tendência de manter altitude e velocidade
constantes em uma atmosfera estável, tornando os vôos
neste tipo de ambiente ainda mais crítico, exigindo maior
atenção de controladores e pilotos. |
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Ilustração da esteira de turbulência
gerada pelo B747-400. Arte:
Edmundo Ubiratan |
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Os
vórtices são mais intensos quando as aeronaves estão
limpas, ou seja, com flaps e slats recolhidos, e em baixa velocidade.
Neste caso, devido a menor velocidade, a aeronave deverá
manter um maior ângulo de ataque para obter a mesma sustentação
obtida com a aeronave em alta velocidade ou quando configurada para
pouso ou decolagem e isso aumentará imensamente o arrasto
induzido o que é justamente o formador das esteiras de turbulência.
A intensidade
da força dos vórtices depende de diversos fatores,
mas os principais são o peso da aeronave, configuração
(pouso/decolagem ou limpa), envergadura e perfil das asas.
Na teoria,
quanto maior e mais pesada a aeronave, maior será sua esteira
de turbulência porém o Boeing 757 apesar de ser uma
aeronave média é classificada como pesada devido aos
grandes vórtices gerados.
A esteira deixada
por um Boeing 757 chega a ser superior a deixada por um Boeing 747-400
durante a fase de pouso. O principal motivo é os flaps do
757, pois eles não possuem divisão em inboard flap
e outboard flap e desta forma geram um intenso arrasto que causa
violentos vórtices.
Esta peculiaridade
do projeto do 757 fez com que a FAA o transferisse para a categoria
pesada nas separações entre aeronaves, mesmo com seu
peso real sendo inferior ao mínimo desta categoria.
Comparativamente,
helicópteros geram vórtices mais intensos do que os
gerados por aviões do mesmo peso. Sendo que os vórtices
gerados por helicópteros de duas pás são sempre
maiores que os gerados com maior número de pás e tal
fato pode causar sérios problemas para aeronaves que voam
abaixo ou atrás, mesmo sendo de maior porte. |
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É
importante destacar que apesar das aeronaves de grande porte serem
responsáveis pelas esteiras de turbulência mais intensas,
a maior parte dos acidentes ocorridos envolvem pequenas aeronaves
que entraram na esteira de turbulência geradas justamente
por aeronaves do mesmo porte.
Uma explicação
para o fato é a menor atenção dada a este problema
quando se trata de aeronaves de menor porte.
A Flight Safety
Fondation estima que a metade dos acidentes envolvendo esteiras
de turbulência aconteceu durante as fases de aproximação
e pouso.
Nos Estados
Unidos, segundo o NTSB, entre 1983 e 2000 aconteceram 130 acidentes,
sendo 14 fatais e 60 incidentes envolvendo esteiras de turbulência.
O que demonstra o perigo iminente e invisível dos vórtices. |
O B757 exige muita atenção de quem
vem logo atrás
Imagem: Bernardo Andrade |
Quaisquer alterações
no vôo como na altitude durante as fases de pouso ou decolagem
com uma aeronave logo a frente podem ser um sinal de que a aeronave
entrou em uma zona de vórtices. Os efeitos podem ser suaves
ou bruscos, mas no segundo caso existe o sério risco da aeronave
ficar fora de controle, sendo que as ações corretivas
podem ocasionar um colapso estrutural levando a queda da aeronave.
A melhor
solução é seguir as separações
mínimas recomendadas pela ICAO - International Civil Aviation
Organization (Organização de Aviação Civil
Internacional – OACI) conforme a tabela abaixo. |
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| Operações onde existe cobertura
radar |
Aeronave
à frente
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Mínimos* |
Leve |
Pesada |
3 milhas náuticas |
Média |
3 milhas náuticas |
Leve |
3 milhas náuticas |
Média |
Pesada |
3 milhas náuticas |
Média |
3 milhas náuticas |
Leve |
4 milhas náuticas |
Pesada |
Pesada |
4 milhas náuticas |
Média |
5 milhas náuticas |
Leve |
6 milhas náuticas |
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| Operações sem cobertura radar |
| • Mínimo de três minutos entre uma
aeronave leve ou média que seguir o pouso de uma
pesada. |
| • Quando uma aeronave leve ou média decolar
após uma pesada utilizando a mesma pista deve se
manter uma separação de no mínimo
de dois minutos. |
• Quando a decolagem de uma aeronave pesada for
seguida de pouso de qualquer outra aeronave, incluindo
uma aeronave pesada, o intervalo devera ser de no mínimo
dois minutos.
• O mesmo vale caso o pouso for logo em seguida
a uma aeronave pesada e as trajetórias se cruzarem |
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| Tabela de classificação |
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Aeronave com peso
máximo de decolagem igual ou inferior a 7.000
kg |
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Aeronave com peso
máximo de decolagem entre 7.001 e 136.000
kg |
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Aeronave com peso
máximo de decolagem igual ou superior a 136.001
kg |
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Valores válidos
quando a aeronave seguinte seguir a trajetória
na mesma altitude ou a menos de 1000 pés
abaixo da aeronave à frente.
Ou quando uma aeronave cruzar a trajetória
de outra na mesma altitude ou a menos de 1000 pés
abaixo. |
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