Em algum lugar na região norte do país, no COC
(Centro de Operações de Combate) de uma das Fragatas
da Marinha do Brasil, o clima é tenso. Pelo fonoclama do
navio vem a ordem de que os pilotos devem comparecer imediatamente
ao COC, onde o Comandante do navio e o CHEOPE (Chefe de Operações),
estão reunidos.
Ao entrarem os pilotos se deparam com inúmeros militares
debruçados sobre os enormes displays do radar, a cacofonia
de sons, junto com o ambiente escuro do COC, cria um clima ainda
mais tenso. O Comandante e o CHEOPE discutem com demais oficiais
o procedimento que deverá ser adotado. Enquanto debatem
vem o comunicado que um P-95 acaba de confirmar a presença
do contato a 80 milhas; Trata-se realmente de uma Fragata inimiga.
As intenções ainda não são claras,
porém o clima apreensivo na região é suficiente
para prever as intenções do contato. Os pilotos
são instruídos pelo CHEOPE com relação
ao emprego da aeronave, será realizado o plano de ataque
Leopard, onde o Lince Zero Uno irá operar em conjunto com
o Lince Zero Seis, que está embarcado na outra fragata
do GT (Grupo Tarefa). A aeronave deve ser imediatamente armada
com dois mísseis Sea Skua e permanecer em alerta 15. Instantes
depois os fonoclamas anunciam: “Tripulação,
guarnecer postos de vôo”.
O até então tranqüilo clima no convôo
é tomado pelo entra e sai das equipes do DAE (Destacamento
Aéreo Embarcado). Enquanto alguns preparam o Lince Zero
Uno para o vôo, uma equipe começa a armar a aeronave
com os dois Sea Skua e outra está atenta às ordens
vindas do COC. No passadiço, a ordem é manter a
velocidade e o rumo, visando não alertar o inimigo quanto
ao que esta ocorrendo no escuro COC.
Já passam das duas horas da manhã e o contato continua
se aproximando perigosamente do GT. Desde que foi confirmada a
presença do contato à aproximadamente uma hora,
as duas fragatas do GT que dispõem do Super Lynx estão
prontas para um eventual ataque. O contato inimigo está
agora a pouco mais de 50 milhas do GT e se aproxima de forma rápida.
Neste momento o Comandante da ordem para o posicionamento do navio,
para lançamento da aeronave e muda o alerta para 5. Enquanto
no passadiço os oficiais ordenam a imediata mudança
de rumo e velocidade, na cabine do Lince Zero Uno, o 1P faz os
motores do Lince rugir, o 2P inicia o acionamento dos sistemas
de armas. As condições climáticas não
são das mais favoráveis, chove forte e o balanço
está no limite máximo para operação
dos helicópteros.
Minutos depois vem a ordem para imediata decolagem. Arpão
fora, cheque de instrumentos, tudo ok e o Lince Zero Uno decola
em meio à chuva. Sem dúvida aquele não seria
o vôo mais tranqüilo já realizado por aqueles
pilotos.
Após o lançamento, o navio retorna para seu rumo
original e inicia a coordenação com o helicóptero.
Visando manter as aeronaves mais ocultas possíveis, as
transmissões via rádio são praticamente nulas
e o Lince Zero Uno voa a poucos pés acima do mar, enfrentando
ventos relativamente fortes e sem qualquer visual externo. A busca
pelo contato é feita apenas através do MAGE, objetivando
não entregar a posição das aeronaves e se
possível realizar um ataque surpresa. O Lince Zero Uno
é informado que o Lince Zero Meia, já esta no ar
e ruma em direção ao alvo.
O MAGE capta os sinais da Fragata inimiga e o CGT (Comandante
do Grupo Tarefa), confirma a ordem de engajar e destruir o alvo.
A pouco menos de 10 milhas, ambas aeronaves ascendem para altitude
de lançamento e acionam o poderoso radar Seaspray, segundos
depois já estão posicionadas e disparam um Sea Skua
cada. Apesar do inimigo ter interceptado as aeronaves momentos
antes, não houve tempo suficiente, para uma manobra evasiva,
os dois Sea Skua causaram graves danos a Fragata e seus tripulantes
tentam em vão controlar a situação. Enquanto
a dupla de Lince retorna aos navios e o GT é informado
do sucesso da missão, a Fragata em chamas esta fora de
combate.
A situação descrita acima apesar de fazer parte
de um exercício simulado mostra a importância do
Super Lynx para a Marinha do Brasil.
Ele é um helicóptero de combate por excelência,
sua incrível manobrabilidade e desempenho são rapidamente
notados, tornando impossível ficar indiferente ao vê-lo
em vôo. Ter a oportunidade de conhecer esta incrível
máquina de perto, faz com que qualquer piloto ou aficionado
por avião passe a respeitar e admirar este, que é
um dos mais versáteis e poderosos helicópteros militares
da atualidade.
Os Super Lynx da Marinha do Brasil ficam na Base Aeronaval de
São Pedro D'Aldeia, dotados no 1º Esquadrão
de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque, o “Esquadrão
Lince” [LEIA
MAIS], são atualmente o helicóptero naval mais
sofisticado em uso na América do Sul. São capacitados
para operar 24h em qualquer navio escolta da Esquadra, inclusive
nas Corvetas Classe Inhaúma, que possuem o menor convôo
no mundo capaz de operar Lynx.
Desenvolvido desde o inicio como uma extensão do sistema
de armas do navio, os Super Lynx podem operar por longos períodos
embarcados, executando inclusive todas as tarefas de manutenção
necessárias neste período. Visto que estas aeronaves
contam com manutenções escalonas de forma que ela
não necessite passar por longos períodos em manutenção.
Aumentando de forma expressiva a disponibilidade.
Durante os embarques, normalmente são destacados dez militares
do DAE e seis pilotos, permitindo assim operações
ininterruptas ao longo das 24h do dia. Sendo que, dependendo da
Comissão é levado a bordo um kit específico
de componentes e peças suplementares, visando à
realização das manutenções programas
sem afetar o andamento das missões.
QRPB- Qualificação e
Requalificação de Pouso a Bordo
Todas as vezes que as aeronaves da Marinha embarcam, sejam elas
asas fixas ou rotativas, todos os pilotos devem executar uma Re-Qualificação
de Pouso Abordo, que tem por objetivo readaptá-los as operações
no convôo, visto que a operação embarcada
é completamente diferente da operação em
terra.
O QRPB, basicamente consiste em uma série de decolagens
e pousos, onde após a decolagem a aeronave realiza um circuito
padrão e inicia os procedimentos para pouso. Ao longo do
primeiro dia embarcado, são realizados inúmeros
vôos QRPB, tanto diurno quanto noturno.
Visando conhecer melhor as operações do HA-1 e do
Super Lynx, embarcamos junto com o Esquadrão para vivenciar
os diversos tipos de vôos realizados.
O vôo estava previsto para as 14 horas onde seria realizado
uma série de decolagens e pouso e uma demonstração
em vôo das características do Lynx. Após rápido
BRIEFING de vôo, onde foram passados dados como peso da
aeronave, quantidade de combustível, duração
do vôo, número de decolagens e pousos e informações
gerais com relação à meteorologia, deixamos
o COC e nos dirigimos para o convôo onde o Lince 09 nos
aguardava. O tempo claro em alto mar se fazia sentir pelo intenso
calor e a desagradável sensação causada pela
alta umidade do ar.
Enquanto embarcávamos, o fiel realizava os últimos
CHECKS externos e os pilotos iniciavam os procedimentos para acionamento
do Lince 09.
O procedimento de acionamento é relativamente simples,
o diferencial é que como na maioria das aeronaves militares
a maior parte dos CHECK LIST deve ser decorado pelos pilotos,
visto que a leitura dos cartões tomaria um maior tempo,
este extremamente valioso em um cenário de guerra.
Para muitos pilotos civis e mesmo militares, um dos pontos que
chamam mais atenção é o posicionamento das
alavancas de acionamento dos motores e freio rotor no painel superior,
como nos Black/Seahawk e Sea King.
A partida é realizada manualmente devido à ausência
de FADEC, porém atendendo a solicitação de
diversos operadores atualmente a Westland oferece esta opção
na versão equipada com o motor LHTEC 800.
O modelo operado pela Marinha do Brasil está equipado com
os motores Rolls Royce Gem 42-1, capazes de desenvolver até
835kW (1120 shp), permitindo um peso máximo de decolagem
de 5.126Kg.
Ainda que não contanto com FADEC, a partida é rápida
e simples, onde o 1P aciona o botão de STARTER, coloca
todos os interruptores do painel superior na posição
ON e após verificar a temperatura do motor leva a alavanca
para GROUND IDLE.
Após a liberação do freio rotor, as grandes
pás construídas em materiais compostos, começam
a girar lentamente, aumentando sensivelmente a vibração
abordo. Uma das principais características do Super Lynx
são o desenho das pás do rotor principal, que derivaram
do projeto BERT (British Experimental Rotor Programe), que além
do design inovador, com pontas deflexionadas são constituídas
em material composto (titânio e GFRP - Glass Fiber Reinforced
Polymer) e colméias em alumínio. Este novo design
permitiu superar as antigas limitações aerodinâmicas
provenientes do estol de ponta de pá, aumentando a velocidade
máxima operacional para 165 nós. Outro grande diferencial
do Super Lynx é a cabeça do rotor principal semi-rígida
constituída em titânio, que permite uma rápida
resposta nos comandos.
O sistema do rotor de cauda gira no sentido anti-horário
e também possui hélices em materiais compostos e
refinado perfil aerodinâmico, dotando assim o conjunto de
maior ascendência no controle de YAW.
Os comandos de coletivo e cíclico são convencionais
com todos os botões necessários ao alcance dos pilotos
distribuídos de forma ergonômica e prática.
No coletivo estão localizados os comandos do estabilizador
de vôo, do guincho e do arpão, além do botão
de silence/mute do rádio. No cíclico estão
localizados os controles do trim, botão de rádio,
AUTO-PILOT e alijamento de carga.
Após os últimos checks o 1P libera o arpão
e inicia uma suave decolagem, sempre atento às instruções
passadas pelo OLP no convôo e especialmente na superestrutura
do navio. A saída é realizada por bombordo (lado
esquerdo do navio) e logo após livrar a estrutura do navio
o 1P comanda uma suave transição para o vôo
nivelado.
Apesar do intenso calor e da elevada umidade do ar o Super Lynx
demonstrou ter uma enorme reserva de potencia, que pode ser notada
imediatamente após livramos o convôo já fora
do efeito solo, sendo que na transição para o vôo
nivelado a aeronave ganha velocidade com incrível rapidez.
Ao ultrapassarmos o navio, o 1P iniciou uma curva para esquerda
com elevado BANK lateral e prosseguimos o vôo com os pilotos
realizando algumas manobras de alta performance, como curvas com
grande inclinação lateral e subidas quase 45º
de PITCH, além do famoso WING-OVER, que é utilizada
normalmente como manobra evasiva especialmente para quebrar o
TRACK radar.
É interessante notar que ao contrário do que parece,
o WING-OVER é uma manobra de cíclico, onde o piloto
troca velocidade por altura e posteriormente altura por velocidade.
Antes de realizarmos a manobra o 2P programa o radio-altímetro
para soar abaixo dos 300 pés, visando maior segurança
durante a manobra. A aeronave inicia a subida a 120 nós
chegando a atingir 60º de PITCH e em seguida curva para a
esquerda com BANK de 90º, para posteriormente mergulhar com
outros 60º de PITCH e recuperar os 120 nós de velocidade.
As recuperações foram realizadas longe chegar próximos
dos limites de RPM, pressão, velocidade ou mesmo inclinação,
demonstrando além das excepcionais características
de vôo da aeronave, mas acima de tudo o elevado grau de
capacitação técnica dos pilotos.
O vôo para o cumprimento do QRPB é estável,
especialmente devido ao sistema AFCS (Automatic Fligt Control
System), que torna o vôo mais seguro e confortável.
Depois de entramos na aproximação final, observamos
que estamos a meio-milha com o navio, praticamente todo o procedimento
é feito VISUMENTO, onde o 1P passa a acompanhar as instruções
dadas pelo OLP alternando com o visual dos instrumentos. Neste
momento fica evidente o excelente posicionamento e apresentação
dos instrumentos do painel, proporcionando uma fácil leitura
durante todas as fases do vôo.
A entrada no convôo é feita também por bombordo
e instantes depois tocamos o piso do navio, sendo imediatamente
comandado o acionamento do arpão.
Posterior a realização de um rápido check,
o Lince 09 se prepara para mais uma decolagem, sendo que desta
vez será realizada uma decolagem cruzada, onde a aeronave
fica “atravessada” no convôo. Graças
à capacidade da bequilha de girar 90º e o uso do arpão,
o Super Lynx pode praticamente realizar um 360º sobre o convôo.
O procedimento de decolagem é basicamente o mesmo, a diferença
está no fato do 1P agora ter o OLP a sua direita, sendo
que todas as instruções e procedimentos são
os mesmos.
Após livrar a superestrutura o 1P comanda um PITHCDOWN,
que eleva rapidamente a velocidade, sendo seguido de uma curva
para a esquerda. Iniciamos o procedimento de pouso também
cruzado. Que é utilizado especialmente em casos de forte
vento lateral e na impossibilidade do navio tomar outra proa.
Durante todo o dia foram realizados diversos procedimentos QRPB,
em que todos os pilotos e membros do DAE puderam se re-qualificar
para continuidade das operações seguintes.
Ataque Coordenado Navio-Helicóptero
Exatamente contrário dos pilotos do Esquadrão HA-1,
a primeira oportunidade que tivemos para voar no Super Lynx se
deu em um vôo noturno de adestramento Ataque Coordenado
Navio-Helicóptero Contra Alvos de Superfície.
Além das obvias dificuldades de operar noturno embarcado,
este tipo de missão exige grande adestramento dos pilotos,
sendo fundamental a perfeita coordenação entre eles.
O exercício consiste em um ataque coordenado onde o navio
e sua aeronave orgânica realizam ataques simultâneos
contra um único alvo a fim de saturar sua defesa antiaérea
e mesmo uma eventual manobra evasiva. Neste padrão de ataque
é formado um ângulo de 90º entre os atacantes,
praticamente neutralizando as chances do alvo conseguir escapar
ileso, caso a defesa antiaérea consiga TRAVAR um dos mísseis,
o navio não poderá realizar uma manobra evasiva,
pois anularia o sistema antiaéreo, porém fica exposto
ao ataque do segundo míssil que fatalmente irá atingir
seu objetivo. Todo o plano de ataque, incluindo a vetoração
da aeronave até o alvo, é realizado pelo navio,
seja em missões diurnas ou noturnas.
Após o BRIEFING realizado no COC, os pilotos e nossa equipe
se dirigiram até o convôo. O Lince 09 já se
encontrava ESPOTADO e pronto para decolar. Apesar do tempo bom,
estaríamos voando em um céu sem Lua e estrelas,
tornando a noite em alto mar ainda mais escura. Na verdade única
iluminação que tínhamos eram as poucas luzes
no convôo. Devido à ausência de referencias
luminosas em alto mar, todo navio militar navega as escuras, mantendo
acessas apenas as luzes de navegação, sendo que
em casos de conflito o navio poderá navegar completamente
“apagado”.
A decolagem é feita normalmente e assim que livramos o
convôo, o navio inicia a vetoração até
um dos alvos simulados, que eram compostos exclusivamente por
navios mercantes em rota. Durante todo o vôo o 2P é
responsável pelas comunicações com o navio,
operação dos sistemas de armas e ainda instruir
o 1P com dados relativos ao vôo, como rumo, altitude, velocidade,
entre outros.
O Super Lynx utilizado pela Marinha do Brasil está equipado
com o poderoso radar Ferranti Seaspray 3000, com cobertura 360°,
possuindo ainda capacidade de bloquear a emissão OMNIDIRECIONAL
de radiofreqüência. Permitindo que após o lançamento
do Sea Skua, a aeronave possa se afastar do alvo, mantendo-o “iluminado”
pelo radar e reduzindo as chances de ser detectada pelo sistema
ESM (Electronic Support Measures). O radar ainda possui o moderno
DSP (Digital Sinal Processor), que opera em conjunto com o sistema
MAGE Orange Crop/Racal MIR II, compondo uma poderosa suíte
ESM.
O sistema MAGE tem atuação passiva e permite a obtenção
da marcação da fonte emissora de sinais eletromagnéticos,
informando ainda a freqüência, banda e tipo de varredura.
Depois do 2P visualizar e LOCAR o alvo no radar aguardou instruções
do navio, que deveria coordenar agora o momento do ataque, logo
em seguida o navio informou o lançamento do Exocet contra
o alvo. Agora o 2P deveria calcular o tempo exato para efetuar
o lançamento do Sea Skua, pois devido a maior proximidade
da aeronave com o alvo, esta deve retardar o lançamento
para que ambos os mísseis cheguem simultaneamente no alvo.
Menos de um minuto depois dos disparos os mísseis atingem
seus objetivos e após o Lince 09 confirmar “clarões
no horizonte”, somos vetorados para outro alvo. Durante
mais de 40 minutos que ficamos em vôo foram simulados diversos
ataques. Apesar do Lince 09 ter decolado sem o míssil de
manejo, que daria melhor noção com relação
à performance da aeronave, o objetivo do exercício
era apenas adestrar a coordenação entre helicóptero
e navio, além do adestramento padrão em vôo
noturno.
À noite ainda foram realizados alguns esclarecimentos e
ataques. O helicóptero tinha que confirmar a presença
de contatos, que estão fora do alcance radar e de armas
do navio.
Infelizmente devido às conhecidas restrições
orçamentárias, os Super Lynx brasileiros ainda não
possuem os sistemas FLIR, que além de facilitar a localização
dos contatos aumentaria a segurança da aeronave, mantendo-a
sempre longe do alcance dos sistemas antiaéreos.
Após uma hora de vôo o 2P informa ao navio nossa
CONTA CORRENTE e somos orientados a retornar.
O Super Lynx conta com uma completa suíte de equipamentos
de comunicação e navegação, com rádios
que operam nas faixas de UHF, VHF e HF. Possuindo um computador
tático de navegação Racal RNS252, radar altímetro,
sistema giroscópio, sistema Doppler, além dos tradicionais
sistemas de navegação VOR e ADF.
Não deixa de ser interessante mesmo para os mais experientes
pilotos, este tipo de aproximação, onde o helicóptero
deverá localizar o navio e realizar um pouso completamente
às escuras.
Essa aproximação sem nenhuma referencia visual externa
exige perícia e muita disciplina, pois, durante o pouso,
o piloto dispõe apenas das luzes do GPI (Glide Path Indicator)
do navio, que é similar às luzes PAPIS dos aeroportos.
Como os pilotos brincam, a única diferença neste
caso é que o aeroporto está apagado, andando e balançando.
Durante a aproximação, o 2P é responsável
por acompanhar as indicações da GPI enquanto o 1P
acompanha apenas os instrumentos até meio-milha do navio,
onde o 1P já tem visual com navio e passa a seguir as instruções
fornecidas pelo OLP no convôo. Neste momento é possível
visualizar os bastões iluminados utilizados pelo OLP e
a silhueta do navio. Segundos depois estamos sobre o convôo,
após o suave toque, o 1P comanda o arpão que nos
mantém presos ao navio, tendo em seguida liberado a aproximação
DOE para ACORRENTAMENTO do Lince 09 ao convôo. Após
checar os parâmetros do motor e 1P inicia o procedimento
de corte enquanto o fiel desembarca e depois da parada total dos
rotores autoriza nosso desembarque.
Enquanto nos dirigíamos para o DEBRIEFING o DOE iniciava
os preparativos para mais uma decolagem que ocorreria durante
a madrugada.
Após vivenciar o dia-a-dia do Esquadrão HA-1, desde
sua rotina diária até as operações
embarcadas, ficou evidente o elevado grau de profissionalismo
e dedicação de todos os integrantes do esquadrão.
Demonstrando também a importância do Super Lynx,
que recebeu diversos elogios de todos os pilotos e mecânicos,
demonstrando ser uma excelente aeronave para operações
embarcadas, sendo capaz de realizar qualquer tipo de missão
de ataque ou esclarecimento com pleno sucesso. Uma aeronave pequena,
rápida, ágil, que seguiu fielmente as características
do felino homônimo.